Aplicabilidade do Referencial Curricular Nacional

25 de Dezembro de 2013 Gabriela Faval Artigos 1171



Aplicabilidade do
Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil - Vol. 3





Gabriela
Costa Faval[1]



Edivaldo
Lobato[2]



Resumo:


Atendendo às determinações da Lei
9.394/96, que estabelece que a Educação Infantil é a primeira etapa da educação
básica, o Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil surge no
intuito de auxiliar na realização do trabalho educativo diário junto às
crianças pequenas, pretendendo apontar metas de qualidade que contribuíssem
para o desenvolvimento integral da identidade das crianças e tornando-as capazes
de crescerem como cidadãos cujos direitos à infância fossem reconhecidos. Contribuindo
para que se pudesse realizar, nas instituições, o objetivo socializador dessa
etapa educacional, em ambientes que propiciassem o acesso e a ampliação, pelas
crianças, dos conhecimentos da realidade social e cultural, de maneira a servir
como um guia de reflexão de cunho educacional sobre objetivos, conteúdos e
orientações didáticas para os profissionais que atuam diretamente com crianças
de zero a seis anos, respeitando seus estilos pedagógicos e a diversidade
cultural brasileira.



Em uma coleção de três volumes
que o compõem, o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil está organizado da seguinte forma: Introdução,
Formação Pessoal e Social e Conhecimento de Mundo. Este trabalho estará focado
no terceiro volume, objetivando verificar sua aplicabilidade dentro do
cotidiano escolar da Educação Infantil.







Palavras-Chave: RCN, Prática Pedagógica, Pedagogia, Geografia, Referencial
Curricular, Educação Infantil.







Introdução


Atualmente,
falar em educação infantil no Brasil implica fazer uma retrospectiva desde a
promulgação da Constituição Federal de 1988, do Estatuto da Criança e do
Adolescente de 1990 e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº
9.394/1996. Isso porque foi a partir das deliberações encaminhadas nessas duas
leis e das suas consequências para a área que os desafios que as perspectivas
têm sido colocadas.



Vale
destacar que a LDB foi
construída tendo por base a Constituição de 1988 que reconheceu como direito da
criança pequena o acesso à educação infantil – em creches e pré-escolas. Essa lei
colocou a criança no lugar de sujeito de direitos em vez de tratá-la, como
ocorria nas leis anteriores a esta, como objeto de tutela.



A
crítica em relação às propostas de trabalho com as crianças pequenas, que se
dicotomizavam entre educar e assistir, levou à busca da sua superação em
direção a uma proposta menos discriminadora, que viesse atender às
especificidades que o trabalho com crianças de 0 a



6
anos exige na atual conjuntura social – de educar e cuidar –, sem que houvesse
uma hierarquização do trabalho a ser realizado, seja pela faixa etária (0 a 3
anos ou 3 a 6 anos), ou ainda pelo tempo de atendimento na instituição (parcial
ou integral), seja pelo nome dado à instituição (creches ou pré-escolas).



Essa
compreensão da especificidade do caráter educativo das instituições de educação
infantil não é natural, mas historicamente construída uma vez que ocorreu a
partir de vários movimentos em torno da mulher, da criança e do adolescente por
parte de diferentes segmentos da sociedade civil organizada e dos educadores e
pesquisadores da área em razão das grandes transformações sofridas pela
sociedade em geral e pela família em especial, nos centros urbanos, com a entrada
das mulheres no mercado de trabalho.



Com
relação às profissionais da educação infantil, a lei proclamava ainda que todas
devessem até o final da década da educação ter formação em nível superior,
podendo ser aceita formação em nível médio, na modalidade normal. É importante
ressaltar o desafio que esta deliberação coloca uma vez que muitas dessas
profissionais não possuem sequer o ensino fundamental.



O volume aqui analisado é
relativo ao âmbito de experiência Conhecimento de Mundo que contém seis
documentos referentes aos eixos de trabalho orientados para a construção das
diferentes linguagens pelas crianças e para as relações que estabelecem com os
objetos de conhecimento: Movimento,
Música, Artes Visuais, Linguagem Oral e Escrita, Natureza e Sociedade e
Matemática.





