Uma das atitudes essenciais, uma das motivações essenciais, uma das realidades espirituais essenciais à vida da igreja pela qual sua vida flui é a gratidão.
Estamos enfocando a fé, a obediência, o amor, a humildade, a unidade, o perdão e a gratidão, como os sistemas internos do corpo de Cristo, pelo qual flui a Sua vida.
Mas nós queremos falar sobre esta atitude espiritual de gratidão.
Temos muito que aprender sobre isto com a história dos dez leprosos relatada em Lc 17.11-19. Quando Jesus, tendo curado os dez, apenas um deles, que era um samaritano, voltou dando glória a Deus em alta voz, tendo se prostrado as pés de Jesus agradecendo-lhe. Eles foram curados por terem obedecido à ordem de Jesus de irem se mostrarem aos sacerdotes no templo, pois a cura ocorreu enquanto estavam a caminho.
A lei ordenava que os leprosos que criam que tinham sido curados da sua enfermidade, deveriam se apresentar ao sacerdote no templo para uma cerimônia de purificação, para que ficasse assegurado de que de fato era o caso, de maneira que o leproso pudesse ser reintegrado no convívio social.
Deus espera que sejamos gratos em nossos corações e que manifestemos externamente esta gratidão em louvor ao Seu nome, por sermos alvo dos Seus atos de justiça, de amor, de bondade, de misericórdia. Enfim, da operação da Sua graça em relação a nós. Isto se depreende no texto, pelo fato de Jesus ter enfatizado o gesto de gratidão daquele samaritano, contrastando-o com os nove judeus que haviam sido também curados, e que não haviam manifestado a mesma gratidão.
A atitude do samaritano, além da cura, trouxe-lhe a salvação (Lc 17.19). Dez foram curados, mas apenas um foi salvo.
Isto foi uma história maravilhosa para um, e uma tragédia para nove. Ilustra quão feia é a ingratidão.
Em Rm 1.21 está declarada a ingratidão dos homens para com Deus. Pois não glorificam e nem dão graças a Deus, apesar de terem conhecimento de que Ele existe, não lhe honram como Criador, antes, entregam-se à prática de toda sorte de pecados.
Ingratidão é o que caracteriza os homens caídos, mas não deveria caracterizar o povo de Deus. Nós podemos entender que nove leprosos que não conheceram Deus pudessem ser ingratos. Nós podemos entender um mundo de pessoas ingratas. Eu não posso entender um crente ingrato quando sabemos tudo o que Deus tem feito por nós. Nem Deus pode entender um crente ingrato. Leiamos I Tes 5.18: “Em tudo daí graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.”. Obviamente esta é a vontade de Deus para você em Cristo Jesus. Em tudo dê graças, porque Deus deseja isto. Esta ordenança de em tudo dar graças do versículo 18, faz parte das duas ordenanças anteriores de regozijar-se sempre (v 16) e orar sem cessar (v 17). Os três resumem o que Deus deseja para os crentes em Cristo Jesus.
Devemos ser gratos a Deus em todas as situações e circunstâncias, em tudo mesmo, exceto no que se refere ao pecado pessoal.
Dentre os adjetivos que caracterizam os homens nos últimos dias, Paulo inclui a ingratidão (II Tim 3.1). E no verso 13 ele afirma que os homens perversos e impostores irão de mal a pior. Isto significa que a humanidade não melhorará com o passar dos anos. Ao contrário, os homens serão cada vez mais ingratos a Deus, mais egoístas, avarentos, arrogantes, desobedientes aos pais e tudo o mais que ele relaciona no início do capitulo 3 de II Tim.
Assim, até à vinda de Cristo, os homens se tornarão piores, eles serão mais ingratos do que foram dantes. O crente deve vigiar para não seguir esta tendência do mundo, porque a vontade de Deus para sua vida está claramente revelada na Bíblia.
