Superando os Melindres

18 de Novembro de 2012 Silvio Dutra Artigos 967

Se alguém decidir viver por sentimentos, certamente terá muitos problemas, porque a carne e o diabo sempre acharão ocasião para lhe ferir com suscetibilidades, ou seja, com melindres, amuos e sensibilidades, que são muito pertinentes à nossa natureza terrena.
Então, para o propósito de vencer estes e outros tipos de problemas, é ordenado aos cristãos que aprendam a viver pela nova natureza que têm em Cristo, e não pela antiga natureza carnal e terrena.
O amor que tudo sofre, suporta, espera e perdoa, e que é paciente e benigno, é sempre exercitado, quando não nos deixamos vencer por nossos sentimentos melindrados, e triunfamos pela prática da Palavra de Deus, que nos ordena nunca termos um coração ressentido ou magoado, seja contra quem for.
Honrar não depende de gostar.
Fazer o bem não depende de sermos aceitos, aplaudidos e louvados.
Respeitar não depende de sermos também respeitados.
Entender não depende de sermos entendidos.
Amar não significa necessariamente gostar de algo ou alguém.
É terrível manter uma atitude de defesa dos nossos sentimentos contra tudo e contra todos.
É muito contrário ao amor que tudo sofre e suporta a atitude de tentarmos nos poupar a nós mesmos, fugindo de nos relacionarmos com os outros, pelo temor de sermos feridos por alguma palavra ou ação, que possa nos atingir e fazer com que fiquemos magoados.
Não é este o tipo de prudência que nosso Senhor nos ordena, porque isto não é prudência, mas fuga e temor de viver.
Por isso a Bíblia nos ordena que deixemos as coisas próprias de crianças quando chegamos a ser adultos. Crianças não podem enfrentar desafios pesados e encarar de frente as vicissitudes da vida, mas toda pessoa verdadeiramente adulta, está capacitada a fazê-lo.
Pessoas maduras não vivem se justificando de tudo o que pensem estar lhe contrariando, por estar em desacordo com o seu modo de pensar e sentir.
Aitofel era tão fraco emocionalmente se falando que se enforcou quando o parecer que dera a Absalão foi rejeitado em face da aceitação do que lhe fora dado por Husai.
Saul procurava se vingar de todo aquele que lhe contrariasse, por discordar dele, mas Davi raramente deixava de agir segundo a vontade de Deus, mesmo quando era contrariado e aborrecido.
Quanto não teve que suportar da parte de Joabe? Com que grande dignidade suportou e enfrentou a rebelião de seu próprio filho Absalão!
Mas o exemplo máximo do espírito de paciência e tolerância que devemos ter especialmente em face dos ataques do reino das trevas, com o intuito de nos roubar a paz, encontramos no próprio Senhor Jesus Cristo, que jamais se deixou governar por sentimentos melindrados, senão exclusivamente pela vontade de Deus Pai.
Importa termos sempre a atitude do apóstolo Paulo, conforme ele se expressou em I Cor 4.3:
“Todavia, a mim mui pouco se me dá de ser julgado por vós, ou por qualquer tribunal humano; nem eu tampouco a mim mesmo me julgo.” (I Cor 4.3)
Ainda que o juízo que fizerem de nós seja de inspiração satânica ou não, e se tal juízo não corresponde à verdade, devemos nos guardar de qualquer tipo de melindre, porque por isto, seremos vencidos pelo mal, não propriamente do ataque que nos fizeram ou que julgamos que nos tenham feito, sem que fôssemos de fato atacados, mas, seremos vencidos pelo mal em nós mesmos, do nosso próprio coração ressentido e abatido.
Importa então, se queremos ser sempre vencedores deste mal, para que possamos manter a nossa paz, amor e alegria, diante de Deus e dos homens, que tenhamos a mesma atitude do apóstolo Paulo, de não sermos conduzidos por nossos sentimentos ou pelos juízos de outros, mas pelo que a Palavra de Deus afirma acerca do nosso comportamento ou de nossas atitudes e reações.
