A Sabedoria Natural é Inútil no Reino de Deus

12 de Setembro de 2014 Silvio Dutra Artigos 806

Por D. M. Lloyd Jones

Hoje os homens continuam pondo a sua confiança na filosofia humana. A Igreja está fazendo isso; ela cita os filósofos, encontra "percepções" numa variedade de religiões e nos ensinos dos filósofos, sejam eles cristãos ou não. Se são homens capazes, homens de cultura e pensadores profundos, argumenta-se que eles devem ter algo para dizer-nos! Mas isso é uma completa negação de toda a base da pregação apostólica.

"O mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria"; e a razão disso é óbvia. Óbvia por causa do caráter e da personalidade de Deus. E em 1 Coríntios, capítulo 2, Paulo afirma que "nenhum dos príncipes deste mundo conheceu" e não reconheceu o nosso Senhor. "Falamos sabedoria", diz Paulo, "entre os perfeitos; não, porém, a sabedoria deste mundo, nem dos príncipes deste mundo, que se aniquilam" (versículo 6). A sabedoria humana, mesmo em seus príncipes, em seus maiores homens, é inadequada; ela nunca nos levará à verdade. Isso porque Deus é o que Ele é! Deus é infinito, absoluto e eterno em todos os aspectos. Deus é! E no momento em que você compreende essa verdade, você vê como o homem jamais tem possibilidade de chegar ao conhecimento de Deus. Como pode a mente finita abarcar o Infinito? Como pode o homem mortal chegar a um verdadeiro conhecimento do Deus imortal, do Deus que diz: "Eu sou o que sou", do Deus que é de eternidade a eternidade, absoluto em todos os aspectos, do Deus que é "luz, e não há nele treva nenhuma?"

Mesmo que o homem fosse perfeito, não poderia chegar ao conhecimento do Deus infinito, pois, em comparação com Deus, o homem não é nada. Se você pode abarcar algum conhecimento com o seu cérebro, significa que o seu cérebro é maior do que o objeto que você abarca. Assim, quando o homem tenta entender Deus, e vê-lo mediante a sua pesquisa, o seu poder, o seu intelecto e seu entendimento, está pressupondo que ele é maior do que Deus e que Deus é alguém que está aberto para ser examinado. A própria idéia disso é monstruosamente ridícula.
No entanto, quando nos damos conta de que o homem não somente é finito, mas também é pecador, decaído, transviado, pervertido, aquela postura se torna ainda mais ridiculamente impossível. Vejam o argumento: "Qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está?" (1 Coríntios 2:11).Tem que haver uma correspondência. Se você quer apreciar música, tem que ter alguma sensibilidade musical. Há pessoas que absolutamente não apreciam música. Podem ter grandes intelectos, porém não têm ouvido, não podem apreciá-la. É preciso haver alguma correspondência ou correlação antes de poder haver entendimento. E o mesmo se aplica ao domínio espiritual. Deus não é só infinito, absoluto e eterno; "Deus é luz, e não há nele treva nenhuma". Não há comunhão entre a luz e as trevas, não há correspondência entre o preto e o branco. Deus é sempiternamente santo, e cada um de nós é pecador, indigno e vil. E o resultado, como diz o apóstolo, é que, para cada uma dessas pessoas "naturais", as coisas do Espírito de Deus são "loucura" (1 Coríntios 2:14). O homem por natureza não somente não pode chegar ao conhecimento; quando lhe é dado o conhecimento, ele o rejeita com escárnio. É absurdo para ele, é loucura. "Os gregos buscam sabedoria", mas o evangelho é "loucura" para eles. E tão completamente diferente do que eles crêem, do que eles são e do que eles têm! E assim será por toda a eternidade. A passagem das eras não faz diferença. Deus não muda, o homem não muda, o pecado não muda e, portanto, o que quer que possamos conhecer cientificamente hoje, que os nossos antepassados não conheceram, não faz a mínima diferença. Assim, estamos de novo na antiga situação: "O mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria". Não podia conhecê-lO. "O homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus... e não pode entendê-las." O homem não pode entendê-las por causa da sua fraqueza, incapacidade e pecaminosidade, e por causa da grandeza de Deus.