Assim nós não ficamos surpresos ao ver que as pessoas não salvas passem pela vida reclamando, amarguradas, iradas, ingratas, sem qualquer gratidão. O irregenerado dos nossos dias, em nossa cultura, vê a vida como um caminho de manipulação e de sorte. Ele manipula tanto quanto pode e espera que a sorte venha ajudá-lo. Ou ele pode ver a vida fatalisticamente como alguma força inevitável que ele tem que aceitar relutantemente, ou lutar contra ela para que possa se gabar em dizer que venceu por seu próprio esforço. A maioria vê a vida como um resultado do seu grande esforço, da sua habilidade surpreendente. E assim, agradecem a si mesmos pelo que eles são. Não há espaço para ser grato a Deus ou a qualquer outra pessoa.
Mas para nós crentes, sabemos que Deus está trabalhando. E sabemos que Deus está desdobrando uma ordem do dia divina, um plano divino, um propósito divino. Cada componente determinado por Ele para nosso benefício e nosso bem e para a Sua glória. Ele está nos conduzindo a um alvo soberano que Ele projetou, conforme se declara em Rm 8.28.
Em I Pe 4.12 lemos que não devemos estranhar as provas de fogo a que somos submetidos, porque não é estranho passar por uma prova de fogo, não é estranho passar por um teste quando Deus sabe qual é o resultado final disto.
Assim, tudo o que entra em nossa vida, com exceção do pecado, deveria ser tratado com alegria e com gratidão, ainda que a disciplina e a provação não sejam motivo de alegria no momento em que acontecem, e de o nosso contristamento e angústia serem reais na hora da prova, mas podemos antecipar a alegria que teremos depois de termos a confirmação da provação da nossa fé (Tg 1.2-4), com a manifestação da nossa gratidão a Deus, ainda que em meio da prova. Por isso se diz que devemos ter por motivo de toda a alegria o passarmos por várias provações.
Mas, mesmo como crentes, pecamos freqüentemente com nossa ingratidão. Não é só a falta de alegria que é um pecado, é a falta de gratidão. Nós deveríamos estar agradecendo a Deus por todas as bênçãos, toda bênção pequena, toda bondade pequena, toda bondade grande, toda pequena coisa que Deus provê para nós. E eu penso que é por isso que em 1 Tim 4 o apóstolo Paulo disse que você pode comer qualquer coisa contanto que você receba isto com ação de graças.
Às vezes quando eu inclino minha cabeça para agradecer a Deus minhas refeições, alguém me diz: "Você não acha que isso é um pouco legalista?". E minha resposta para isso é: "Não, não é legalista, apenas me lembra de quem procedem todas as coisas.". E eu preciso demonstrar a minha gratidão à bondade que Deus tem me concedido.
A Igreja Primitiva fez da ação de graças uma parte do seu culto de adoração. Lemos em I Cor 14.16,17: “E se tu bendisseres apenas em espírito, como dirá o indouto o amém depois da tua ação de graças? Visto que não entende o que dizes; porque tu de fato dás bem as graças, mas o outro não é edificado.”. Paulo está falando sobre abençoar; no verso 16 ele diz: "Se você só abençoa no espírito como vai o indouto dizer o amém depois de tua ação de graças?”
Ele está falando aqui sobre falar em línguas, ou em alguma expressão espiritual de idioma que seria o que nós chamamos o dom de línguas. Se você está orando com o espírito com um idioma que não pode ser entendido, se você está cantando com o espírito com pessoas que não sabem o que você está cantando, se você está abençoando com o espírito e eles não podem entender o que você está dizendo... como eles podem dizer amém ao seu obrigado?
Mas a coisa que eu quero mostrar aqui é que a ação de graças deve ter sido uma parte comum da adoração quando os crentes coríntios se reuniam para o culto público. Eles estavam cantando, eles estavam orando e eles estavam dizendo obrigado.
Você está dando graças muito bem mas quando você faz isto de certo modo que as pessoas não podem entender, a outra pessoa não é edificada. Assim parte da celebração daquela igreja envolveu um tempo para dar graças.
