“O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do filho do seu amor”(Colossenses 1:13)

Há um sistema operacional no nosso planeta, um poder espiritual que atua nos filhos da desobediência. Comumente chamado mundo, porém em certo aspecto, esse mundo, nunca deve ser entendido como se fosse o planeta terra, mas corretamente como um poder espiritual que tem seus reinos (Mateus ) e tem um autoridade de domínio sobre a cultura, as religiões e política e a filosofia e por toda a forma de espiritualismo e repousa sobre a criação fora dos domínios do reino de Deus. Essa é a forma como devemos entender o que significa a potestade das trevas. A palavra grega é um substantivo feminino; Exousia. Que tem um amplo significado na área do domínio. Trata-se de uma autoridade com influencia moral e espiritual, escravizando, cegando e enganando todos aqueles que fazem parte de seu domínio e influencia. Todo o pecador se encontra debaixo dessa autoridade, todo o não regenerado está debaixo dessa influencia corrupta e caminha em direção do mesmo juízo que cairá sobre esse corrupto sistema. Quando o Salvador e Senhor veio a este mundo, o testemunho das escrituras é que “o povo que estava assentado em trevas, viu uma grande luz; E aos que estavam assentados na região e sombra da morte, a luz raiou”(Mateus 4:6 e 7) Essa região e sombra da morte, esse reino de escuridão espiritual, são características comuns da potestade das trevas. A atividade anticristã, a operação das forças contrarias a verdade eram e ainda continuam influenciando a humanidade, essa potestade das trevas, essa autoridade de domínio foi percebida por Cristo, então Ele declarou através de sua percepção espiritual: “Mas esta é a vossa hora e o poder das trevas”(Lucas 22:53). A redenção é um drama espiritual de grande valor moral e posicional. Assim como na antiga aliança o povo é liberto por Moises do jugo de Faraó e dos poderes mágicos ocultistas do Egito, a redenção pela cruz de Cristo nos tira também de um império de domínio e influencia, e nos coloca na posição de nova criação, sob os aspectos legais da nova aliança, passamos a ser homens redimidos, o novo homem é criado em verdadeira justiça e santidade (Efesios 4:24)
Há uma saída, uma espécie de remoção espiritual, o homem que responde ao clamor da cruz, que se arrepende de seus pecados e passa pelo processo do novo nascimento, sai do reino das trevas, sai debaixo dessa autoridade, liberta-se dessa influencia das trevas, e passa para uma nova posição em Cristo, o redimido pelo sangue do Cordeiro passa a ser cidadão do reino de Cristo.
Essa autoridade ou potestade das trevas atua de diversas formas, mas seu campo de atuação maior é na alma, no coração do homem caído. Cristo em seu ministério terreno deu muita ênfase sobre libertação, os judeus não entendiam isso. Na perspectiva judaica da época do Novo Testamento, os inimigos reais eram os romanos, estar debaixo da opressão das leis romanas era o que podiam enxergar, como judeus, filhos da promessa, povo eleito, praticantes rigorosos de uma religião que se concentrava nos pormenores da lei, não havia qualquer percepção de escravidão espiritual. O povo que saiu do Egito no drama do exodo, sentiram as mãos fortes e tirânicas do Faraó, mas o jugo espiritual colocado nos ombros da alma humana pelos sistemas da autoridade das trevas, são insensíveis ao coração humano. Paulo perseguia a igreja e pensava que servia a Deus, não havia percepção espiritual, até que a luz de Cristo brilhou sobre ele no caminho de Damasco.