O grande alvo do reino espiritual da maldade em fazer com que nos firamos com suscetibilidades, ou seja, que fiquemos melindrados com o que ouvimos ou vimos, disseram ou fizeram em relação a nós ou a outros, e que não aprovamos, é principalmente o de produzir amarguras e ressentimentos, que nos afastam da comunhão com o Senhor.
Por isso somos alertados a não abrigar tais sentimentos, como por exemplo no texto de Tg 3.13-18.
Nunca haverá qualquer perda em perdoar e esquecer ofensas reais ou supostas como tal sem que o sejam, porque com isto estaremos provando para nós mesmos que temos de fato nos negado para amarmos e perdoarmos os que nos ofendem, sejam eles nossos inimigos ou não.
E sem o aprendizado desta negação do nosso ego, não poderemos viver a vida cristã e fazer qualquer serviço constante para Cristo, porque o inferno não dará descanso às nossas almas, sempre procurando nos tornar ressentidos contra alguém que nos tenha contrariado.
Alarguemos então os nossos espíritos e corações!
Amemos como Cristo nos ama, ou seja, suportando ofensas e todo tipo de pecado, exceto a blasfêmia contra o Espírito Santo.
Olhemos para o Senhor, e não para nós mesmos ou para os outros, para acharmos o perfeito amor e o perfeito bem, porque isto jamais será achado em qualquer pessoa enquanto estivermos na terra.
Estejamos prontos então a superar ofensas, palavras proferidas precipitadamente, juízos incorretos, ou qualquer ponto que possa suscitar algum tipo de discórdia onde deveria reinar o amor, porque sempre estaremos sujeitos a errar, por maior que seja o nosso desejo de acertar.
Todavia não erremos no dever de perdoar, de esquecer ofensas, de amar até mesmo nossos inimigos, de não guardarmos qualquer tipo de ressentimento ou rancor, porque nossa ira acabará se voltando contra nós mesmos para nos destruir, e nos arrancará da nossa comunhão com Deus.
Lembremos que somos convocados pela Bíblia a sermos amadurecidos, espiritualmente se falando, e muito deste crescimento se comprova pelo modo como nos conduzimos não segundo os nossos sentimentos melindrados, mas segundo a verdade da Palavra de Deus.
Como já dissemos antes, se alguém decidir continuar vivendo segundo os seus sentimentos, terá certamente muitos problemas, mas se viver segundo a Palavra de Deus, os problemas surgirão, mas serão vencidos pela verdade e pelo poder de nosso Senhor Jesus Cristo.
E uma vez desfeitas as amarras do mal, o navio da nossa alegria, força, e amor, seguirá o seu rumo, vendo restauradas todas as coisas que haviam sido arruinadas pelo nosso mau temperamento, que se permitia ser vencido pelo diabo.
Miremo-nos no exemplo que nos foi deixado pelo apóstolo Paulo, o qual havia aprendido a ter o prazer da comunhão com Deus, o deleite de praticar e fazer a Sua vontade divina, em meio às ofensas que lhe dirigiam, nas necessidades, nas perseguições e nas angústias que suportava por causa do Seu amor a Cristo, de modo que sabia que importa aprendermos a conviver com os espinhos na nossa carne, oriundos de mensageiros de Satanás, que são usados para nos humilhar.
“9 e ele me disse: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo.
10 Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco, então é que sou forte.” (II Cor 12.9,10)
Em troca da nossa paciência e decisão de suportar ofensas por amor a Cristo, o Senhor nos dará do Seu poder e nos fará fortes não somente para suportar tais ofensas e angústias, como também para que possamos fazer toda a Sua vontade, ou seja, continuarmos na prática do bem, mesmo para os que nos tenham ofendido, ou que imaginamos que nos ofenderam, sem que o tivessem feito de fato.


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