O Referencial Curricular Nacional para
a Educação Infantil


É
dentro do contexto das reformas educacionais em andamento acima delineadas que situamos
o RCNEI. Em fevereiro de 1998 a versão preliminar do documento foi encaminhada
a 700 profissionais ligados à área da educação infantil, sendo devolvido um mês
depois ao MEC com um parecer final. Em outubro de 1998 a versão final do RCNEI foi divulgada sem que os apelos dos
pareceristas, por mais tempo para debates e discussões, fossem atendidos.



A
versão final do RCNEI foi
organizada em três volumes: Introdução;
Formação pessoal e social e Conhecimento
do mundo
. A leitura do primeiro volume do RCNEI, denominado “Introdução”,
permite constatar a ênfase em: criança, educar, cuidar, brincar, relações creche-família,
professor de educação infantil, educar crianças com necessidades especiais, a
instituição e o projeto educativo. Fala ainda em condições internas e externas
com destaque para a organização do espaço e do tempo, parceria com as famílias,
entre outros aspectos.



É
possível perceber que a versão final do volume l do RCNEIpretendeu seguir as indicações feitas
pelos pareceristas da versão preliminar do documento, de ter como referência a
criança e não o ensino fundamental, com ênfase na criança e em seus processos
de constituição como ser humano em diferentes contextos sociais, suas culturas,
suas capacidades intelectuais, artísticas, criativas, expressivas em vez de
articulações institucionais que propõem uma transposição, de cima para baixo,
dos chamados conteúdos escolares que acabam por submeter a creche e a
pré-escola a uma configuração tipicamente escolar.




Os
dois outros volumes denominados âmbitos de experiência são: Formação
pessoal e social
, que contempla os processos de construção
da identidade e autonomia das crianças, e Conhecimento do
mundo
, que apresenta seis sub-eixos: música,
movimento, artes visuais, linguagem oral e escrita, natureza e sociedade e
matemática.



Esses
volumes foram organizados em torno de uma estrutura comum, na qual são
explicitadas as ideias e práticas correntes relacionadas ao eixo e à criança e
aos seguintes componentes curriculares: objetivos, conteúdos, orientações
didáticas, orientações gerais para o professor e bibliografia. Esta forma de
organização e o conteúdo trabalhado evidenciam uma subordinação ao que é
pensado para o ensino fundamental e acabam por revelar a concepção primeira
deste RCNEI, em que as
especificidades das crianças de 0 a 6 anos acabam se diluindo no documento ao
ficarem submetidas à versão escolar de trabalho. Isso porque a “didatização” de
identidade, autonomia, música, artes, linguagens, movimento, entre outros
componentes, acaba por disciplinar e aprisionar o gesto, a fala, a emoção, o pensamento,
a voz e o corpo das crianças.



A
leitura da versão final do RCNEI reafirma
o quanto foi prematura a elaboração deste documento, uma vez que ainda persiste
a necessidade de um amadurecimento da área, inclusive para saber se cabe dentro
da especificidade da educação infantil um documento denominado Referencial
Curricular, em função dos sentidos que o termo ‘currículo’ carrega.



Dentro
desse contexto o RCNEI deve ser
lido como um material entre tantos outros que podem servir para as professoras
refletirem sobre o trabalho a ser realizado com as crianças de 0 a 6 anos em
instituições coletivas de educação e cuidado públicos. Além disso, vale
reforçar que ele não é obrigatório ou mandatório. Ou seja, nenhuma instituição
ou sistema de ensino deve se subordinar ao RCNEI
a não ser que opte por fazê-lo. Como orientação nacional a
área dispõe das “Diretrizes Curriculares Nacionais” que
de forma clara apresentam as diretrizes obrigatórias a serem seguidas por todas
as instituições de educação infantil. Essas diretrizes definem os fundamentos
norteadores que as Propostas Pedagógicas das Instituições de Educação Infantil
devem respeitar:



A. Princípios Éticos da
Autonomia, da Responsabilidade, da Solidariedade e do Respeito ao Bem Comum;



B. Princípios Políticos dos
Direitos e Deveres de Cidadania, do Exercício da Criticidade e do Respeito à
Ordem Democrática;



C.Princípios Estéticos da
Sensibilidade, da Criatividade, da Ludicidade e da Diversidade de Manifestações
Artísticas e Culturais.



