O acordo que os judeus selaram sob Neemias na presença de Deus, tendo um grupo de sacerdotes e levitas como seus representantes, que o assinaram, é melhor detalhado neste décimo capítulo, pelo qual, deliberações práticas foram tomadas para garantir o cumprimento das prescrições da Lei por todo o povo, e principalmente pelos seus líderes e nobres.
Todos se colocaram sob pena de anátema quanto ao cumprimento de todos os mandamentos de Deus constantes da Lei que lhes foi dada por intermédio de Moisés (v. 29), especialmente no que se referia àqueles aspectos aos quais eles eram mais dados a se desviarem, e dentre os quais foram destacados:
- Proibição de casamentos mistos de judeus com os povos estrangeiros (v. 30);
- Proibição de comercialização de mercadorias no dia de sábado (v. 31);
- Obrigação de ofertar anualmente a terça parte de um siclo para o serviço do templo (v. 32);
- Obrigação das casas paternas que haviam sido designadas por sortes para trazer de ano em ano, lenha para ser queimada no altar do holocausto (v.34);
- Obrigação de se trazer anualmente ao templo as primícias de toda a produção agrícola (v. 35);
- Obrigação de trazer os filhos primogênitos ao templo para serem resgatados com pagamento; e os primogênitos do rebanho para serem oferecidos (v. 36);
- Obrigação de trazer ao templo as ofertas alçadas e os dízimos para os levitas (v.37);
- Obrigação dos levitas de trazerem ao templo, o dízimo dos dízimos que receberam (v. 38);
- Obrigação de se trazer ofertas alçadas de cereais, de mosto e de azeite para o serviço do templo (v. 39).
O que a Igreja de Cristo deve aprender disto é que todos aqueles que agem contra o evangelho, por procurarem deturpá-lo, colocam-se debaixo do anátema, que foi proferido pelo apóstolo, não uma maldição para a sua perdição eterna, caso sejam autênticos cristãos, mas para receberem o justo juízo e correção da parte de Deus.
Paulo se colocou voluntariamente a si mesmo e até mesmo os anjos do céu sob tal pena de anátema, caso fosse além do genuíno evangelho de Cristo, e faríamos bem em fazer o mesmo que ele, para termos o devido temor ao andarmos na presença de Deus, pelo entendimento do quanto a Sua Palavra é digna de ser honrada e obedecida.
O salmista fez também uma aliança com Deus de que guardaria as Suas ordenanças (Sl 119.106), e estes pactos solenes relativos à guarda da Palavra nos estimulam a uma devida obediência por nos lembrar que estamos amarrados ao compromisso que fizemos de viver para Deus, quando recebemos a Jesus como nosso Salvador e Senhor.
Esta aliança para cumprir os mandamentos de Deus não é para o cumprimento de alguns dentre eles, mas de todos os mandamentos, sem uma única exceção, porque aos Seus olhos, a transgressão de um só mandamento representa a transgressão de todos eles (Tg 2.10), porque Deus busca corações retos e sinceros quanto ao dever de honrar, amar e obedecer toda a Sua Palavra, pois ainda que nos falte a capacidade de não pecar, porque permanecemos na carne, enquanto estivermos neste mundo, no entanto, isto não impede de caminharmos no Espírito, por ter uma verdadeira repugnância ao pecado, de tal modo que a experiência do apóstolo seja a nossa, a saber, que ainda que fosse levado a praticar o mal, por causa do pecado, que opera na natureza terrena, no entanto, não desejava este mal, e se opunha a ele com a sua mente, com a qual servia a Deus, e o amava sinceramente.
A par de toda a sinceridade dos judeus nos dias de Neemias, terem selado o acordo que fizeram com ele e uns com os outros na presença de Deus, de não mais transgredirem os Seus mandamentos dali em diante, não levou muito tempo para que muitos deles viessem a transgredi-los, conforme poderemos ver no décimo terceiro capitulo deste livro de Neemias, e também depois de seus dias, conforme consta no relato do livro do profeta Malaquias.
Eles não levaram em conta a realidade, que sem a fé em Deus, e no poder da Sua graça, não podemos de modo algum cumprir os Seus mandamentos.
Paulo deixou isto muito claro na exposição que fez no sétimo capitulo de Romanos, no qual mostra que é impossível vencer o pecado sem a graça do Espírito Santo, que opera sempre e somente por fé, e não pela capacidade da nossa vontade de não praticar o mal, e de fazer o bem.
Enganam-se todos os que pensam desta maneira, e as aflições, as tribulações, as investidas de Satanás e do mundo, quando vêm sobre eles, comprovam isto que estamos falando porque logo manifestarão qual é o poder do pecado que atua na natureza terrena e que é maior do que a própria vontade de qualquer pessoa.
