FILADÉLFIA, O FILME - O TEMA

18 de Junho de 2011 Silvana Maria Moreli Resenhas 7162

Em “Filadélfia”, filme dirigido por Jonathan Demme, o mesmo de “O Silêncio dos Inocentes”, o tema “preconceito” é focalizado sob vários ângulos, mas, a trama central gira em torno da discriminação que cerca um paciente, Andrew Beckett, interpretado por Tom Hanks, portador do vírus HIV, protagonista da história, no papel de um promissor advogado de um conceituado e tradicional escritório e que é demitido tão logo seus patrões descobrem que está com AIDS. Eles, os patrões, negam veementemente que o motivo da demissão tenha sido “preconceito”, alegando que a causa real seria “incompetência”.

Denzel Washington é Joe Miller, um advogado de pequenas causas, negro, que sofre discriminação racial, porém, de uma forma mais velada no contexto do filme, já que o enfoque principal é o preconceito contra o paciente soropositivo e a opção sexual do mesmo. É o único, sem demonstrar, no início, muito otimismo, que aceita defender Andrew Beckett no processo que este está movendo contra seus ex-patrões. O filme evidencia o preconceito que Joe Miller nutre contra os homossexuais; é machão, casado, tem filhos e atribui à educação severa e machista que teve, o fato de repudiar tanto o homossexualismo.

A relação entre Andrew Beckett e Miguel Alvarez (Antonio Banderas) também é velada, ficando apenas no campo da sugestão.

O ponto alto da trama surge quando Andrew Beckett, já debilitado pela doença, sob a luz avermelhada da lareira e ao som da ária “La Mamma é Morta”, da ópera Andrea Chenier, de Giordano, desliza pela sala como se flutuasse, levando o advogado Joe Miller às lágrimas (que este faz questão de disfarçar) e à reflexão que o faz mudar de comportamento. Seu comportamento preconceituoso do início do filme, cede lugar a um comportamento de respeito e admiração.

O apoio incondicional da família é outro enfoque importante no decorrer da história. Em nenhum momento, qualquer membro da família teve uma atitude preconceituosa ou de indignação, muito pelo contrário, ela aparece como base de apoio, como sustentação.

Fim do processo judicial, veredicto em favor de Andrew Beckett que culmina com sua morte física, uma vez que a morte social já havia sido decretada quando da sua discriminação, demissão e humilhação.

FICÇÃO E REALIDADE: o preconceito nosso de cada dia

Todos temos preconceitos, em diferentes escalas e graus e, embora tentemos fugir deles e não assumi-los, encontram-se por toda parte, arraigados à nossa cultura. Existem pela ignorância, pela incapacidade de compreender e de aceitar as “diferenças”. A sociedade é contraditória no que diz respeito aos preconceitos: se por um lado condena os preconceituosos (em alguns casos, sob as penas da lei), por outro avaliza a disseminação de atitudes preconceituosas. O ser humano luta consigo mesmo para desvencilhar-se de todo e qualquer preconceito, mas acaba esmorecendo quando se depara com o fantasma da “diferença”; o ser humano não consegue se libertar dos paradigmas impostos pela sociedade, na qual, tudo aquilo que foge dos padrões é “diferente” e, sendo “diferente”, é discriminado. Se tomarmos como exemplo o preconceito contra os homossexuais e portadores do vírus HIV, podemos fazer uso do filme “Filadélfia”, que tão bem explorou o tema em questão.

O preconceito é algo que raramente as pessoas assumem ter e, na maioria das vezes, não têm noção do que representa. Do conceito de preconceito, tendo em vista idéias pré-concebidas, a discriminação surge, seja na raça, na religião, na cor ou tipo de cabelo; doença, deficiência física ou mental; nível cultural ou sócio-econômico; sexo ou preferência sexual; cidade ou país de origem etc.