ENTENDENDO OS OBJETIVOS



As crianças,
desde muito pequenas, interagem com o meio natural e social no qual vivem, com
isso aprendem sobre o mundo, fazendo perguntas e procurando respostas as suas
indagações e questões. Vários são os temas pelos quais as crianças se
interessam: pequenos animais, bichos de jardim, dinossauros, tempestades,
tubarões, castelos, heróis, festas da cidade, noticias de atualidade, historias
de outros tempos etc. As vivencias sociais, as historias, os modos de vida, os
lugares e o mundo natural são para as crianças parte de um todo integrado.



A intenção é que
o trabalho ocorra de forma integrada, ao mesmo tempo em que são respeitadas as
especialidades das fontes, abordagens e enfoques advindos dos diferentes campos
das Ciências Humanas e Naturais. Na maioria das instituições, esses conteúdos
estão relacionados à preparação das crianças para os anos posteriores na sua
escolaridade.



Com relação ao
tempo e espaço, normalmente os conteúdos são tratados de forma desvinculada de
suas relações com o cotidiano, com os costumes, com a História e com o
conhecimento geográfico construído na relação entre os homens e a natureza. Em
algumas práticas, tem sido priorizado o trabalho que parte da idéia de que a
criança só tem condições de pensar sobre aquilo que esta próximo a ela e,
portanto, que seja materialmente acessível e concreto; e também da idéia de
que, para ampliar sua compreensão sobre a vida em sociedade, é necessário
graduar os conteúdos de acordo com a complexidade que apresentam.



Dessa forma,
desconsideram-se o interesse, a imaginação e a capacidade da criança pequena
para conhecerem locais e historias distantes no espaço e no tempo e lidar com
informações sobre diferentes tipos de relações sociais. As crianças refletem e
gradativamente tomam consciência do mundo de diferentes maneiras em cada etapa
do seu desenvolvimento. Quanto mais se desenvolve e sistematiza conhecimentos
relativos à cultura, a criança constrói noções que favorecem mudanças no seu
modo de compreender o mundo.


Conteúdos de
0 a 3 anos



Participação em
atividades que envolvam histórias, brincadeiras, jogos e canções que digam
respeito às tradições culturais em geral;



Exploração de
diferentes objetos e suas propriedades;



Contato com
pequenos animais e plantas;



Conhecimento do
próprio corpo por meio do uso e da exploração de suas habilidades.


Objetivos de
0 a 3 anos



Explorar o
ambiente, para que possa se relacionar com pessoas, estabelecer contato com pequenos
animais, com plantas e com objetos diversos, manifestando curiosidade e
interesse.


Orientação
didática de 0 a 3 anos



A observação e a
exploração do meio são as principais possibilidades das crianças aprenderem. As
crianças devem ter liberdade para manusear e explorar os diferentes tipos de
objeto.


Avaliação de
0 a 3 anos



A criança deve
participar de atividades que envolvam a exploração do ambiente imediato e a
manipulação de objetos;



Nessa fase, o
método de avaliação é a observação. O registro é a fonte de informação sobre as
crianças, em seu processo de aprender, e sobre o professor, em seu processo de
ensinar.


Conteúdos de
4 a 6 anos



Sugere-se
organização dos grupos e seu modo de ser, viver e trabalhar;



Os lugares e
suas paisagens;



Objetos e processos
de transformação;



Os seres vivos;



Os fenômenos da
natureza.


Objetivos de
4 a 6 anos



Interessar-se e
demonstrar curiosidade pelo mundo social e natural, formulando perguntas,
imaginando soluções, manifestando opiniões próprias e confrontando idéias;



Estabelecer
algumas relações entre o modo de vida característico de seu grupo social e de
outros grupos;



Estabelecer
relações entre o meio ambiente e as formas de vida que ali se estabelecem.


Orientação
didática de 4 a 6 anos



O professor deve
partir de perguntas interessantes, em lugar de apresentar explicações,
considerando os conhecimentos das crianças sobre o assunto;



As crianças
também apresentam mais facilidade de aprendizado quando fazem coleta de dados
com outras pessoas e/ou têm experiência direta com o meio.