O rigor das ações e da operação do erro nesse reino de trevas, impedem suas vitimas de enxergar a verdade, as escrituras dizem que as pessoas dominadas pela autoridade das trevas estão mortas em ofensas e pecados. Os pecadores seguem um curso, seguem uma direção e estão debaixo da autoridade de potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência (Efesios 2:1 e 2)
Há Sempre um lado invisível que é a fonte de todos os pecados, assim como Eva foi enganada na sua simplicidade, o método do engano tem sido eficaz por séculos. Não é admirável que Paulo advirta que a apostasia dos últimos dias esteja ligada a espíritos enganadores e doutrinas de demônios? Ora no lado físico, pregadores, escritores podem promover doutrinas antiblicas, mas há a fonte sobrenatural por trás dessas ações. Assim como na idolatria, Paulo fala que os idolatras se associam com os demônios, porque a idolatria tem conexão com o mundo espiritual caído dos demônios (I Coríntios 10:20) Essa autoridade das trevas, esse domínio escravizador também está associado com poderes sobrenaturais, como foi o caso dos gadarenos possessos que tinham uma força descomunal, ou ainda está associado com artes divinatórias, como no caso de uma moça que tinha um espírito de adivinhação e incomodava a Paulo (Atos 16:16 a 21).
A potestade das trevas é um sistema de engano, cuja atuação é de modo invisível. O sistema interfere no mundo religioso para enganar. Hoje muitos parecem sentir-se bem com experiências místicas sem respaldo bíblico. A base do intento desses espíritos enganadores, dessas potencias do engano é tentar minar com a autoridade da Palavra de Deus. Há um paradoxo na fenomenologia da natureza do engano. O império das trevas consegue produzir luz. As escrituras advertem que satanás se transfigura em anjo de luz.(II Coríntios 11:14) como pode ser isso? Sendo potestades de trevas, como pode existir luz? Veja como a noite mergulha na escuridão. Embora lâmpadas se acendam em muitos lugares, não é uma lâmpada como o sol que dissipa toda a escuridão da noite. Uma lâmpada pode iluminar alguma coisa, porém não pode nunca exterminar com a escuridão noturna. Só o nascer do sol é capaz de dissipar todas as trevas. Assim Cristo é chamado de sol da justiça, porque tem a luz capaz de dissipar todas as trevas de um coração e libertar as almas do domínio da noite espiritual (Veja Malaquias 4:2)
Hoje muitas pessoas são enganadas, recebem experiências espiritualistas que lhes dão bons sentimentos, elas acreditam que experiências sobrenaturais agradáveis procedem de Deus, acreditam piamente que tendo experiências espiritualistas, então são escolhidas por Deus, êxtases e sentimentos agradáveis são considerados como conseqüências de um mover espiritual celeste. Milagres estupendos, sinais e maravilhas e outras manifestações sobrenaturais são provas definitivas de que DEUS está operando ou que é uma prova irrefutável de que a verdade pode ser estabelecida fora da autoridade das escrituras. Tais pessoas acreditam piamente que o mundo espiritual funciona assim. Puro engano. Nosso tempo é um tempo perigoso, a falta de discernimento é um grave sintoma de cegueira espiritual. Nesses últimos dias, caminhar sem discernimento é correr um grande risco de ser enganado de forma fatal. Porque o sistema operacional do engano atua na área da espiritualidade com muita eficácia, sinais e prodígios de mentiras, revelações do futuro, milagres extraordinários, tudo isso pode ter como matriz, o engano operacional no mundo das trevas. Os espíritos enganadores possuem autoridade para realizar tais coisas. É importante salientar que as trevas imitam os poderes da luz, veja o caso de Janes e Jambres (I Timóteo 3:8) eles resistiram a Moisés, usando poderes mágicos sobrenaturais para confrontar os sinais e maravilhas produzidos pelas mãos de Deus para confirmar a autoridade e a missão de Moisés.
Cristo pela obra da cruz nos chamou e nos libertou dessas influencias. Não podemos viver em santa luz e sermos enganados por esse sistema espiritual fraudulento. Porém há um descuido tremendo em nossos dias. O mundo religioso moderno vai a uma busca frenética por sinais e fenômenos espirituais. Porem não tem nenhum conhecimento bíblico equilibrado para descartar e repudiar tudo o que não procede de dentro de Deus.
