Esse negócio de jornalista é foda. Ora tá escrevendo muito ora tá fingindo. Fingir não no sentido operacional da coisa, pois os jornalistas gastam a ponta dos dedos nos teclados todo santo dia; mas não é sempre que se tem uma notícia de verdade pra escrever. Cá pra nós, muito do que se lê na imprensa não interessa, né? E não se trata apenas das publicações dos veículos menores, nas cidades com menos habitantes; os gigantes da comunicação também produzem muita matéria oca. É a velha encheção de linguiça. “Cadê a criatividade?”, talvez enseje uma resolutiva indagação.

Mesmo em produções de matérias frias, tipo aquelas famigeradas de comportamento, nota-se o desgaste, a falta de informação quente. Fazer o quê? Essa função de informar não é fácil mesmo. Até porque quem trabalha com isso precisa produzir todos os dias.

O que interessa no jornalismo hoje é de caráter dúbio. Em qualquer setor: economia, esporte, política, cultura, geral.... sempre tem matéria requentada ou até mesmo irrelevante.

Contudo, essa é a missão dos repórteres desta vida: produzir, intermediar o que, na teoria, seja interessante para a sociedade; ou de vez em quando escrever como se a palavra fosse só uma ferramenta de linha de produção inteiramente mecânica e sob forte demanda.