A tudo que o autor de Hebreus se refere quanto ao aperfeiçoamento de Cristo pelos sofrimentos para ser o Autor da nossa salvação, comprova-se que de fato ele, e apenas ele estava habilitado, capacitado e era digno de realizá-la, porque nenhum outro poderia suportar a extensão dos sofrimentos que lhe sobrevieram em razão da manifestação do profundo e eterno desagrado de Deus em relação ao pecado, sendo descarregada toda a ira divina contra o pecado sobretudo na ocasião da sua morte na cruz. Não seria suficiente que ele apenas morresse carregando os nossos pecados. Nele deveria ser manifestado todo o desagrado da justiça divina que poderia ser satisfeita somente com uma punição que causasse sofrimento ao condenado em razão do pecado, numa dimensão infinita e eterna, de modo a ser vindicada a santidade do Criador. Então, não seria por meio de aportes da parte do Pai para Jesus em seu trabalho, de modo que não sofresse qualquer vergonha, sofrimento ou dor, e por isso já havia sido dito pelo profeta Isaías que ele veria o fruto do trabalho penoso da sua alma, para efetuar a nossa justificação. Se Aquele que não tinha pecado sofreu de tal maneira por causa dos nossos pecados, como poderíamos, em nossa jornada neste mundo, pensarmos que tudo deve ser festa e alegria carnal, sem se admitir qualquer tipo de sofrimento, seja ele temporal ou espiritual, para que sejamos também aperfeiçoados em santificação, ou seja na nossa inteira consagração a Deus, assim como fora o Capitão da nossa salvação?