Somente o poder da graça de Deus pode vencer a força do pecado.




“1 Os que selaram foram: Neemias, o governador, filho de Hacalias, Zedequias,
2 Seraías, Azarias, Jeremias,
3 Pasur, Amarias, Malquias,
4 Hatus, Sebanias, Maluque,
5 Harim, Meremote, Obadias,
6 Daniel, Ginetom, Baruque,
7 Mesulão, Abias, Miamim,
8 Maazias, Bilgai e Semaías; estes foram os sacerdotes.
9 E os levitas: Jesuá, filho de Azanias, Binuí, dos filhos de Henadade, Cadmiel,
10 e seus irmãos, Sebanias, Hodias, Quelita, Pelaías, Hanã,
11 Mica, Reobe, Hasabias,
12 Zacur, Serebias, Sebanias,
13 Hodias, Bani e Benínu.
14 Os chefes do povo: Parós, Paate-Moabe, Elão, Zatu, Bani,
15 Buni, Azgade, Bebai,
16 Adonias, Bigvai, Adim,
17 Ater, Ezequias, Azur,
18 Hodias, Asum, Bezai,
19 Harife, Anotote, Nobai,
20 Magpias, Mesulão, Hezir,
21 Mesezabel, Zadoque, Jadua,
22 Pelatias, Hanã, Anaías,
23 Oseias, Hananias, Ananías,
24 Haloés, Pilá, Sobeque,
25 Reum, Hasabna, Maaseias,
26 Aías, Hanã, Anã,
27 Maluque, Harim e Baaná.
28 E o resto do povo, os sacerdotes, os porteiros, os cantores, os netinins, e todos os que se tinham separado dos povos de outras terras para seguir a lei de Deus, suas mulheres, seus filhos e suas filhas, todos os que tinham conhecimento e entendimento,
29 aderiram a seus irmãos, os seus nobres, e convieram num juramento sob pena de maldição de que andariam na lei de Deus, a qual foi dada por intermédio de Moisés, servo de Deus, e de que guardariam e cumpririam todos os mandamentos do Senhor, nosso Deus, e os seus juízos e os seus estatutos;
30 de que não daríamos as nossas filhas aos povos da terra, nem tomaríamos as filhas deles para os nossos filhos;
31 de que, se os povos da terra trouxessem no dia de sábado qualquer mercadoria ou quaisquer cereais para venderem, nada lhes compraríamos no sábado, nem em dia santificado; e de que abriríamos mão do produto do sétimo ano e da cobrança nele de todas as dívidas.
32 Também sobre nós impusemos ordenanças, obrigando-nos a dar a cada ano a terça parte dum siclo para o serviço da casa do nosso Deus;
33 para os pães da proposição, para a contínua oferta de cereais, para o contínuo holocausto dos sábados e das luas novas, para as festas fixas, para as coisas sagradas, para as ofertas pelo pecado a fim de fazer expiação por Israel, e para toda a obra da casa do nosso Deus.
34 E nós, os sacerdotes, os levitas e o povo lançamos sortes acerca da oferta da lenha que havíamos de trazer à casa do nosso Deus, segundo as nossas casas paternas, a tempos determinados, de ano em ano, para se queimar sobre o altar do Senhor nosso Deus, como está escrito na lei.
35 Também nos obrigamos a trazer de ano em ano à casa do Senhor as primícias de todos os frutos de todas as árvores;
36 e a trazer os primogênitos dos nossos filhos, e os do nosso gado, como está escrito na lei, e os primogênitos das nossas manadas e dos nossos rebanhos à casa do nosso Deus, aos sacerdotes que ministram na casa do nosso Deus;
37 e as primícias da nossa massa, e as nossas ofertas alçadas, e o fruto de toda sorte de árvores, para as câmaras da casa de nosso Deus; e os dízimos da nossa terra aos levitas; pois eles, os levitas, recebem os dízimos em todas as cidades por onde temos lavoura.
38 E o sacerdote, filho de Arão, deve estar com os levitas quando estes receberem os dízimos; e os levitas devem trazer o dízimo dos dízimos à casa do nosso Deus, para as câmaras, dentro da tesouraria.
39 Pois os filhos de Israel e os filhos de Levi devem trazer ofertas alçadas dos cereais, do mosto e do azeite para aquelas câmaras, em que estão os utensílios do santuário, como também os sacerdotes que ministram, e os porteiros, e os cantores; e assim não negligenciarmos a casa do nosso Deus.” (Ne 10.1-39).