Avaliação de
4 a 6 anos



O professor deve
desenvolver atividades variadas relacionadas a festas, brincadeiras, músicas e
danças da tradição cultural da comunidade;



Devem ser
promovidas situações significativas de aprendizagem para que as crianças
exponham suas idéias e opiniões e devem ser oferecidas atividades que as façam
avançar nos seus conhecimentos.





3º VOLUME:
CONHECIMENTO DE MUNDO


No volume três
enfatiza-se o âmbito conhecimento de mundo, que contém os seis eixos de
trabalho facilitadores à construção das diferentes linguagens pelas crianças e
para as relações que estabelecem com os objetos de conhecimento. Estes eixos
são: Movimento, Música, Artes Visuais, Linguagem Oral e Escrita, Natureza e
Sociedade e Matemática. Assim, descreve individualmente a concepção de cada
eixo e os objetivos, conteúdos e orientações didáticas.











1. Movimento



O
movimento está presente desde a vida intra-uterina, a cada movimento desenvolvemos
controle sobre nosso corpo e percebemos possibilidades de interação com o
mundo, através deste, expressamos sentimentos, emoções e pensamentos.



Ao
brincar, jogar, imitar e criar ritmos e movimentos, as crianças também se
apropriam do repertório da cultura corporal na qual estão inseridas. Nesse
sentido, as instituições de educação infantil devem favorecer um ambiente
físico e social onde as crianças se sintam protegidas e acolhidas, e ao mesmo
tempo seguras para se arriscar e vencer desafios.



O
trabalho com movimento contempla a multiplicidade de funções e manifestações do
ato motor, propiciando um amplo desenvolvimento de aspectos específicos da
motricidade das crianças, abrangendo uma reflexão acerca das posturas corporais
implicadas nas atividades cotidianas, bem como atividades voltadas para a
ampliação da cultura corporal de cada criança.





1.1 Objetivos:
Crianças de quatro a seis anos



Ampliar as
possibilidades expressivas do próprio movimento, utilizando gestos diversos e
ritmo corporal nas suas brincadeiras, danças, jogos e demais situações de
interação.





1.2 Conteúdos



Selecionar
conteúdos que possibilitem as múltiplas experiências corporais é fundamental,
por isso, os conteúdos estão organizados em dois blocos: 1o bloco:
expressividade do movimento e 2o bloco: equilíbrio e coordenação





1.3 Orientações
didáticas



1o bloco:
Expressividade do movimento O espelho possibilita a construção da identidade e
da imagem corporal, através de brincadeiras que as crianças podem fantasiar-se
e representar personagens.



Brincadeira de
roda, possibilitar a percepção do ritmo comum e a noção do conjunto, além do
caráter de socialização.



2o bloco:
Equilíbrio e coordenação – caráter instrumental Propor brincadeiras que
componham aspectos ligados à coordenação do movimento e ao equilíbrio. Exemplo:
empinar pipa, correr, jogos motores de regra, estátua.





2. Música



A
música é a linguagem que se traduz em formas sonoras capazes de expressar e
comunicar sensações, sentimentos e pensamentos, por meio da organização e
relacionamento expressivo entre o som e o silêncio. Conforme consta
no RCNEI a música uma das formas de expressão dos sentimentos, pensamentos e
comunicação, que está presente em nossa cultura (em formas de cantigas passada
de geração a geração), na educação esta deve ser cultivada por proporcionar a
integração e interação.



A
integração entre os aspectos sensíveis, afetivos, estéticos e cognitivos, assim
como a promoção de interação e comunicação social, conferem caráter
significativo à linguagem musical. É uma das formas importantes de expressão
humana, o que por si só justifica sua presença no contexto da educação, de um
modo geral, e na educação infantil, particularmente.



Pesquisadores e estudiosos vêm
traçando paralelos entre o desenvolvimento infantil e o exercício da expressão
musical, resultando em propostas que respeitam o modo de perceber, sentir e
pensar, em cada fase, e contribuindo para que a construção do conhecimento
dessa linguagem ocorra de modo significativo12.
O trabalho com Música proposto por este documento fundamenta-se nesses estudos,
de modo a garantir à criança a possibilidade de vivenciar e refletir sobre
questões musicais, num exercício sensível e expressivo que também oferece
condições para o desenvolvimento de habilidades, de formulação de hipóteses e
de elaboração de conceitos.


