ENSAIO SOBRE A FELICIDADE

08 de Fevereiro de 2012 Stela Artigos 1172

Nunca gostei do jogo do contente! Para quem não sabe, jogo do contente é aquilo que se faz quando coisas ruins, mesmo terríveis acontecem. É aquele otimismo sem razão e sem medida, o olhar a desgraça alheia e se conformar e confortar a si pelo fato de que “poderia ser pior”.
Minha mãe me ensinou a sempre me comparar com o melhor, com a pessoa mais inteligente, com a mais bem sucedida e assim por diante, no entanto, a vida me ensinou que só devemos nos comparar com o melhor de nós mesmos, afinal as pessoas são feitas dos mesmos ingredientes, o que muda é a dosagem e é isso que nos torna únicos, nem melhores, nem piores, apenas especiais.
Então, quando alguma coisa ruim acontece, acredito que existem maneiras infinitas e inimagináveis de se enxergar e se posicionar diante do inevitável, contudo, são três as formas mais usuais, a primeira é ver nossos problemas como os maiores do mundo, ficarmos sentindo pena de nós mesmos, outra forma é a revolta, afinal, porque eu? Ignorar o sofrimento alheio maior ou pior, afinal de contas, sofrimento não se mede e eu não me comparo com os outros. E a terceira forma é jogar o jogo do contente, pensar que nada está tão ruim que não poderia ser pior e que se é feliz apesar de tudo, mentir para si mesmo e sequer conseguir acreditar em tal mentira.
Depois de muito pensar, quebrar a cabeça e fritar o cérebro, passar por essas três fases em cada problema, cheguei à conclusão de que as coisas têm a importância que damos a elas e que se eu sou responsável pela minha felicidade ou não, cabe a mim e a mais ninguém, decidir como vou encarar as desgraças que me acontecem. Sim, desgraças, palavra pesada, mas já que cada um de nós tem uma escala de prioridades diferentes, o que é uma desgraça para um, pode ser apenas um contratempo para outro, questão de prioridade.
Partindo dessa premissa, comecei a pensar onde cada uma das minhas atitudes e modos de enxergar as coisas iria me levar. Sentir pena de mim mesma, causa aos outros nada mais que piedade, traz infelicidade, isso porque eu não suporto a ideia de ser vista como “coitadinha”. Então parei de sentir dó de mim mesma.
Depois, a questão da revolta, até porque tem que ser, no meu caso, muito Mulher, com “M” maiúsculo, para admitir que se está revoltada, porque de um modo geral, revoltado nunca admite que é revoltado, claro, não é uma regra, mesmo que fosse, regras possuem exceções. A revolta afasta as pessoas, ninguém quer ficar perto de alguém amargurado que dá chute no cachorro, empurra a velhinha e xinga até a sombra, logo, revolta leva à solidão e amargura que começa com um simples mal humor crônico, aquela mania (feia) de reclamar.
Terceiro ponto, jogar o jogo do contente, o que eu já disse que detesto fazer. Fingir que tudo está bem, que o mundo é cheio de arco-íris e unicórnios bonitinhos, que do céu caem flores perfumadas e que todos os dias faz sol e temperatura agradável.
Mas, a vida não é assim, é dura, difícil, existem pessoas terríveis que se dão bem em tudo que fazem, coisas assombrosas acontecem com pessoas boas, há muita solidão, tristeza e maldade. Por outro lado, existe alegria, amor, prazer, amizade. Tudo depende do ângulo em que olhamos e da consciência de que a felicidade é uma opção, pois só nós mesmos quem somos responsáveis pela nossa felicidade, a vida é vibração, vibre na freqüência daquilo que você quer receber de volta, parafraseando Marta Medeiros, “a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional”.
Eu não sei você, mas eu optei por ser feliz.

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