Não posso regular minhas emoções.
Elas serão sempre o resultado daquilo que vivo e respiro no meu dia a dia. Não posso e não tenho o direito de apagar o meu passado para me tornar um ser humano artificialmente feliz.

Vivo a minha realidade, convivo com meus fantasmas. Que ninguém me obrigue a usar uma máscara usando a arma da retórica, de bonitos versos e de romântismo que vai esconder o meu rosto, a minha face verdadeira, o status real que ostento perante a comunidade em que vivo.

Sou uma autêntica, uma indisfarçável montagem de milhares de dias vividos, para construir e configurar uma vida, essa que eu vivo, essa que tenho, caindo aqui, levantando ali e quando você me ver sorrir, sorrindo escancaradamente é porque estou provisòriamente feliz.

E quando você me vê reflexivo é porque estou mergulhado na profusão de preocupações que um ser humano responsável por sua sobrevivencia e dos seus, detecta com a responsabilidade daquele que jamais se deixa afogar no oceano das armadilhas cruéis que a vida apronta. Sou um sobrevivente, consciente. Não sou e jamais serei um bobo alegre.

Jamais serei completamente feliz, porque isso não é possivel definitivamente a qualquer ser humano que tenha consciencia do que ele é, do que representa, do que realiza, do que sonha e do que realmente consegue.

Todos nós temos nossas limitações e passar dessa cerca, desses limites é somente através de delirios.

E esses delirios jamais me possuirão.