Eu tento fazer isso na oração que eu faço. Nós tentamos fazer isso nos hinos que nós cantamos mas nós queremos que você faça isso de coração. Seria impossível, como você pode imaginar, em uma igreja grande como a nossa, todo mundo se levantar e dizer obrigado, mas aquela atitude de obrigado deveria estar se levantando dentro de você. E com que freqüência este tipo de atitude está sumindo no descontentamento desta geração quando nós temos tanto, mas não o bastante para ser gratos. Seria mais fácil se fôssemos privados de quase tudo e ficaríamos cheios de alegria e gratidão pelo menor bocado de pão.
Em II Co 4.15, lemos: “Porque todas as cousas existem por amor de vós, para que a graça, multiplicando-se, torne abundantes as ações de graça, por meio de muitos, para glória de Deus.”.
Paulo está definindo aqui o seu ministério e qual o seu propósito. E ele diz que tudo existia por amor deles. Por causa deles. Ele não fez o que fez para ele ou por causa dele. Ele não o fez porque gostava da perseguição, do sofrimento e da dor. Ele suportou dores e sofrimentos por causa deles, de maneira que as graças que isto estava ocasionando, na gratidão de muitos, redundasse em glória para Deus.
Os crentes de hoje, ficam deprimidos, desapontados, e exageram seus sofrimentos por qualquer pequena coisa que não dê certo em suas vidas, e isso é um pecado realmente asqueroso. Seu coração deveria estar se inundando com gratidão, que deveria redundar, como diz Paulo, para a glória de Deus. Você está sofrendo, mas as pessoas estão sendo salvas debaixo do seu ministério. E toda vez que alguém se converte é mais um que está sendo acrescentado ao coro de aleluias.
Este deveria ser o padrão normal para os crentes, isto é, serem gratos a Deus e manifestarem isto com ações de graças.
Isto não tem nada a ver com o fato de se gostamos ou não das circunstâncias em que nos encontramos. Devemos ser agradecidos em toda e qualquer situação. Ficamos entristecidos quando vemos pessoas descontentes, insatisfeitas, infelizes, que não gostam das circunstâncias em que estão vivendo, e se esforçam continuamente para mudá-las, sempre insatisfeitos, ainda que as mudem, em vez de se submeterem com gratidão em seus corações pela grande graça de Deus.
Em II Cor 8 e 9 Paulo lembra que Deus é infinitamente rico e que Ele distribui a Sua riqueza àqueles que dão. Em II Cor 9.11 lemos: “enriquecendo-vos em tudo para toda a generosidade, a qual faz que por nosso intermédio sejam tributadas graças a Deus.”.
Em outras palavras, quando você dá e você traz seu dinheiro e você dá isto a Deus e você dá seus recursos e você dá tudo o que você é e tem a Ele, diz que você será enriquecido. Em outras palavras, você não pode ficar fora da doação de Deus. Lembre-se: “Dai e ser-vos-á dado”. Semeie com fartura e colherá com abundância. (9.6). E no verso 8 lemos: “Deus pode fazer-vos abundar em toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra.”. O princípio inteiro está mencionado aqui. Quando você dá Deus lhe dá de volta. Quando você está investindo, Ele acrescenta um dividendo ao seu investimento. Você está semeando e Ele traz a colheita. Você está pondo algo na xícara e Ele a enche até transbordar. Você está investindo com Deus e Ele faz seu investimento prosperar. Por que? A resposta está no verso 11: você está sendo enriquecido em tudo para toda a generosidade, que faz com que sejam tributadas graças a Deus.
Há um reconhecimento que a sua generosidade foi feita pelo mover de Deus, e isto redunda em graças e glória para Ele. E Deus deseja ser agradecido. E quando Ele acusa toda a raça humana caída em Rom 1.21 Ele diz que eles não são gratos... eles não me reconhecem como a fonte de tudo. Deus é merecedor de ser agradecido. E essa é uma das razões porque Ele o salvou, para somar o aleluia ao coro dos que Lhe são gratos, e já que você vai estar sempre Lhe agradecendo por isto, por toda a eternidade, você deveria começar agora. E essa é a razão pela qual quando você dá Ele lhe devolve com dividendos, porque Ele quer ouvir seu obrigado.