2.1 Objetivos –
crianças de quatro a seis anos



- Explorar e
identificar elementos da música para se expressar, interagir com os outros e
ampliar seu conhecimento do mundo.



- Perceber e
expressar sensações, sentimentos e pensamentos, por meio de improvisações,
composições e interpretações musicais.





2.2 Conteúdos



Este conteúdo
está dividido em dois blocos “o fazer musical” e “apreciação musical”.





2.3 Orientações
didáticas



O trabalho com
música nesta faixa etária deve ser conduzido de maneira a possibilitar à
criança o enriquecimento e crescimento dos diversos aspectos referentes à
produção musical.



É fundamental a
apreciação de música sem textos, para que a criança perceba, sinta os diversos
sons e possibilidades de melodias.





3. Artes Visuais



As
artes visuais são linguagens relevantes na formação do indivíduo, pois integra
os aspectos sensíveis, afetivos, intuitivos, estéticos e cognitivos com os de
interação e comunicação social.



As
Artes Visuais expressam, comunicam e atribuem sentido a sensações, sentimentos,
pensamentos e realidade por meio da organização de linhas, formas, pontos,
tanto bidimensional como tridimensional, além de volume, espaço, cor e luz na
pintura, no desenho, na escultura, na gravura, na arquitetura, nos brinquedos,
bordados, entalhes etc. O movimento, o equilíbrio, o ritmo, a harmonia, o
contraste, a continuidade, a proximidade e a semelhança são atributos da
criação artística.



As
Artes Visuais estão presentes no cotidiano da vida infantil. Ao rabiscar e
desenhar no chão, na areia e nos muros, ao utilizar materiais encontrados ao
acaso (gravetos, pedras, carvão), ao pintar os objetos e até mesmo seu próprio
corpo, a criança pode utilizar-se das Artes Visuais para expressar experiências
sensíveis.



Tal
como a música, as Artes Visuais são linguagens e, portanto, uma das formas
importantes de expressão e comunicação humanas.





3.1 Objetivos –
crianças de quatro a seis anos



- interessar-se
pelas próprias produções, pelas de outras crianças e pelas diversas obras
artísticas (regionais, nacionais ou internacionais) com as quais entrem em
contato, ampliando seu conhecimento do mundo e da cultura.



- Produzir
trabalhos de arte.





3.2 Conteúdos



O conteúdo de
Artes visual está dividido em dois blocos:



Fazer artístico
e Apreciação em artes visuais


3.3 Orientações
didáticas





Fazer
artístico



Ao desenvolver as atividades referentes
o fazer artístico, deve-se possibilitar o contato, uso e exploração de
materiais. Podem ser desenvolvidas com sucatas.



Ao utilizar o desenho possibilitar à
criança ter liberdade de utilizar os mais variados tipos de lápis ou recursos
experimentando e construindo.



Outra atividade é propor a criança fazer
leitura de uma cena, figura pedindo que observem e desenhem o que perceberam,
construindo uma situação ou história.


Leitura
de imagens



Apresentar gravuras ou cenas, fazer
questionamento, o que observou, o que mais gostou como o artista constitui
estas cores, quais os instrumentos utilizados para executá-lo. Assim,
descobriremos o que a criança conhece, percebe, portanto, perceberemos a
estrutura cognitiva da percepção e da sensibilidade de observação.





4. Linguagem
Oral e Escrita



A
linguagem oral e escrita é uma das formas de inserção e de participação do indivíduo
na sociedade e nas variadas práticas sociais existentes que necessite de
leitura e escrita.



Aprender
uma língua28
não é somente
aprender as palavras, mas também os seus significados culturais, e, com eles,
os modos pelos quais as pessoas do seu meio sociocultural entendem, interpretam
e representam a realidade.



Em
relação ao aprendizado da linguagem escrita, concepções semelhantes àquelas relativas
ao trabalho com a linguagem oral vigoram na educação infantil.





4.1 Objetivos –
crianças de quatro a seis anos



- Ampliar
gradativamente suas possibilidades de comunicação e expressão



-
Familiarizar-se com a escrita por meio do manuseio de livros, revistas.