Todos nós estamos, pois, nesta situação, que, mesmo empregando todos os nossos esforços, por estes nunca chegaremos a este conhecimento de Deus. Pois bem, então, seria possível o conhecimento? Se devo cingir os meus lombos com a verdade, como posso achá-la? Há somente uma resposta: se havemos de ter algum conhecimento da verdade, é preciso que nos seja dado por Deus. Terá que ser revelado a nós. "É sobremodo elevado, não o posso atingir", diz o salmista (Salmo 139:6, ARA). Mas Deus, se quiser, pode dar-nos o conhecimento que desejamos. E a mensagem geral da Bíblia, do princípio ao fim, é justamente esta, que Ele o fez. "Como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação" - pela mensagem que Ele enviou por meio dos Seus servos. Esse é outro modo de declarar o fato da revelação.
Consideremos por ora a maneira pela qual o apóstolo Paulo expôs o assunto quando ele estava pregando em Atenas e se dirigia aos estóicos e aos epicureus. E, para mim, não somente a tragédia das tragédias, mas também quase inexplicável, o fato de que a Igreja Cristã, no século passado, deliberadamente introduziu de novo a filosofia na Igreja e a colocou numa posição central. É uma negação fundamental da totalidade do evangelho. E ela continua fazendo isso. Temos que levantar-nos diante do mundo e dizer o que Paulo disse em Atenas: "Esse, pois, que vós honrais, não o conhecendo..." (Atos 17:22 e seguintes). Eles estavam tentando achá-lO; não somente haviam erigido templos dedicados aos seus diversos deuses, porém havia aquele estranho altar, que trazia a inscrição: "Ao Deus Desconhecido". Eles tinham a sensação de que Ele estava nalgum lugar. As raças mais primitivas têm uma crença num Deus supremo. Não O conhecem, estão tentando achá-lO - e era assim com os gregos! "O Deus Desconhecido!" E Paulo olha para eles e diz: "Esse, pois, que vós honrais não o conhecendo" - ou esse que estais tentando honrar - "é o que eu vos anuncio" (ou "vos declaro", VA). Ele está fazendo uma declaração.
Lá estavam pessoas andando às tontas, às apalpadelas, na escuridão, e então chega um homem com autoridade e diz: "Esse é o que eu vos declaro". Eis aí conhecimento, informação. Isso é revelação! Essa é toda a posição bíblica. Em nossa incapacidade, em nossa condição finita, em nossa pecaminosidade, não podemos, nem nunca poderemos chegar ao conhecimento de Deus. E estamos tão presos a essa condição que, se a Deus não aprouvesse dar-nos o conhecimento, dar-nos a revelação, não teríamos nada, estaríamos destruídos, estaríamos sem nenhuma esperança, "sem Deus no mundo". Mas, diz a Bíblia, Deus fez precisamente isso! Essa é a glória da mensagem, essas são as boas novas da salvação; a Deus aprouve dar-nos esta revelação. Essa é a mensagem da Bíblia toda; é o que ela proclama do começo ao fim. "No princípio... Deus". É uma declaração autoritária. Como foi que Moisés fez a declaração autoritária? Foi-lhe dada. Assim vocês vêem o autor da Epístola aos Hebreus dizendo que "pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados". Sabemos isso "pela fé"; foi dado; é uma revelação.
Essa é a reivindicação do Velho Testamento; e, nesta questão, o Velho Testamento é tão importante como o Novo. Os dois andam juntos, um levando o outro. Moisés escreveu cinco livros, não por sua sabedoria pessoal, não por sua própria filosofia. Ele não nos oferece suas idéias pessoais e o seu entendimento. A verdade lhe foi revelada, e ele foi capacitado pelo Espírito Santo para escrevê-la. Quando chegam aos profetas, vocês vêem exatamente a mesma coisa. Nem um só profeta se levantou e disse: "Estou dizendo isso porque pensei muito neste assunto; meditei e li muito a respeito, e cheguei a esta conclusão". Não é isso que eles dizem. Em vez disso, eles falam do "fardo do Senhor"; "veio a mim a mensagem do Senhor"; ou "o Espírito de Deus veio sobre mim". Alguns deles não queriam entregar a mensagem. Jeremias diz: "Eu gostaria de não ter que falar; só entro em dificuldade quando falo". Mais de uma vez resolveu que nunca mais falaria, mas disse: "A Palavra de Deus foi como fogo ardente dentro de mim, e não pude refrear-me". Essa era a situação deles. O salmista diz quase a mesma coisa.

A Bíblia é resultado da ação de Deus inquietando homens pelo Espírito, dando-lhes a mensagem, e depois os capacitando a transmiti-la, falando ou escrevendo.


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