Por D. M. Lloyd Jones Paulo diz  que nada poderia habilitar-nos a "dar fruto para Deus", exceto o fato de sermos libertados da Lei e do seu domínio e de sermos unidos a Cristo. Os defensores da Lei na verdade estavam respondendo a si mesmos e se contradizendo. Eles se opunham à pregação do apóstolo sobre a justificação pela fé somente, pela preocupação que tinham pela moralidade e pela reta conduta. Os defensores da "moralidade" ainda fazem aquela acusação contra a pregação bíblica do evangelho. Mas eles levam ao fracasso o seu próprio fim, como o apóstolo prova. Seu argumento é que, se você realmente se preocupa com a moralidade e com o bom comportamento, então, quanto mais cedo crer no evangelho, melhor; porque, enquanto o homem está debaixo da Lei, não somente pode não resistir à tentação para pecar, porém o seu próprio conhecimento agravará a situação. Enquanto ele estiver debaixo do domínio da Lei, pecará cada vez mais, a ofensa será mais abundante.  A Lei, ou o seu ensino moral, inflamará as suas paixões; isso atuará em seus membros e ele ficará cada vez pior. A própria Lei que lhe diz que não faça uma coisa o obriga a fazê-la! Assim, se você estiver interessado na moralidade, na conduta e no comportamento, diz o apóstolo, quanto mais depressa você ficar livre das garras da Lei, melhor. Isso, diz ele, é a glória do plano cristão de salvação. "Mas agora" entra em cena uma justiça que vem de Deus, manifestou-se um plano de salvação, e isso pode libertar-nos realmente. Já não estamos ligados àquilo que agrava a situação; agora estamos livres daquilo e estamos unidos a outro e maior Poder. Contudo, devemos examinar mais uma vez as palavras "para que", "a fim de que". "A fim de que" - o quê? "Para que sirvamos em novidade de espírito, e não na velhice da letra". Notem o verbo "servir", que já encontramos antes. No capítulo 6 foi preciso que nos lembrássemos de que nas Epístolas o termo "servos" sempre significa "escravos". Por exemplo, no versículo 16: "Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos (escravos) para lhe obedecer, sois servos (escravos) daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça? Mas graças a Deus que, tendo sido servos (escravos) do pecado, obedecestes de coração à forma de (sã) doutrina". Depois, no versículo 20: "Porque, quando éreis servos (escravos) do pecado, estáveis livres da justiça" e no versículo 22: "Mas agora, libertados do pecado, e feitos servos (escravos) de Deus". Aqui Paulo retoma essa expressão. Isso aconteceu conosco, diz ele, para que sirvamos em novidade de espírito". "Servir" é "fazer trabalho escravo".  Paulo regozijava-se em apresentar-se como "escravo de Jesus Cristo" - servir a Quem é perfeita liberdade. Não há nada tão maravilhoso como ser escravo de tal Amo e Senhor. O objetivo da nossa libertação da Lei e do seu domínio é que "prestemos serviço escravo em novidade de espírito, e não na velhice da letra". Essa é apenas outra maneira de dizer o que ele dissera no versículo 4, "para que sejais de outro, daquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus". Mas observem atentamente o sentido extra, pois Paulo está levando o argumento um passo, ou um estágio à frente, em relação ao que havia feito antes. Chegamos agora ao ponto vital no qual o apóstolo vai dar ênfase ao caráter diferente do serviço, da nova "escravidão" em que vive o cristão. Ele a contrasta com a velha maneira de viver, e devemos entender que aqui ele está contrastando a vida do cristão, do homem em Cristo, com a vida do melhor tipo possível de homem que leva a sério a moral, estando "debaixo da lei" e "na carne". Devemos manter em mente esse contraste. Naquele tempo existiam, como existem hoje, homens que lêem a Lei Moral e dizem: "Isso está certo, isso é bom; vou viver dessa maneira; vou tentar pôr em prática esse código". E fazem o máximo que podem, com a energia da sua carne. O apóstolo contrasta esse tipo de homem com o que foi tornado cristão. Naturalmente, o interesse dele é mostrar as diferenças, os chocantes contrastes. Primeiro, o apóstolo nos mostra as diferenças gerais entre esses dois tipos de homem, e depois, em maior detalhe, as diferenças particulares. A primeira diferença ampla é entre novo e velho. Ele diz: "em novidade de espírito, e não na velhice da letra". Aqui estão também duas grandes palavras do Novo Testamento - "velho" e "novo". Mais uma vez ele não se refreia na ênfase ao tremendo contraste, à completa e total diferença entre a vida cristã e a vida não cristã. Isso não é peculiar a este apóstolo; é o ensino do Novo Testamento em toda parte. Volto-me de novo, em busca de uma ilustração, para as palavras que o nosso Senhor disse a Nicodemos.  Nicodemos achava que o cristianismo era algo que você deveria acrescentar ao que você já tinha. Evidentemente, foi com base nisso que ele procurou ter a entrevista. "Rabi", disse ele, "bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus: porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele." Entretanto não lhe foi permitido continuar. É óbvio que ele estava prestes a acrescentar: "Agora, eu sou mestre em Israel, e sei muito mais que o povo, mas Tu sabes muito mais do que eu, e tens maior poder; que devo fazer para chegar ao ponto em que estás, como posso conseguir esse extra?" De repente o nosso Senhor o atalha, lendo a mente dele. Já nos foi dito no fim do capítulo 2 do Evangelho Segundo João que Ele não tinha necessidade de que ninguém Lhe dissesse o que havia no homem, porque "ele bem sabia o que havia no homem"; e leu Nicodemos como se este fosse um livro aberto.  Por isso lhe disse: "Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus - não pode nem sequer ter um vislumbre dele; é necessário que ele nasça "de cima". Não é questão de se acrescentar algo; é regeneração, é um novo nascimento, é literalmente começar de novo. "Velho" e "Novo". A velha condição de morte - a nova vida. Ou vejam outra maneira pela qual o nosso Senhor expõe a questão. As pessoas não O entendiam. Vieram ter com Ele e Lhe disseram: "Não te entendemos bem; os discípulos de João Batista jejuam muitas vezes, mas não parece que os teus jejuam. Tu pretendes ser maior que João, tu te colocas como o Mestre; mas o que se vê é que te comportas de maneira completamente diferente de João". Respondeu-lhes Jesus: "Não se põe vinho novo em odres velhos" (Mateus 9:14-17). Esta realidade é inteiramente nova. Não se trata apenas de uma marca superior ou melhor do que a que se usava antes; é absolutamente nova. Para vinho novo só odres novos servem. Ou é como uma peça de roupa. Não se remenda um tecido velho com tecido novo; pois o novo romperá o velho e tornará pior o rasgo. Não é questão de passar gradativamente daquilo para isto; é "velho - novo". 

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