- Reconhecer seu
nome escrito, sabendo identifica nas diversas situações do cotidiano.





4.2 Conteúdos



O trabalho
através do oral, leitura e escrita, deve ser de forma integrada e que se
complementem, partindo deste pressuposto, os conteúdos ficaram organizados em
três blocos: “falar e escutar”, “práticas de leitura” e “práticas de escrita”.


4.3 Orientações
Didáticas



Falar e escutar



O trabalho do
educador neste eixo enfatiza-se saber escutar, dar atenção e demonstrar
compreensão à criança.



Possibilitar as
crianças ouvir historia, recontar e representar no papel.


Práticas
de leitura



Neste o professor pode possibilitar aos
alunos situações em que participe de leituras de variados tipos de textos pelos
adultos, proporcionando assim a criança situações em que percebam o que está
escrito e o falado.



Apresentando fichas com os nomes dos colegas
da turma, e solicitar a leitura do próprio nome dentro os colegas, de variadas
formas e maneiras.


Práticas
de escrita



O texto deve esta presente em sala de
aula de forma constante, através de escrever para não esquecer uma informação,
enviar mensagens, identificar um objeto apresentando em sala, quanto estão
presentes hoje, a data do dia, e outros.



O ditado em pares para as crianças
maiores também é uma forma de proporcionar a escrita, pois ambas se ajudam. E
principalmente criar um clima de integração e cooperação na turma para se ter
êxito em qualquer atividade proposta.





5. Natureza e
Sociedade



O
mundo onde as crianças vivem se constitui em um conjunto de fenômenos naturais
e sociais indissociáveis diante do qual elas se mostram curiosas e investigativas.
Desde muito pequenas, pela interação com o meio natural e social no qual vivem,
as crianças aprendem sobre o mundo, fazendo perguntas e procurando respostas às
suas indagações e questões. Como integrantes de grupos socioculturais
singulares, vivenciam experiências e interagem num contexto de conceitos,
valores, idéias, objetos e representações sobre os mais diversos temas a que
têm acesso na vida cotidiana, construindo um conjunto de conhecimentos sobre o
mundo que as cerca.



O eixo
de trabalho denominado Natureza e Sociedade reúne temas pertinentes ao mundo
social e natural. A intenção é que o trabalho ocorra de forma integrada, ao
mesmo tempo em que são respeitadas as especificidades das fontes, abordagens e
enfoques advindos dos diferentes campos das Ciências Humanas e Naturais.





5.1 Objetivos –
crianças de quatro a seis anos



- interessar-se
e demonstrar curiosidade pelo mundo social e natural, formulando perguntas,
imaginando soluções para compreende-lo, manifestando opiniões próprias sobre os
acontecimentos, buscando informações e confrontando idéias.



- Estabelecer
algumas relações entre o modo de vida característico de seu grupo social e de
outros grupos.



- Estabelecer
algumas relações entre o meio ambiente e as formas de vida que ali se estabelecem,
valorizando sua importância para a preservação das espécies e para a qualidade
da vida humana.


5.2 Conteúdos



Os conteúdos
estão organizados nesta faixa etária em cinco blocos:



“Organização dos
grupos e seu modo de ser, viver e trabalhar”; “Os lugares e suas paisagens”;
“Objetos e processos de transformação”; “Os seres vivos” e “Fenômeno s da
natureza”.





5.3 Orientações
didáticas



Ao trabalhar
este eixo o educador, deve sempre possibilitar a formulação de perguntas, com
participação ativa ao apresentar problemas e solicitar solução.



Possibilitando,
que as crianças confrontem suas idéias com as de outras.



Manipulação de
objetos e instrumentos para buscar informações, como fotografias, documentos,
livros lupas, binóculos.



Agindo assim, o
professor permitirá a criança ampliar o conhecimento de acontecimento e fatos
sociais e fenômenos naturais.





6. Matemática



A matemática
está presente no cotidiano da criança, desde o conferimento de figurinhas, divisão
de balas e brinquedos com os colegas até a mostrar com os dedos a idade, possibilitando
a elaboração de conhecimentos matemáticos. A educação infantil irá ajudar a
criança a elaborar as suas informações e estratégias e adquirir novos
conhecimentos.



