Emoção

02 de Julho de 2014 Luis Freitas Artigos 805

Desempenhar um trabalho no mais alto nível de competência requer tanto habilidades profissionais quanto um alto nível de equilíbrio emocional.

Não há como dizer que as emoções não estão presentes a todo momento na nossa vida e aliás essa é uma das características que mais diferenciam nós seres humanos dos demais seres vivos existentes no nosso planeta.

A falta de emoção faz com que passemos a agir de forma robótica, sem o anseio e a ambição da conquista, da mesma forma que a presença das emoções provoca elevação da motivação e pode acabar por deixar de lado quesitos técnicos aprendidos e necessários para a "vitória", seja no mundo dos negócios ou competições.

Agir sem emoção e motivação não significa que não sejamos capazes de sermos eficientes e eficazes em nossos objetivos.

Vamos pegar um exemplo nos esportes para tentarmos analisar um pouco melhor.

Já há algum tempo o povo brasileiro canta o hino brasileiro até o seu final, mesmo após o hino ser interrompido de acordo com critérios da Fifa, o que muitos acabam se referindo como "a capela" numa referência aos cantos sem instrumentais e algo do gênero.

No meu modo de ver, a emoção causada pelo hino provoca nos jogadores uma emoção tão forte a ponto de se sentirem muito mais fortes e confiantes no resultado. É algo mágico, que provoca reações que podem ser muito intensas.

Prova disso foi a fala do próprio técnico da Espanha, Vicente Del Bosque ao dizer que a Espanha já começou perdendo para o Brasil na final das Copas das Confederações na execução do hino, dado o alto grau de envolvimento dos jogadores e torcida naquela oportunidade.

Você concorda com isso? Concorda que a emoção tornou o Brasil mais forte? No mínimo você concorda que aquela emoção provou uma atitude diferente do Brasil ao enfrentar a Espanha? É provável que em alguma dessas perguntas você tenha respondido ou pensado que sim.

Por outro lado, o que quero explorar, talvez possa ter sido sentido na abertura da Copa do Mundo do Brasil, onde visivelmente os jogadores estavam ainda mais emocionados, e cantaram o hino de uma forma intensa, com lágrimas nos olhos e uma postura "forte", e é neste ponto que o efeito da emoção pode provocar efeitos reversos.

Repare que ao deixar a emoção nos levar, deixamos de pensar racionalmente, tendemos a deixar as questões técnicas de lado, deixar o que foi estudado e praticado de lado e acreditar que nossa motivação nos garante o que queremos (colocamos nossa emoção acima da disciplina tática). 

Pense um pouco sobre isso antes de continuar!

Do ponto de vista tático, pegando o jogo de abertura da Copa de 2014, repare na imagem do jogador Daniel Alves. Ele sai do meio de campo, corre em direção a uma bola que dificilmente ele conseguiria roubar e vai pressionar inclusive o goleiro, algo aparentemente sem nenhuma técnica, apenas por sua motivação. A sequência da jogada nos mostra que a seleção adversária explora o "buraco" deixado por este jogador e consegue atingir o seu objetivo de gol, sem dúvida que com um pouco de sorte também (azar para nós brasileiros).

É neste ponto que a técnica, o profissionalismo pode superar a motivação da outra equipe. É neste ponto que a disciplina deve ser mantida e não deixada de lado ou suplantada pela emoção. É neste ponto que o equilíbrio é fundamental!

A lição para o mundo dos negócios talvez seja de analisarmos que nossa equipe, nossos funcionários e colaboradores precisam sim estar motivados, envolvidos com a empresa e com os objetivos da empresa (da mesma forma que também deveríamos estar envolvidos com o crescimento e desenvolvimento deles), mas é certo que haverá situações onde o equilíbrio emocional, que podemos caracterizar e definir como o uso adequado das emoções e das técnicas de sua função, devem adequadamente serem aplicados. Nem tanto um, nem tanto outro.

