Em reforço ao argumento apresentado no texto que postei ainda há pouco, aqui no Texton (Sim sim, não não) acabei de ler algumas porções do livro de Erasmo de Rotterdam, intitulado O Elogio da Loucura, que em forma de sátira, bem retrata aquilo que ele chama de elogio barato, interesseiro, ao que é desprovido de real valor e mérito, como sendo uma tendência inerente à humanidade.
E também enfoca o gosto por se ocupar com “investigações futilíssimas”. E ainda:
“De fato, que mais poderia convir à Loucura do que ser o arauto do próprio mérito e fazer ecoar por toda parte os seus próprios louvores!”
E também, quando cita a Loucura justificando o estar elogiando a si mesma:
“De resto, esta minha conduta me parece muito mais modesta do que a que costuma ter a maior parte dos grandes e dos sábios do mundo. É que estes, calcando o pudor aos pés, subornam qualquer panegirista adulador, ou um poetastro tagarela, que, à custa do ouro, recita os seus elogios, que não passam, afinal, de uma rede de mentiras”.
Não cito Erasmo para indicá-lo como referência, mas porque, de fato, há no que escreveu, um fiel retrato da condição pecaminosa da natureza humana, que a conduz a não poder se firmar por si mesma num exímio sim sim; não não.
Contudo, o próprio Erasmo padecia do mesmo mal que criticou acidamente, e como ele, qualquer mortal está sujeito ao mesmo.
Não basta condenar o mal. É necessário praticar o bem.
Daí Lutero ter estado às turras com ele, por não ter se definido em defesa da verdade de Jesus Cristo, no evangelho.
Afinal, nada há na loucura que possa ser elogiado. Nem a título de brincadeira.