Quando Jesus diz que aquele que o ama é quem guarda os seus mandamentos, o significado disto não é meramente e principalmente, que o amor consiste em obedecer os mandamentos, mas que é por guardá-los, que obtemos aquela condição de alma santificada que é a única que está habilitada a compartilhar da comunhão amorosa com Ele, com o Pai e com o Espírito Santo, e uns com os outros.
Entenda-se também, que a obediência aos mandamentos de Jesus, é uma evidência de que o amamos de fato, porque isto não existe naqueles que não o conhecem. Eles não somente não o amam, como também não guardam os seus mandamentos.
Deus nos amou, por sermos seus eleitos, mesmo nos dias da nossa ignorância, porque seu amor é eterno, mas enquanto nas trevas não podíamos ter qualquer comunhão amorosa com ele. Daí a necessidade de sermos regenerados e santificados pelo Espírito para podermos participar do seu amor em plena comunhão com ele.
Toda a nossa obediência é sempre muito imperfeita, e ai de nós se não fosse o amor de Deus que cobre multidão de pecados. Mas a intenção sincera e real de obedecermos ao Senhor, nos credencia a receber o favor da sua graça superabundante, que cobre o pecado, e nos faz aceitáveis a ele.
Não se pense entretanto, que a mera intenção, que não conduza a uma purificação real pelo Espírito Santo, em infusões renovadas do seu poder e amor, é suficiente para tal aceitação.
Daí sermos exortados a nos esforçar e ser diligentes com todo o empenho para crescermos na graça e no conhecimento de Jesus, pois onde isto faltar, não haverá qualquer graça disponível para nós atuando efetivamente em nossos corações para purificá-los.
Se não andarmos no Espírito, o que prevalecerá será a carne, porque ambos lutam entre si, de modo que a carne sempre nos conduz a fazer o que é contrário à vontade de Deus, e somente o Espírito, por andarmos nele, pode vencê-la, levando-nos a fazer o que Lhe é agradável.
Há este conflito interior permanentemente em nós, e por isso se fala de caminhar no Espírito, indicando movimento contínuo, incessante, tanto em vigilância, quanto em oração, para guardarmos nosso coração incontaminado do mal.
Nisto se comprova o nosso amor a Deus, pela renúncia a nós mesmos, ao nosso ego carnal, de maneira que não a nossa vontade, mas a dEle seja cumprida em nossas vidas.
Já que fomos amados com um amor eterno, que não considerou nossas fraquezas, e permaneceu nos amando, e permanecerá por toda a eternidade, até concluir em nós o trabalho de uma perfeita santificação, que esforço seria grande demais, ou renúncia, para agradarmos a Quem nos amou e tem amado com um amor tão infinito, eterno e perfeito?