A sociedade condena os preconceituosos ao mesmo tempo em que instiga o preconceito entre as pessoas. Atualmente, a Internet é um meio muito eficaz de propagação de idéias preconceituosas, haja vista a quantidade de piadas e textos discriminatórios contra os “negros”, as “mulheres”, os “gordos”, os “baianos”, os “portugueses”, as “loiras”, os “caipiras”, os “quarentões”, o “sistema carcerário”, as “músicas sertanejas” etc. São colocações corriqueiras como “Nossas prisões estão cheias de negros e nordestinos”, “Os gays são responsáveis pela epidemia de Aids”, “Fui assaltada ontem. O assaltante era um negro...” que denotam o preconceito velado de uma sociedade hipócrita e acabam por configurar um campo propício para a proliferação do preconceito. Não somos perfeitos e temos o direito de rejeitar as diferenças, mas jamais de negar aos outros os mesmos direitos que a nós são concedidos, de mutilá-los da mesma liberdade de ação e pensamento de que dispomos.

Nos deparamos, no filme “Filadélfia”, com alguns exemplos fortes de preconceito. O mais evidente é o preconceito contra os homossexuais e, concomitante a este, o preconceito contra o indivíduo portador do vírus HIV. É inegável que os fatores que fortalecem um preconceito são, sem dúvida, a ignorância e o medo. E, para comprovar isso, no caso específico do filme, podemos ressaltar o fato de que o enredo se desenvolve quando a Aids ainda estava despontando e o que se sabia a respeito, era pouco difundido e mal interpretado. Algumas cenas nos mostram isso claramente, por exemplo, quando o advogado Joe Miller ao dar a mão a Andrew Beckett, descobre logo em seguida que este está com Aids; por alguns instantes fica olhando para a mão um tanto quanto atemorizado, faz menção de limpá-la, fica incomodado e procura manter uma certa distância de Andrew. A insegurança o faz procurar um médico de sua confiança para tirar dúvidas quanto às formas de contágio da doença, e, mediante as explicações do médico, consegue ficar um “pouco” mais aliviado. Outro exemplo, é uma cena do julgamento, na qual Andrew Beckett é interpelado sobre seus conhecimentos a respeito da doença. Ele responde que já havia “ouvido falar” vagamente sobre uma doença denominada “peste gay”...

Com as primeiras tentativas de explicação da epidemia de Aids, nasceu o preconceito contra os que contraiam o tal vírus HIV. A saber: “peste gay”, como era conhecida no início; “grupos de risco”, pessoas que pertenciam a um grupo com pré-disposição a contrair a doença e cujo contato deveria ser evitado: os homossexuais, os bissexuais e os que viviam da prostituição. Com o alto nível de contágio pelo consumo de drogas injetáveis, o partilhar de seringas e a falta de controle do sangue desde o começo da epidemia (que infectou vários hemofílicos), o “medo” tomou proporções astronômicas. Atualmente fala-se em “comportamento de risco”, uma vez que a Aids tornou-se uma realidade bem próxima.

O problema da Aids, mostrado de forma tão singular no filme “Filadélfia”, traz à tona todo pânico de se estar diante de uma doença incurável e que tem a morte como pano de fundo. Sobre isso, Herbert de Souza (“Betinho”) disse: “A doença que mistura racismo, sexo e sangue, só pode ser uma doença revolucionária”.

Crer-se livre de preconceitos é estar-se prejulgando ou preestabelecendo um comportamento predeterminado pela sociedade; é prescrever no livro da vida uma pré-confissão da hipocrisia humana; é crer-se dotado de prematura predestinação à perfeição, incorrendo no imperdoável erro de subjugar seus semelhantes. Preordenar a si atitudes antidiscriminatórias é a preconização de atos de efeito, com o intento único de justificar-se perante a própria consciência. A inversão de valores éticos e morais é a auto-condenação à condição de iníquo; é estar-se predestinado à conviver com a ambigüidade do “eu” que, se por um lado prenuncia-se um “ser isento de preconceitos”, por outro comete atos discriminatórios e preconceituosos contra tudo aquilo que “difere dos padrões” impostos pela sociedade.


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