Falam tanto que em 2012 o mundo vai acabar. Pelo menos, por enquanto, o ano segue. E se seguir, em outubro tem eleições municipais. Milhares de postulantes aos cargos de prefeito e vereador. Mas vou me ater somente ao primeiro. Prefeito. O chefe do executivo municipal. Milhares de pessoas dispostas a assumir um baita abacaxi. Hoje, o político mais pressionado, mais cobrado e execrado é o prefeito. Os principais problemas do país, como saúde, educação e segurança pública, se agravam nos municípios pequenos. Sem falar nos buracos nas ruas, que é o que mais tira o voto deles. Mas mesmo assim, muitos assumem a bronca. Enfrentam o sufrágio. No Brasil, se elegerão ou se reelegerão mais de 5600 prefeitos. No Paraná, quase 400. E olha que no Paraná, estado que figura entre os mais ricos na federação, existem muitos municípios cujo IDH serve de desestímulo para qualquer candidato.

Com a ainda recente Lei da Responsabilidade Fiscal (LRF), que define quanto cada prefeitura deve gastar em determinada área e estabelece mecanismos para maior controle dos gastos públicos, os prefeitos ganharam um novo pesadelo. O Tribunal de Contas do Estado atormenta os contadores, que precisam estar em dia com as contas, discriminando cada centavo. Por sinal, muitos prefeitos honestos perdem o mandato por conta de barbeiragem de seus secretários administrativos e contadores, muitas vezes tecnicamente desqualificados.

Mas também não podemos esquecer dos corruptos, daqueles metidos a espertinhos, que se ferram por causa de práticas perdulárias, esbanjando dinheiro onde não devem; alguns até na zona. Só pra se ter uma ideia, quando uma cidade promove aqueles megaencontros de prefeitos, as atendentes dos prostíbulos se sobrecarregam ao ponto de colocarem na porta “lotado”. Acaba tendo muita demanda pra pouca oferta (é o que se ouve por aí). E imaginem como era antes da LRF, que foi sancionada no ano de 2000. Antes a corrupção era mais intensa e escrota ainda. Acreditem.

Pois é. Sabemos que é preciso maior atenção das instituições que fiscalizam. Pois as prefeituras existem para administrar e promover o isonomia de direitos e a qualidade de vida de seus munícipes. Também existem prefeitos que não gastam dinheiro em zona. Jogar todos numa vala comum é um equívoco. Há os que saem com importantes projetos para seus municípios debaixo do braço e vão atrás de recursos no governo do estado ou até mesmo em Brasília. Alguns prefeitos realmente lutam para ser um líder de verdade. Por isso, não adianta ficar praguejando e alimentando o escárnio contra o cenário político tão desgastado de nosso país. Ao tempo que os corruptos ainda reinam, pessoas com ideais e boas intenções estão no páreo também.

O Estado é republicano e o cidadão tem seus direitos e deveres. Todos somos um e obras e melhorias sociais não acontecem num passo de mágica. É preciso empenho político e sinergia popular. É assim que funciona.