Um dos sinais mais controversos do mundo do engano são as ambigüidades, ela é comum hoje no meio carismático. Não há um fortalecimento da autoridade das escrituras por meio do misticismo ambíguo que presenciamos hoje em dia dentro da cristandade, pelo contrario a verdade é completamente solapada para que a experiência espiritualista tenha domínio e autoridade. É comum em nossos dias, e já presenciei muito disso, pessoas argumentarem uma fé cristã sem ao menos conhecer um versículo das escrituras, não conhecem as doutrinas fundamentais da fé cristã, na verdade são impulsionadas a rejeitarem as escrituras, sobre o pretexto inventado pelos próprios espíritos enganadores de que a “A letra mata” referindo-se as escrituras e seus ensinos como a “letra que mata” a bíblia é rejeitada e até odiada. Quais são as bases da autoridade espiritual então? Revelações, sonhos, projeções do consciente para criar ilusões e fantasias religiosas, pseudo-profecias ou artes divinatórias, manifestações psicológicas, êxtases hipnóticos, etc. Hoje em dia, geralmente quem consegue ter experiências dessas coisas é considerado como “ungido” ou “espiritual”. Tem uma multidão pronta a acreditar em seus discursos e a defender com unhas e dentes tal homem. Seus sinais espiritualistas são as provas de que ele é um enviado especial.
Como um mundo invisível operando dentro do sistema caído (chamado nas escrituras de mundo) essa potestade ou domínio de autoridade das trevas, vem trabalhando nos bastidores da existência da civilização por meio de toda a sorte de engano. Aqueles que se chegam a luz do evangelho conseguem sair desse sistema. Aliás, esse é um processo que começa do alto, daí a tese de que o novo nascimento é um nascimento do alto. A obra da cruz tem um poder libertador. Cristo é o nosso libertador. Portanto ele diz que aquele que conhece a verdade também recebe a libertação por meio da verdade. Essa saída funciona como um novo êxodo, Não um êxodo mosaico, mas o próprio Cristo operando em nós essa libertação.
Essa é uma saída do sistema da potestade do ar, para opor-se a ele, lutar contra e ele e não se conformar com a sua filosofia, jamais devemos nos conformar com esse século.(Romanos 12:1 e 2) Há no mundo um falso cristianismo, ele é feito de uma forma um tanto oculta e sutil, com efeito, funciona da seguinte maneira: muitos tentam levar os valores cristãos e os princípios do reino de Deus para implantar lá dentro desse sistema operacional. Uma inversão do plano de Deus. A pratica das virtudes cristãs são imputadas com algum tipo de cosmovisão cristã por homens que vivem dentro desse sistema e que nunca saíram de lá, pois nunca experimentaram o poder de redenção e da ressurreição que vieram através da obra da cruz de Cristo. O resultado é um cristianismo mundano, uma replica do verdadeiro, porém falsificada. Dificilmente você vai encontrar coisas verdadeiras dentro desse pseudo cristianismo no que diz respeito a experiências espirituais, tudo o que se manifesta lá é muito parecido com o que encontramos no espiritualismo da nova era e movimentos esotéricos e espiritualistas ligados a tal movimento.
Quando Jesus afirmou ser a luz do mundo, ele afirmou com base de que o homem receba revelação pela obra da redenção que foi realizada na cruz do Calvário. É pelo sangue de Cristo que o homem recebe salvação libertadora. Aqui desejo ressaltar que a salvação dentro da perspectiva de Colossenses 1;13 tem sentido de salvação libertadora. Então a máxima de Cristo ganha seu sentido autentico: “Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8:36). Liberto da potestade, redimido do poder das trevas, o homem passa a andar na luz do evangelho, na presença de Cristo que é a luz do mundo. A verdade da fé cristã não tem realidade suprema se o homem primeiro não for redimido do poder dominador da potestade das trevas. Ele deve sair desse jugo, dessa escravidão, dessa escuridão, e aconchegar-se na Obra Redentora de Cristo. Enquanto que sob o domínio da autoridade das trevas o homem pecador é escravo do pecado, fora desse domínio das trevas o homem é santificado pelo sangue de Cristo e redimido pela morte e ressurreição de Cristo, para ser escravo da justiça que procede do evangelho.


Clavio J. Jacinto