E no verso 12 lemos: “Porque o serviço desta assistência não só supre a necessidade dos santos, mas também redunda em muitas graças a Deus.”. Observe que isto era um ministério. Era um serviço que estava suprindo a necessidade dos santos pobres de Jerusalém. Estes não eram menos generosos do que os crentes gentios. Mas, por meio da sua pobreza, a prova do amor e generosidade dos gentios estava sendo colocada à prova, de forma que os crentes da circuncisão pudessem dar graças a Deus em face da generosidade deles, e estes, também por seu turno, dariam graças a Deus pelo aumento da sua sementeira e pela multiplicação dos frutos da justiça deles (9.10).
Agora repare que isto tem um campo de aplicação muito amplo. Você dá generosamente, Deus devolve e você diz obrigado. A igreja dá seu dinheiro, traduz isto em ministério para outras pessoas e eles dizem obrigado. As ações de graças são multiplicadas e Deus é com isso glorificado.
Em Ef 5.4 há uma ordenança para que o crente não use de conversação torpe, palavras vãs ou chocarrices, mas sim de ações de graça. Em outras palavras: quando você abrir sua boca, dê graças... diga obrigado.
Eu estava na casa do Pastor Constantine em Kiev, na Bielorussia e ele tinha estado na prisão por muitos anos e era um homem santo piedoso, pastor por muitos, muitos anos. Eu preguei na igreja dele muitas vezes, muitas horas. Eu ensinei o Novo Testamento inteiro lá. Eles me convidaram para seis dias. Eu disse: "O que vocês querem que eu fale?". Eles disseram: "Que você ensine todo o Novo Testamento.". Em seis dias para 125 pastores jovens, em Minsk, da Bielorussia. Eu disse: "Isso é muito difícil para se fazer em apenas seis dias, especialmente com tradutores". E assim eu lhes ensinei o Novo Testamento durante seis dias.
Este homem santo de Deus sofreu tremenda perseguição e encarceramento e prisão e todos os tipos de coisas terríveis. E ele me levou à sua casa para um jantar. E assim nos sentamos à mesa e comemos aquela refeição adorável e nós falamos sobre as coisas de Cristo pelo intérprete, e perguntei-lhe: "Você sabe, Constantine... eu disse... você sofreu e você passou por tudo isso e você passou pelo regime comunista, e que tipo de coisas você sofreu? E o que nós precisamos saber sobre aquele tempo? O que precisam os cristãos saberem sobre aquele tempo?".
E ele olhou para mim e disse, “Oh nada...” ele disse “... nada, ... eu somente agradecerei a Deus por tudo, eu não falarei de tais coisas.”. Ele não falaria deles. Ele apenas agradeceria a Deus, seria apenas isto o que ele falaria. Isso é uma coisa maravilhosa quando você abre sua boca e tudo o que sai é obrigado.
Esta foi também a atitude do rei Davi quando orou a Deus por socorro quando estava na caverna de Adulão. Ele conclui no verso 7: “Tira a minha alma do cárcere, para que eu te dê graças ao teu nome: os justos me rodearão, quando me fizeres esse bem.”. O louvor de Davi atrairia os justos. Assim como o louvor de Paulo e Silas em Filipos, depois de terem sido açoitados, atraíram o carcereiro à salvação.
Lembremos que quando Deus nos retirar da caverna, uma vez cessado o perigo, ou por termos recebido forças para enfrentá-lo, devemos vigiar para não sairmos nos lamentando da experiência que passamos, ao contrário, o Senhor quer que o louvemos pelo Seu poderoso livramento, porque os que cantam são os que seguem adiante. Fora com todo o pessimismo e nuvens de tristeza que venham sobre nós, depois que formos libertados por Deus. Que se encontrem somente palavras de louvor e de gratidão em nossos lábios, e outros se juntarão a nós, para receberem da mesma alegria e unção. Davi, Paulo, o Pr Constantine, e todos os servos de Deus que conhecem a Sua vontade quanto a isto, agiam assim, e nós devemos agir também.