Portanto,
o trabalho com a Matemática pode contribuir para a formação de cidadãos
autônomos, capazes de pensar por conta própria, sabendo resolver problemas.
Nessa perspectiva, a instituição de educação infantil pode ajudar as crianças a
organizarem melhor as suas informações e estratégias, bem como proporcionar condições
para a aquisição de novos conhecimentos matemáticos.





6.1 Objetivos –
crianças de quatro a seis anos



- Reconhecer e
valorizar os números, as operações numéricas, as contagens orais e as noções
espaciais como ferramentas necessárias no seu cotidiano.



- Comunicar
idéias matemáticas, hipóteses, processos utilizados e resultados encontrados em
situações-problema relativas a quantidades.



- Ter confiança
em suas próprias estratégias e na sua capacidade para lidar com situações
matemáticas novas, utilizando seus conhecimento prévios.





6.2 Conteúdos



Os conteúdos
estão organizados em três blocos: “Números e sistema de numeração”, “Grandezas
e medidas” e “Espaço e forma”.


6.3 Orientações
didáticas



Jogos de
“esconde-esconde” ou “pega” onde a criança tem que contar, e cantigas como a da
“galinha do vizinho bota um, bota dois...” podem ser trabalhado para
desenvolver o conteúdo de números e sistemas de numeração.



Quanto a
grandezas o professor deve partir de exemplos práticos, propondo situações
problemas, como o comparar o litro, quilograma, colher, xícara e a pitada de
sal fazendo análise, questionando e expondo as idéias.



A matemática na
educação infantil é abordada em variedades de brincadeira e jogos. Exemplos de
brincadeiras são: as cantigas, brincadeiras da cadeira, quebra-cabeça, dominós,
dados, jogos de encaixe, jogos de cartas.





Considerações
Finais 


O Referencial Curricular
Nacional para Educação Infantil - RCNEI surgiu da discussão de novas propostas
para o ensino de crianças pequenas, a partir da inserção da mulher ao mercado
de trabalho e dos novos olhares lançados em direção a mulheres, crianças e
jovens pela sociedade.



Dentro das diretrizes
sugeridas, dividiu-se o documento em três volumes, sendo o terceiro volume o
objeto de nossa observação, por estar mais diretamente relacionado aos
alicerces educacionais para o desenvolvimento do pensamento e do conhecimento
geográfico.



É no terceiro volume,
intitulado Conhecimento de Mundo, sub-dividido em seis outras linhas de atuação
e atividade que se apresentam orientações aos docentes da Educação Infantil
quanto ao desenvolvimento de Movimento, Música, Artes Visuais, Linguagem Oral e
Escrita, Natureza e Sociedade e Matemática.



Apesar de não ser obrigatória a adesão das
instituições ao RCNEI, alguns benefícios criados
pelo Governo Federal estão diretamente vinculados a ele e só recebe os recursos
a escola que adota as orientações do RCNEI em seu Projeto Político Pedagógico.
Apesar disso, são poucas as instituições educacionais nas quais se evidenciam
trabalhos e atividades orientados pelos objetivos do Referencial Curricular
Nacional, sendo muito mais visível uma atuação tradicionalista e dissociada da
realidade nas práticas docentes.



Tomando
por objeto de análise os sub-grupos identificados no terceiro volume do RCNEI,
percebe-se um distanciamento considerável entre a teoria e a prática de
docentes e escolas.



Referente
ao Movimento, o que se propões é ampliar as possibilidades expressivas do
próprio movimento, utilizando gestos diversos e ritmo corporal nas suas brincadeiras,
danças, jogos e demais situações de interação. Percebemos possibilidades de interação
com o mundo, através deste, expressamos sentimentos, emoções e pensamentos.



No
tocante à Música, propõe-se o desenvolvimento de atividades que objetivem não apenas
o contato com músicas e instrumentos, mas principalmente da musicalidade da
criança, mediante o contato com sons diversificados e com o próprio silêncio. A
criança deve estar em contato com músicas já prontas, mas também
familiarizar-se com a construção e improvisação de sons e melodias.



