Foi-se o tempo em que permanecer no mesmo emprego por décadas era
sinônimo de sucesso. Entretanto este cenário, hoje em dia, não é fator
positivo, como também não é nada positivo olhar currículos de
profissionais que tiveram dezenas de empregos e não ficaram mais que um
ano em cada um deles.


Para ilustrar o primeiro exemplo, sobre aqueles profissionais que
completavam 20, 30, 40 e 50 anos na mesma organização, atualmente isso
não ocorre com frequência. Hoje, é mais comum ocorrerem casos em que
profissionais ficam 10 ou 15 anos porém, nunca na mesma posição. É
positivo quando estas pessoas que ficam uma década na mesma empresa
tenham passado por diversas áreas distintas e subiram de cargos em média
a cada dois anos. Ou seja, quando supostamente entram na empresa como
assistentes e saem como diretores. Isso é construir uma carreira sólida e
bem vista por recrutadores!


Por outro lado, permanecer pouco tempo na empresa é mal visto por
recrutadores por alguns motivos, como: instabilidade, ansiedade em
crescer rapidamente na carreira e frustrar-se, pouco comprometimento,
falta de objetividade na carreira profissional e talvez um pouco de
imaturidade e imediatismo. Esse caso é bem comum, principalmente nos
jovens de 20 a 30 anos, que querem crescer rapidamente na carreira, e
quando surge “um problema” e eles desistem de resolvê-los – é mais fácil
abandonar problemas?


O jovem quer crescer rapidamente e, geralmente, sem dificuldades.
Formam-se, chegam ávidos ao mercado de trabalho para ganhar muito, sem
muito esforço e trabalho a ser realizado, sem responsabilidades que lhe
possam garantir um crescimento hierárquico e na remuneração. Quando
percebem que para “chegar-lᔠé mais complexo e árduo do que imaginavam,
partem para uma nova empresa, com a mesma “esperança” de crescer
rapidamente e sem esforço. Por isso, vejo profissionais de 25 anos de
idade, que não permanecem mais do que seis meses em cada empresa e já
trilharam um caminho de insucesso em 10 empresas distintas.


Pensando como recrutador, é totalmente inconsequente para a minha
empresa recrutar um profissional instável, pois de acordo com o
histórico por eles apresentados, caminhará para a incerteza novamente.
Não acredito que seja mea-culpa, mas a chance é dada a quem busca galgar
posições hierárquicas mais elevadas com responsabilidade, ambição e
força.


Outro argumento que reforça esta visão é um dado apontado pela
pesquisa “A Contratação, a Demissão e a Carreira dos Executivos
Brasileiros 2009”, realizada pela Catho Online entre os meses de março e
abril deste ano, que diz que 89,3% dos presidentes e diretores de
empresas têm alguma restrição a profissionais que passam períodos curtos
dentro de cada empresa. 84% dos gerentes e supervisores também não
enxergam com bons olhos a curta permanência nas experiências
profissionais anteriores.


Esses números ressaltam que, embora nos últimos tempos, os
profissionais de RH estejam discutindo muito sobre a geração Y que,
entre diversas características, traz as frequentes mudanças de emprego
como item de destaque, o recrutador ainda almeja profissionais estáveis e
comprometidos com as organizações. Afinal, ninguém quer gastar recursos
e tempo de recrutamento e treinamento com profissionais que não têm o
interesse em permanecer naquele trabalho.


Obviamente que aquela época em que os profissionais permaneciam
muitas décadas numa mesma empresa não volta mais – e realmente não deve
voltar. É bom para as organizações e é bom para o profissional que ele
respire novos ares e os traga para o trabalho. Reciclar é sempre
favorável, mas isso pode ser feito de diversas formas sem ter que pular
de emprego em emprego.


Por outro lado, como recrutador, também avalio o papel fundamental
das empresas em propiciar um ambiente em que seus colaboradores se
sintam motivados a trabalhar e evitar o turnover. Inúmeras pesquisas
apontam quais fatores mais motivam e retêm os profissionais, e não
estamos falando apenas de salário. Hoje em dia, uma das maiores
preocupações dos RHs está em evitar a fuga das melhores cabeças, mas
este é um assunto para outro artigo.