I Tes 5.18 diz que em tudo devemos dar graças. E Ef 5.18 diz como isto é possível: estando cheios do Espírito. Um crente que está cheio do Espírito Santo tem como uma das características deste enchimento a atitude de dar graças a Deus em seu coração.
Agora ação de graças é o padrão normal e nós deveríamos estar participando do coro de aleluia agradecendo ao Senhor pela Sua misericórdia em nos salvar. Nós deveríamos ser gratos a Ele por todas as Suas bênçãos. Ele nos colocou de uma maneira que nós podemos dar e estender esses dons à vida de outros, e causar com isso mais graças. Obrigado deveria sair de nossas bocas toda vez que as abríssemos. Nós deveríamos ser gratos em tudo, constantemente, incessantemente, porque o Espírito está controlando nossas vidas. Quando você não é grato, o Espírito não está no comando da sua vida.
Você diz: "Bem, você pretende ser até mesmo grato nas dificuldades?". Claro, porque essas são as coisas que cooperam juntamente para o nosso bem, essas são as coisas que estão nos aperfeiçoando. Depois que você sofrer por um tempo, se necessário (I Pe 1.6), Deus lhe aperfeiçoará (I Pe 5.10). Como já lemos em Tg 1.2, devemos ter por motivo de toda a alegria o passarmos por várias provações, porque são as tribulações que produzem a perseverança, experiência e esperança.
Em Fp 4.6 lemos: “Não andeis ansiosos de cousa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas diante de Deus as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graça.”.
Em outras palavras, até mesmo quando você está expondo seus pedidos, até mesmo quando você está orando e apresentando suas súplicas diante de Deus, você deveria estar numa atitude de total obrigado.
Col 2.7 diz: “nele radicados e edificados e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graça.”.
Isto é uma coisa essencial. Você deveria estar transbordando com gratidão. Você sabe, Thomas Hardy estava certo. Ele disse que há algumas pessoas que podem achar a pilha de estrume em qualquer prado. Isso significa que não importa qual seja o assunto, eles sempre serão negativos. Por que? Você não tem nenhum motivo para ser grato? Você deveria estar transbordando com gratidão todo o tempo. Isto deveria ser para todos nós um modo absolutamente constante de vida.
Em Col 3.15 lemos que devemos deixar a paz de Cristo ser a regra do nosso coração, e que devemos ser agradecidos. E os versos 16 e 17 que o seguem, reafirmam, respectivamente, que devemos ter gratidão em nossos corações, e que devemos fazer tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.
Agora, quando Paulo escreveu isso, ele estava preso em Roma.
E em Col 4.2 ele diz: “Perseverai na oração, vigiando com ações de graça.”.
O apóstolo Paulo sempre era grato. Mesmo em relação à igreja carnal de Corinto ele diz: “Sempre dou graças a meu Deus a vosso respeito, a propósito da sua graça, que vos foi dada em Cristo Jesus;”. Ele não louvava o comportamento desordenado deles, mas era grato a Deus pela vida deles, por serem eleitos de Deus. Por terem sido salvos através do seu ministério. Assim, os coríntios, mesmo quebrando e entristecendo o coração de Paulo, eram alvo de sua gratidão a Deus.
Jesus nos deixou o exemplo, sendo grato a tudo ao Pai. Suas orações estão repletas de ações de graças ao Pai. E Ele sabia as coisas terríveis que lhe estavam reservadas e como teria que as sofrer. Em meio a toda a humilhação que sofreu Ele era grato ao Pai, e deixou o exemplo a ser seguido por nós.