A falta deste equilíbrio pode lhe trazer resultados diferentes. Enquanto esperamos conquistar um cliente, enquanto esperamos vender bem e ter lucro, podemos ter como retorno resultados um pouco diferentes pois a motivação, o desejo de vender acima de tudo pode ignorar certas regras ou mesmo a disciplina.

Não podemos deixar um funcionário agir como base somente nas emoções em virtude da sua motivação, sob pena de perdermos inclusive, ou melhor, sob pena de termos inclusive os "valores da empresa" afetados com base neste forte comportamento emocional.

Não quero dizer que não é possível adotar "caminhos errados" por atitudes 100% racionais e não emocionais, até porque isso ocorre bastante. Quero apenas destacar que a emoção colocada a extremos pode provocar resultados diferentes. E olha que estou destacando apenas a motivação boa, aquele que é feita para colocar a pessoa ou as pessoas pra frente, motivação que faz as pessoas acreditarem nelas mesmas, não estou citando motivações e emoções negativas (aquela que provoca medo ou receio).

Gosto de destacar o que o Prof. Kanitz em sua aula magna na FEA/USP falou: defina seus valores antes das suas ambições porque se você deixar para defini-los depois, o risco pode ser alto.

Assim, interpreto e alerto que a emoção/motivação sem limites pode provocar ambições sem limites. Tome cuidado com isso!

Vale a pena ainda citar um grande "ring" onde as emoções podem influenciar de forma intensa as decisões. Esse local são os tribunais. Crenças, história, vivências, preferências, comportamentos e inclusive o sexo da pessoa, faz com que as pessoas tenham uma "regulagem" diferente entre razão e emoção. Bons advogados e advogados diferenciados sempre irão considerar isso em casos de escolha de juris.

Importante reforçar que não há consenso entre o que é melhor ou o que é pior, mais emoção ou mais razão, até porque isto depende de cada situação.

Voltemos ao jogo do Brasil. Será que não cantar o hino "a capela" seria melhor? Muito provavelmente não. Será que tomamos o gol por causa disso? Difícil dizer e esse nem é o meu objetivo.

Mas, o mais importante é que os "jogadores" possam entender e serem orientados entre viver a emoção sem deixar a técnica de lado. 

Lembre-se: somos todos "jogadores".

E assim, da mesma forma, precisamos aprender com situações para podemos aplicar isso na nossa vida, nos nossos desafios.  

P.S.: Não quero polemizar e nem discutir os aspectos técnicos futebolísticos, nem tampouco responsabilizar esse ou aquele jogador. Quero apenas analisar e provocar uma análise mais ampla dos aspectos positivos e negativos que estamos sujeitos em virtude das emoções que são provocadas e geradas em cada situação.

Esse texto está protegido por direitos autorais.
Cópia, distribuição e execução são autorizadas desde que citados os créditos.

Leia também
NA REBORDOSA há menos de 1 hora

NA REBORDOSA Acordo e já começa a girar tudo... Olhos cerrados contra...
ricardoc Sonetos 3


PLEONÁSTICO n°2 há 20 horas

PLEONÁSTICO n°2 Encarasse de frente, não soslaio... Talvez, olhos no...
ricardoc Sonetos 4


ANTIFACISTA há 22 horas

ANTIFACISTA De irrestível apelo aquela união De fortes se fazendo 'in...
ricardoc Sonetos 5


A rua me aceita como sou há 1 dia

A rua me aceita como sou (Livro Poesias Reflexivas- Antonio Ferreira) N...
pfantonio Poesias 77


Não seja superficial há 1 dia

Não seja superficial (Antonio Ferreira-Livro Poesias Reflexivas) Olhe ...
pfantonio Poesias 89


"Dia do amor" há 1 dia

Amanhã é o dia reservado ao Amor, E a fragrância das flores confunde-s...
joaodasneves Poesias 14