A
Arte Visual deve desenvolver-se proporcionando um contato amplo com formas,
cores e materiais, permitindo à criança desenvolver sua criatividade,
imaginação e a visualização do mundo que a rodeia, sendo capaz de reproduzir
essa realidade no desenho, na pintura, escultura, colagem, modelagem, etc.



A
Linguagem Oral e Escrita deve primar pelo desenvolvimento da criticidade, da
curiosidade da criança, da expressão de sentimentos, idéias, análises, temores
e, principalmente na valorização de sua crença e cultura.



O
tópico referente à Natureza e Sociedade insere as primeiras noções de Geografia
e História, devido ao desenvolvimento das noções de tempo e espaço através do
contato com o meio social e natural no qual a criança está inserida. As
Ciências também começam a se desenvolver nele por objetivar-se o contato com
seres vivos diversos e de paisagens.



O
desenvolvimento da Matemática se deve realizar valorizando o conhecimento
prévio do aluno, suas curiosidades, questionamentos, indagações e opiniões
diante de situações-problema cotidianas, incentivando o descobrimento dessas
situações e a busca de soluções, assim como também problematizando questões
diárias que estejam diretamente ligadas ao contexto social e familiar do aluno.



O
que se percebe é uma intensa e total preocupação na preservação do contexto
individual da criança e na manutenção dos conhecimentos que ela obtenha. A
cultura, a diversidade e o meio familiar devem ser preservados, garantindo uma
forte ligação entre a escola e o meio externo.



Prima-se
pelo surgimento de um ser muito mais preparado para a sociedade, capaz de reconhecer-se,
superar-se, analisar, criticar e transformar a realidade na qual está inserido,
através de um contato direto e constante com objetos, ambientes e seres vivos
de seu espaço. Da comparação entre o seu meio e outros ambientes e,
principalmente, participativo e construtor das relações interpessoais que
configuram a sociedade.



Se compararmos o que se propõe
com a prática docente e a atuação escolar, percebemos que a realidade é outra, notamos
que pouco se explora do movimento corporal dos alunos; pouco se desenvolve da
música e das artes visuais; que a linguagem oral e escrita exclui o contexto
social propiciando muito mais a evasão do que a inclusão; que os alunos de modo
geral estão pouco familiarizados com paisagens e seres vivos que compõem o meio
ao seu redor e, principalmente, que a matemática continua sendo desenvolvida
desprezando a curiosidade e a capacidade de superação dos alunos, não
propiciando sua interação com o mundo. A prática docente insiste em guardar a
mesma postura ao longo dos anos: o aluno encontra-se sentado para copiar,
decorar, efetuar exercícios.


BIBLIOGRAFIA


Referencial Curricular Nacional para a Educação
Infantil.

Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental.
Brasília: MEC/SEF, 1998. 3º vol.: il.


SCAGNOLATO,
Lindací Alves de Souza. RCNEI - NATUREZA E SOCIEDADE.  Disponível
em://www.webartigos.com/articles/16848/1/RCNEI---Natureza-e-Sociedade/



pagina1.html





SOUSA, Marlene Nascimento de. Referencial Curricular Nacional para a
Educação Infantil: Realidade ou utopia?
Disponível em://www.nead.unama.br/site/bibdigital/



monografias/referencial_curricular_nacional.pdf


CERISARA, Ana Beatriz.
O Referencial Curricular Nacional para a
Educação Infantil no Contexto das Reformas
. Disponível em: //www.ucg.br/ACAD_WEB/



professor/SiteDocente/admin/arquivosUpload/3172/material/O%20Referencial%20curricular%20Nacional%20para%20a%20Educa%C3%A7%C3%A3o%20Infantil%20no%20contexto%20das%20reformas%282%29.pdf








[1]Licenciada Plena em Pedagogia
da Universidade do Estado do Pará – UEPA; Pesquisadora e Educadora em
Sexualidade; Coordenadora do Grupo de Estudos e Trabalho em Educação Freireana
e Sexualidade do Núcleo de Educação Popular Paulo Freire (NEP) e do Eixo de Ed.
Sexual do Projeto Pará Leitura Vai-Quem-Quer.







[2]
Licenciado Pleno em
Pedagogia da Universidade do Estado do Pará - UEPA





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