Talvez, uma coisa que possa estar impedindo a sua gratidão, seja a dúvida sobre o poder soberano de Deus. Se você não está seguro que Ele sabe tudo, e que de fato está interessado em você e que quer assumir de fato o controle da Sua vida. Se você não está seguro que Ele realmente lhe ama como o próprio corpo dele, se você não está seguro que Ele está tentando aperfeiçoá-lo à imagem do Seu Filho, se você não entende seu Deus e os seus propósitos, então você não pode ser grato... ou, eu poderia somar, se você os entende mas você tende a esquecer-se disso.
Obviamente, o maior motivo para ingratidão são pecados não confessados que interrompem a comunhão com Deus. Ou consertos com Deus que devem ser feitos, pela reparação de danos feitos contra outros, ou descumprimento de votos e obrigações para com Deus, como a fidelidade nos dízimos e ofertas, por exemplo. Algo que esteja golpeando a sua consciência, e que por isso pode interromper a sua comunhão com Deus, é um dos impedimentos para que você seja grato, pois, como vimos, a atitude interna de gratidão é produzida pelo Espírito Santo, e não podemos ter isto se não temos comunhão com Ele.
Uma outra causa que pode impedir a gratidão é o egoísmo. Isto é, aquela atitude que diz: "Não importa o que eu possa ter, eu não tenho mesmo o que eu realmente desejo, e eu não tenho o suficiente. Eu desejaria mais e minha vontade é mais importante que a vontade de Deus. Eu não sei o que Deus tem para mim, mas eu sei o que eu quero para mim, e Deus deveria me dar.".
Isto realmente destruirá a gratidão. "Eu quero minhas circunstâncias diferentes. Eu quero meus filhos diferentes. Eu quero minha vida diferente. Eu quero meu ministério diferente. Eu quero meu cônjuge diferente. Eu quero meu trabalho diferente. Eu quero muitas coisas diferentes. Eu quero mais disto e menos disso.". Se isso é o que lhe dirige e você fixou sua própria ordem do dia, então você vai ter dificuldade. Por outro lado, se você diz que: “eu somente quero o que Deus quer e eu creio que Deus me dará o que Ele quer que eu tenha”, então você pode ser grato, correto?
O mundanismo é também um outra causa para a falta de gratidão. E é difícil ficar fora disso nesta cultura em que vivemos. Se você está nos prazeres e as pessoas e os lugares e as posses e a popularidade e o prestígio, e você deseja apenas todos os bens materiais que o mundo diz que fazem as pessoas ficarem satisfeitas e felizes, você vai ter dificuldade para ser grato porque você nunca vai ter tudo isso e quando você adquire parte disto, você não o terá tanto quanto gostaria.
Um espírito crítico é também um outro impedimento para a gratidão. Se você está amargo ou negativo, se você tem um tipo de atitude azeda para a vida. E você sabe como se adquire isso? Você adquire isso tendo expectativas irreais do que você merece. Você adquire isso porque você pensa que deveria controlar tudo e há algumas coisas que não pode controlar e isso lhe aborrece. E você adquire isso... e, você sabe, esta é a parte triste, e então você alimenta isto como um monstro até que fica tão grande quanto um dinossauro e toda vez que você fala, na maioria do tempo, o dinossauro ruge porque você cultivou isto. Não se permita ser crítico por dois dias seguidos, ou duas horas seguidas. Não se ponha o sol sobre a sua ira. Não construa esse tipo de hábito. Se não for controlado, esmagará em pouco tempo um coração grato em pedaços. Esta atitude corroerá seu amor, corroerá sua alegria, corroerá sua paz, corroerá sua espiritualidade... um espírito crítico que sempre critica, vê o que está errado com todo o mundo, o que é negativo, o que não é o caminho que você quer, o que não está sob o seu controle. Sempre olhando para o lado negativo das coisas é uma coisa terrível, terrível coisa para se fazer. E quando você cultiva esse hábito, você cria então um monstro que deverá matar.
