O conceito arminiano de que devemos fazer a nossa parte para que Deus possa fazer a dele soa até muito lógico à razão humana, pois seria de se esperar que principalmente naquelas coisas que o homem pode fazer por si mesmo, que não faria sentido incomodar a Deus com elas.
Todavia, este é o modo de julgar da carne, pois o plano de Deus não é natural e nem carnal, mas espiritual.
Deus não é homem e seus pensamentos e caminhos são mais elevados que os nossos, e em sendo o Criador, importa ser atendido e obedecido em tudo, pelas seguintes razões dentre outras:
1) Em sendo criaturas, somos dependentes dele em tudo e para tudo.
2) É o Seu grande prazer, como Criador, que como suas criaturas respondamos a tudo o que devemos ser e fazer, segundo a Sua boa, perfeita e agradável vontade.
3) Tendo ficado sujeitos ao pecado, nossa natureza foi corrompida, impedindo-nos de ser e agir de modo santo e agradável a Deus sem sermos regenerados e santificados.
4) Por isso, Deus espera que demos por devolvido a Ele o livre arbítrio que nos concedeu, para que sejamos guiados de modo correto em todas as coisas, inclusive em nossos pensamentos, para que Ele marque em nós a Sua santidade.
5) Sendo assim, totalmente dependentes dEle, a nossa parte é que recorramos a Ele sempre em espírito de oração, para recebermos não somente um bom estado em nossas almas, como também para sermos capacitados a fazer todas as coisas do modo pelo qual importa que sejam feitas.
Deus tem prazer em atender a todas as nossas abordagens feitas a Ele, ainda que seja para as coisas mais comuns da vida, para receber a sua bênção e capacitação para ser e fazer tudo com amor e para a exclusiva glória dEle.
Vemos portanto, quão blasfemo e rebelde é este modo de pensar que Ele nada tem a ver com aquilo que consideramos como sendo a nossa parte na vida – aquelas coisas que nos sentimos habilitados naturalmente a fazer.
Nunca devemos esquecer que até mesmo o simples ato de respirar é algo que nos é concedido pela providência de Deus, pois se ele remove a Sua mão, pela qual tudo na criação é sustentado para que continue funcionando, o resultado é que não seremos capazes de até mesmo respirar (tenho um testemunho particular relativo a isto, que não cabe agora entrar em detalhes, mas depois de muito tempo com uma terrível dificuldade para respirar e com muito sofrimento, disse-me o Senhor. “Hoje, às tantas horas, farei com que a sua respiração volte ao normal”, e assim sucedeu.)
Fora então, com este ídolo dourado do livre arbítrio independente, absoluto humano, em que Deus fica de fora de nossas vidas em muitas coisas, e quando é assim, na verdade o temos colocado fora de tudo, porque é de uma arrogância e prepotência muito grande o pensamento de que podemos escolher no que devemos recorrer e depender dEle, e no que não.

O profeta declara que ele sabe que “o caminho do homem não está em si mesmo” - que “Eu sei, ó SENHOR, que não cabe ao homem determinar o seu caminho, nem ao que caminha o dirigir os seus passos.”, Jeremias 10:23; e Salomão, que “o coração de um homem, planeja o seu caminho, mas o SENHOR lhe dirige os passos”, Provérbios 16: 9.
Por falta de reconhecimento desta nossa total dependência do Senhor, pois é Ele mesmo que diz que sem Ele nada podemos fazer, que vemos se multiplicar em nossa época a igreja insolente de Laodiceia que afirma não necessitar de coisa alguma e ser rica por si mesma, quando temos centenas de textos na Bíblia que afirmam nossa total dependência do Senhor.
“Porque também ele fez todas as nossas obras em nós”, Isaías 26:12.
“Nenhum pardal cai no chão sem a permissão do nosso Pai”, até “os cabelos da nossa cabeça estão todos contados”, Mateus 10: 29,30. “Ele veste os lírios e a erva do campo, que será lançada no forno” (Lucas 12: 27,28).
Como ele moldou todas as coisas por sua sabedoria, assim ele as continua por sua providência em excelente ordem, como é declarado em geral naquele Salmo 104: e isto não está limitado a nenhum lugar ou coisa em particular, mas “seus olhos estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons”, Provérbios 15: 3; de modo que "ninguém pode esconder-se em lugares secretos que ele não deve vê-lo", Jeremias 23:24; Atos 17:24; Jó 5: 10,11; Êxodo 4:11. E tudo isso ele diz para que os homens “possam saber, até ao nascente do sol e até ao poente, que além de mim não há outro; eu sou o SENHOR, e não há outro. Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas.”, Isaías 45: 6,7. Nestas e inumeráveis passagens o Senhor declara que não há nada que ele tenha feito, que com a boa mão da sua providência ele não governe e sustente.
Como podemos ter bons e santos pensamentos se o Senhor não os criar em nós? Como os teremos se não os buscarmos nEle?