Angóera
Nos sete povos das Missões, no Pirapó, ainda no tempo dos padres jesuítas,

vivia um índio muito triste, que se escondia de tudo e de todos pelos matos e peraus.

Era um verdadeiro fantasma e por isso era chamado de Angoéra (fantasma, em guarani). E fugia da igreja como o diabo da cruz!

Mas um dia a paciência dos padres valeu mais e o Angoéra foi batizado, convertendo-se à fé cristã e deixando de vagar pelos rincões escondidos.

Recebeu o nome de Generoso e tornou-se alegre e bom, mui amigo de festas e alegrias. E um dia morreu, mas sua alma alegre e festeira continuou por aí, até hoje, campeando diversão.

Onde tenha um fandango, lá anda rondando a alma do Generoso.

Se rufa uma viola sozinha, é a mão dele.
Se se ouve uma risada galponeira ou se se levanta de repente a saia de alguma moça, todos sabem - é ele.

Quando isto acontece, o tocador que está animando a festa deve cantar em sua homenagem:

"Eu me chamo Generoso,
morador de Pirapó.
Gosto muito de dançar
com as moças, de paletó".




Mitos e Lendas do Rio Grande do Sul" de Antonio Augusto Fagundes