Um outro obstáculo para a gratidão é a impaciência. Deus não está se movendo rápido o bastante. Não é tanto que eles querem isto, mas eles querem isto agora. Eles têm o seu próprio horário. E a percepção é que Deus não está no horário deles... eles têm isto no seu livro de compromissos e Ele não está mantendo os compromissos. Eles querem que Deus trabalhe para eles quando quiserem que Ele trabalhe... impaciência. Você precisa aprender a ser um pouco paciente. Deixe Deus desdobrar os Seus propósitos no tempo dele e seja grato que Ele sabe cronometrar melhor que você.
A frieza é um outro impedimento para a gratidão. E o que eu quero dizer é falta de zelo para com Deus, falta de diligência na Bíblia, falta de fervor na oração, falta de interesse na adoração, negligencia da Bíblia, enquanto desperdiça seu tempo em trivialidades, letargia espiritual, indiferença espiritual... isso produz uma frieza que só serve para matar a gratidão. Quando você gasta seu tempo na Palavra e você gasta seu tempo em oração, em adoração, em serviço para o Rei e o Reino, isto excita a gratidão.
E um último ponto seria a rebelião. E este é o mais forte... a atitude mais forte, eu penso, isso luta contra gratidão, e isto é quando você está em um estado de raiva deliberada para com Deus porque as coisas não seguiram o rumo que você desejava para elas e isto se transformou num estado de rebelião deliberada. Você está bravo com Deus.
Eu recebi um E-mail de uma senhora relatando que o seu marido havia decidido deixar a nossa igreja para fazer parte de uma igreja pequena, mas que nesta nova igreja ele se tornou amargo com Deus e que já fazem quatorze anos que ele nunca mais entrou numa igreja. Mas ela tem orado por ele e nos pediu que orássemos também.
Bem. Quatorze anos de rebelião contra Deus? Você gostaria de viver com uma pessoa ingrata em um estado constante de rebelião?
Agora, tudo o que já foi comentado... dúvida, egoísmo, mundanismo, egoísmo, espírito crítico, impaciência, frieza, rebelião... tudo isso é pecado. Aquele homem deveria ter dito, "O que Deus estava me dizendo? O que Ele estava tentando me mostrar? O que eu poderia ter aprendido e como eu posso louvá-lo e agradecer-Lhe?". E a razão para ter ficado naquela condição durante quatorze anos é a razão pela qual ele ficará lá, porque ele adquiriu uma tal atitude amarga para com Deus e até que ele trate com esse pecado, não poderá ser usado. Todos esses tipos de ingratidão, destroem a igreja. Você quer ter uma igreja cheia de alegria e de bênçãos, de felicidade e paz, onde as pessoas se amam mutuamente, e a igreja cresce e floresce, então tenha uma igreja cheia de pessoas gratas. E se você quiser realmente estragar uma festa, apenas traga alguém que seja negativo e ingrato. Jogue fora todos esses obstáculos. Não os deixe serem cultivados em sua vida.
Encerraremos o nosso estudo com o texto de Fp 2.13,14. O verso 13 diz que é Deus quem efetua em nós tanto o querer como o realizar segundo a sua boa vontade. Isto significa que tudo que Ele faz é perfeito e bom. Que o seu cuidado providencial em relação a nós é infalível. Que o desenvolvimento da salvação que Ele nos deu em Cristo é algo que Ele realizará até que sejamos conduzidos à glória eterna. Assim sendo, o resultado de tudo isto é que podemos fazer todas coisas sem murmurações, nem contendas, conforme se diz no verso 14. Deixemos a murmuração e a contenda de uma vez por todas, para trás, e avancemos com gratidão em nossos corações. Quer em meio às circunstâncias agradáveis ou desagradáveis, sabendo que tudo coopera para o bem dos que amam a Deus.
Tradução e adaptação feitas pelo Pr Silvio Dutra, do orginal em inglês, em domínio público, de autoria do Pr John Macarthur Jr


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A Igreja tem testemunhado a redenção de Cristo juntamente com o Espírito Santo nestes 2.000 anos de Cristianismo.
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