Homofobia no Brasil: retrato de uma sociedade intolerante .Dr. Ferreira Junior
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A homofobia ainda é um problema presente e constante em nossa sociedade.

Estatísticas compiladas pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) sugerem que o Brasil é o país com a maior quantidade de registros de crimes homofóbicos do mundo, seguido pelo México e pelos Estados Unidos. De acordo com o GGB, um homossexual é morto a cada 36 horas no país.

Segundo Luiz Mott, a homofobia é uma "epidemia nacional". Ele assevera que o Brasil "é o campeão mundial em assassinatos de homossexuais, sendo que a cada três dias um homossexual é barbaramente assassinado, vítima da homofobia." Para a advogada Margarida Pressburger,o Brasil ainda é "um país racista e homofóbico."

A discriminação homofóbica atinge não apenas os gays, mas também os héteros no Brasil. A homofobia está ligada ao modo como as pessoas percebem as diferenças entre homens e mulheres. Independentemente da orientação sexual, são as roupas, os trejeitos e os estereótipos de masculino e feminino que suscitam o preconceito.

Angelo Brandelli Costa, os pesquisadores compilaram uma série de artigos sobre homofobia no Brasil publicados entre 1973 e 2011. Os artigos foram selecionados em diversas bases de dados acadêmicas a partir de palavras-chave como "homofobia", "preconceito", "discriminação" e "Brasil".

pesquisadores puderam concluir que a homofobia - ou qualquer preconceito motivado pela fuga da heteronormatividade - é um fenômeno disseminado no país e se faz presente em vários contextos, como no ambiente escolar ou nas relações de trabalho.

Ainda de acordo com a pesquisa, a homofobia no Brasil tem forte vínculo com o sexismo (discriminação baseada no sexo ou gênero) e o preconceito contra o não conformismo às normas de gênero (mulheres que têm comportamento considerado masculinizado, por exemplo).

Isso significa que homossexuais que tenham características consideradas compatíveis com seu sexo anatômico tendem a sofrer menos preconceito do que mulheres masculinizadas ou homens com trejeitos femininos. Por esse motivo, os pesquisadores acreditam que, para que sejam eficazes, as ações contra a homofobia devem ter como alvo também o sexismo.

De acordo com os dados - coletados
LGBT -, 67,5% das vítimas eram homens e 85,5%, homossexuais.

Eles também são maioria na condição de suspeitos (52,5%), categoria cujos heterossexuais predominam (43,9%). As mulheres representam 26,4% das vítimas e 34,5% das agressoras.

Do total das vítimas, 69% eram jovens (de 15 a 29 anos). "
Ser homem implica na adoção de condutas geralmente violentas, dominadas pela lógica da virilidade e do machismo que é assimilada desde cedo.

A exigência social pede que os homens sejam heterossexuais. Quando violadas ou subvertidas, tais condutas e normas heteronormativas são motivo para todo tipo de violência.

O relatório também mostrou que 62% das vítimas conheciam seus agressores, sendo 38,2% familiares e 35,8% vizinhos. "O tipo mais comum de violência homofóbica se dá em círculos de intimidade.

É uma dinâmica que não pode ser vista em separado à questão da violência institucional. A lógica da violência partindo de pessoas próximas está inscrita em um contexto no qual muitas vezes instituições de trabalho, de estudo, de saúde, entre tantas outras, também constituem espaços de manifestação homofóbica", observa Marco Aurélio.

O destaque para os dados na mídia, acredita o professor da UFMG, espelha o panorama das discussões sobre sexualidade.

"A repercussão foi tímida, diante de um problema que se apresenta como grave, pela quantidade de casos reportados.

O relatório, cuja elaboração contou com a participação de pesquisadores e ativistas, conclui que a homofobia é um problema estrutural no país,

"operando de forma a desumanizar as expressões de sexualidade divergentes da heterossexual, atingindo a população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais em todos os níveis e podendo ser encontrada nos mais diversos espaços".

Afirma ainda que o fenômeno é mais sentido por jovens e negros/pardos, que devem ser prioridade das políticas de combate à violência homofóbica.

"A extensão e a gravidade do problema pedem que as formas de intervenção do Estado sejam mais efetivas. Não apenas com campanhas será possível lutar contra a homofobia. É preciso políticas na área da saúde, da educação, da assistência social, da segurança pública. Políticas que abarquem os diversos âmbitos que constituem uma sociedade cuja homofobia é um problema multifacetado", conclui Marco Aurélio Prado.

Um fato recente e amplamente divulgado pela mídia chama a atenção quanto ao fenômeno da homofobia, refletindo a banalização deste crime.

Em São Paulo, dois homens foram presos na terça-feira (03/12/2012) por tentativa de homicídio após terem espancado o estudante de Direito da Universidade de São Paulo (USP) André Baliera, de 27 anos.

Ele voltava a pé para casa pela Rua Henrique Schaumann, em Pinheiros, na zona oeste, quando foi agredido. Por volta das 19 horas, Baliera viu que alguém mexia com ele de dentro de um carro. Segundo a vítima, era o também estudante Bruno Portieri, de 25 anos, que o ofendia por sua opção sexual.

O universitário começou a discutir e Portieri saiu do carro. Baliera fez menção de pegar uma pedra para se defender. Foi quando o motorista do veículo - personal trainer Diego de Souza, de 29 anos - desceu e começou a agredi-lo.

Ele só parou de bater no universitário quando policiais militares chegaram para ver o que ocorria e detiveram ele e o amigo. Com escoriações na cabeça, dores no corpo e sem dormir, Baliera ainda estava confuso e transtornado na tarde da terça-feira (04). "Assumo que trocamos ofensas.

Mas a atitude deles era de como se bater em alguém fosse a coisa mais comum do mundo." Na noite de segunda (02), após a prisão, Portieri deu entrevista à TV Record e culpou a vítima pela agressão.

"Apanhou de besta porque, se tivesse seguido o caminho dele, não teria apanhado." Segundo sua irmã, Portieri é "do bem" e estava no lugar errado na hora errada. "Foi um momento de fúria, não foi por homofobia.

A despeito de todos os estudos quanto ao tema, as práticas de atos discriminatórios contra minorias, mesmo que de forma lúdica ou silenciosa, já se encontra arraigado em nossa cultura.

não poderemos construir uma sociedade justa, sem observarmos os princípios básicos de respeito às desigualdades de gênero, de cor e de opção sexual.

Por fim, é dever de todo cidadão zelar para que não se afaste do censo comum, a mensagem contida no artigo 5º da Constituição Federal:

“Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade