Cinquenta e poucos anos

13 de Junho de 2014 Paraty Acrósticos 580

Cinquenta e poucos anos.


Não há mais que se planejar o futuro, pois



Nele estou; não há mais que se temer a morte,



Essa estranha senhora que vai me desposar, sem



Se se apresentar por inteira.


Não há mais que desprezar a liberdade, pois sem



Esta, morte e futuro se atracarão em disputa covarde....



Não há mais que se querer menor e nem maior, tão somente



A estatura exata dos anos existidos.


Sem o mar, o vinho e  o
sol, não existirá o verso,



Que me perca então nos desvarios dessa tríade, atraído



Pela força inexplicável de saborear cada ato de vadiagem,



Cada passo impensado.... assim sendo, perpétuo.


O sorriso está  aberto
na flor vadia e cancioneira



Do caminho a se criar



Tornando-se húmus...



Rota de um cálice, contíguo à certeza



De mais nada temer.


Dedicarei então um verso à vida, em cada



Dia que me sobrar, em cada segundo de ar,



Cada noite em que vier a saudade...passada



E futura, pelas mãos da mulher companheira,



Amando, amando, amando.




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