Por D. M. Lloyd Jones

Aí estão eles, homens e mulheres, verdadeiros fracassos, apesar de tudo o que Deus faz por eles. Nos livros de história secular lemos sobre as grandes civilizações que se elevaram e depois entraram em colapso, lemos sobre a cultura geral da Grécia, e, todavia, o veredicto do Novo Testamento sobre tudo isso é o seguinte: "O mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria" (1 Coríntios 1:21). Deus deu ao mundo a grande oportunidade de, com sua capacidade, sabedoria e entendimento, encontrar o caminho da salvação, porém o mundo falhou completamente, e foi então que Deus enviou Seu Filho ao mundo.

Mas nós só vemos o sentido da salvação provinda de Deus quando nos damos conta do caráter do problema, que consiste no fato de que o problema está no lado de Deus. Digo isso com grande reverência. Devido à natureza e ao caráter de Deus, o pecado do homem constitui um problema para Deus. Nós temos a tendência de criar Deus à nossa imagem. Acaso não é verdade que O imaginamos como um pai moderno, indulgente? Tal pai não acredita em disciplina, donde decorre o estado da sociedade, os problemas morais, a delinqüência, etc. O pai moderno não tem disciplina em casa, e se opõe se os professores disciplinam as crianças na sala de aulas. E ele acha que Deus é desse jeito. Contudo, não é. Ele é "o Deus da glória"; "Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas" (1 João 1:5).

Eu e vocês não podemos conceber isso, podemos? Não, mas isso não importa, pois Deus é assim. Ele Se revelou, e revelou-Se como um Deus santo. Ele é "tão puro de olhos que não (pode) ver o mal", e não pode contemplar a iniqüidade (Habacuque 1:13). Ele é um Deus de justiça, um Deus de retidão, é o Deus da verdade. Ele é a eterna antítese de muito do que sabemos, o oposto de tudo quanto está torto, pervertido, indigno, mesquinho, egoísta. Oh, o nosso problema é que não sabemos nada sobre Deus! Em todo o conteúdo do Velho Testamento Deus se revela um Deus santo, que tem ódio eterno ao pecado e a todo mal, e Ele está determinado a puni-lo.

Chegamos então aqui ao nó górdio de toda a questão. Sei que estou dizendo algo que não somente sofre oposição dos homens e das mulheres modernos, mas também é algo que eles abominam e ridicularizam; e, como temos visto, eles fazem isso em termos do amor de Deus. Vocês certamente estão familiarizados com a prática moderna de contrapor o Novo Testamento ao Velho Testamento. Dizem muitos: "Este Deus da ira, este Deus do juízo, este Deus de vocês, que odeia o pecado e que vai punir os pecadores, não é o Deus de Jesus. Esse é o Deus do Monte Sinai, o Deus do Velho Testamento". Essa idéia é muito popular na Igreja Cristã atual. Dizem-nos que não falemos em ira ou punição, porque Deus ama a todos.

De fato, muitos vão tão longe que chegam a dizer que um homem como eu, que se contenta em pregar a Palavra de Deus nos termos em que ela se nos apresenta, e que, portanto, fala sobre a ira de Deus contra todo pecado, impiedade e injustiça - que tal homem não é cristão. "O espírito cristão", dizem eles, é "um espírito de amor, e a idéia de que Deus pode punir este ou aquele, que Deus tem ira em Seu ser, é uma contradição de termos. E impossível haver ira e amor na mesma pessoa ao mesmo tempo." E assim eles jogam fora todo o Velho Testamento.

Ora, este é um assunto muito sério, e lhes faço esta pergunta: Vocês creem neste ensino moderno, ou creem no ensino do protomártir, Estêvão, que os leva de volta ao Velho Testamento? Vocês encontram satisfação num Deus que não tem justiça nem retidão, que não mostra nenhuma indignação contra o pecado, nenhuma ira sobre o mal, e que não é o Deus da Bíblia?

Mas permitam-me mostrar-lhes o completo erro e perigo deste ensino moderno. O nosso Senhor aceitou pessoalmente, em sua inteireza, o ensino do Velho Testamento. Constantemente o citava. Ele o tinha na ponta da língua, por assim dizer, e sempre citava a palavra própria para consubstanciar o que estava dizendo. Não somente isso, Ele dizia que veio cumprir o Velho Testamento. Disse Ele: "Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir... até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei" - e isso significa todos os mínimos detalhes do Velho Testamento - "sem que tudo seja cumprido" (Mateus 5:17,18).

Portanto, se você rejeita o Velho Testamento e seu ensino, está não meramente rejeitando o Velho Testamento, está rejeitando Jesus de Nazaré, Aquele que o povo em geral contrapõe ao Deus do Velho Testamento. Mas Ele cria no Deus do Velho Testamento. Ele O servia, e mostrou que este Deus era o Seu Deus e o Seu Pai. E, pois, coisa grave rejeitar o Velho Testamento.

Examinemos, então, mais pormenorizadamente, o ensino desse Velho Testamento no qual o nosso Senhor cria. A lei do Velho Testamento revela a santidade de Deus: "Santos sereis, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo" (Levítico 19:2). Leiam os Dez Mandamentos, a grande exposição do Deus eterno.

O mesmo ensino acha-se nos profetas. Essa era a sua grande mensagem aos filhos de Israel. Eles diziam: vós dizeis que credes em Deus, mas Deus, diz: "Este povo com os seus lábios me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim" (Isaías 29:13).

Os filhos de Israel diziam: "Nós somos o povo de Deus, nós cremos nEle" -mas viviam no pecado e no vício; faziam ídolos para si. Por isso os profetas vinham e os conclamavam ao arrependimento, por causa da natureza de Deus. Eles diziam: vocês não podem fazer isso. Deus vê tudo, ele tudo conhece, nada Lhe fica oculto. O Deus de vocês é um Deus da sua própria imaginação. O Deus do céu é um Deus santo, e Sua ira pesa sobre o pecado.

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