O Arrependimento que É Para Vida

03 de Junho de 2014 Silvio Dutra Artigos 638

Paulo começa o 7º capítulo de 2 Coríntios recorrendo ao que havia falado anteriormente, especialmente na parte final do sexto capítulo em que havia citado a promessa de Deus de receber como filhos e filhas a todos que se apartassem dos ídolos e não tocassem em nada imundo, porque habitaria neles para que fossem o seu povo e Ele o Seu Deus.À luz desta promessa todo cristão deve portanto estar muito empenhado em tudo o que se refira à sua santificação:       “Ora, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda a imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus.”  (2 Cor 7.1).Afinal é este o objetivo da chamada da eleição para a salvação, a saber, para a santificação pelo Espírito Santo (I Pe 1.2), por causa da remissão que há no sangue de Jesus.Então se alguém se diz cristão, e não tem em si este impulsionar da graça que opera pelo Espírito, conduzindo-lhe a se empenhar na sua santificação, deve refletir que está ocorrendo pelo menos uma entre duas coisas: ou deixou que o Espírito se apagasse por uma negligência ou prática deliberada do pecado, ou então por não ter sido realmente regenerado pelo Espírito. Então todo cristão autêntico que viva de modo digno da sua vocação por Deus, há de se empenhar para se purificar de toda a imundícia da carne e do espírito, no temor de Deus, progressivamente, com vistas ao aperfeiçoamento da sua santificação, isto é, até que atinja a maturidade espiritual que deve alcançar em Cristo, ainda aqui neste mundo, à qual é chamada na Bíblia de perfeição evangélica, porque sempre haverá alguma escória misturada ao nosso ouro; mas teremos aprendido em Deus, pela capacitação do Espírito, a nos livrar dela, para o inteiro agrado do Senhor, e a estarmos no lugar em que devemos estar permanentemente, a saber, em santificação na Sua presença.Paulo lhes apelou então no Senhor, que assim como o seu coração estava dilatado para amá-los, sem desconfiança, rancor ou qualquer outro sentimento oposto ao amor, que de igual modo eles também dilatassem seus corações para amá-lo, porque não havia afinal nenhuma razão real para que não o fizessem, porque nunca havia tratado a nenhum deles injustamente, a ninguém havia corrompido com falsidades, a ninguém havia explorado para obter vantagem pessoal dolosamente (v. 2).Se lhes dizia isso não era para que se sentissem acusados ou condenados, porque bem sabiam da unidade espiritual que havia entre eles, e da qual ele lhes já havia falado antes, que estavam em seu coração para morrer e viver juntamente, de modo que a vida deles era a sua vida, e a morte deles, era a sua morte, porque afinal se sentia um no Senhor  com todos eles (v. 3).Ele não estava de nenhum modo ressentido com eles, e até mesmo a chamada carta triste foi escrita com muitas dores em seu coração, porque não tinha outra alternativa senão a de amar acima de tudo ao Senhor e ser obediente ao Seu mandamento de que os líderes devem disciplinar a Sua igreja.Deste modo, a par da grande franqueza do modo pelo qual lhes havia falado, e do ato de se gloriar a respeito deles, ele estava cheio de consolação e transbordando de alegria, em meio a todas as suas tribulações (v. 4).Porque quando chegou à Macedônia, havia sido muito atribulado, e seu corpo havia ficado extenuado, sem ter oportunidade de repousar, e grande era a luta que experimentara com lutas exteriores e temores internos, de forma que se achou muito abatido; mas como sempre costuma fazer, Deus lhe enviou consolo fazendo com que Tito fosse ter com ele, trazendo-lhe boas notícias a respeito do arrependimento da Igreja de Corinto, e da obediência que haviam demonstrado quanto a tudo que lhes havia admoestado através da carta que lhes endereçara; ao mesmo tempo que renovaram os protestos da saudade, do zelo por ele, e também da tristeza que sentiam por causa da sua ausência.Isto era um sinal evidente que o amor de Cristo havia sido renovado em seus corações, em face do arrependimento deles, a ponto de terem consolado o próprio Tito, que foi ter com eles com a missão de colocar as coisas em ordem na igreja.Portanto, não havia motivo para que Paulo ficasse contristado pela carta que lhes escrevera, apesar de ter-se arrependido por algum tempo, por temer que ela pudesse fazer um efeito contrário ao que era esperado por ele e por Deus, de modo que se endurecessem em suas posições, não reconhecendo que aquela tristeza procedia da parte do próprio Senhor, para produzir o arrependimento que dá vida e salvação, e não para que fossem ofendidos ou envergonhados.Não foi movido pelo espírito do mundo que Paulo lhes escreveu, mas pelo Espírito de Deus, de modo que a tristeza que foi  produzida em seus corações não era para a morte, senão para a vida.Quando se afirma zelo por Deus, e se diz estar exercendo disciplina em Seu nome, mas fazendo-o por motivos pessoais, de vingança, rancor ou qualquer outro sentimento oposto ao amor, não se pode esperar que haja um bom resultado tal como o que houvera entre os coríntios, porque o Senhor há de honrar toda disciplina que for feita no Espírito, não somente por zelo, mas também por amor, mas não agirá nas coisas operadas meramente pelo coração do homem.De modo que se for Deus quem operou a tristeza pela nossa instrumentalidade, então Ele próprio honrará a disciplina que o Espírito realizou por nosso intermédio, mas se formos nós, impelidos pelo espírito do mundo, o resultado não poderá ser vida e salvação, senão morte espiritual, de quem já estava a ponto de morrer, por causa do endurecimento no pecado.Todas estas coisas devem ser refletidas e pesadas pelos ministros do evangelho, que têm o encargo da parte de Deus para exercerem disciplina na Igreja. Eles não serão justificados se agirem por motivos carnais, por maiores que sejam os pecados existentes na Igreja que têm que disciplinar.É com a mesma direção do Espírito, e amor pelo rebanho que devem cumprir a exortação do Senhor, como a que vemos por exemplo em Apo 3.2:“Sê vigilante, e confirma o restante, que estava para morrer; porque não tenho achado as tuas obras perfeitas diante do meu Deus.”  (Apo 3.2).Paulo se alegrou portanto não somente com a alegria de Tito, pelo tratamento que recebeu dos coríntios, mas por saber que haviam sido consolados pelo Espírito, que era o sinal evidente de que haviam se arrependido sinceramente, em demonstração de obediência à vontade e Palavra de Deus.É muito difícil, ou até mesmo impossível entender estes sentimentos e verdades espirituais, quando se vive segundo a carne, em busca de consolação carnal, baseada em princípios aplicados da filosofia ou da psicologia, mesmo quando usamos a própria Palavra de Deus para as nossas exortações e aconselhamento.Nada disto funcionará, porque o Senhor honrará somente o que for produzido de fato pelo Espírito e que seja segundo a verdade relativa à santificação, que é segundo Deus, e não segundo aquilo que o homem pensa ou julga.Os coríntios haviam sido provados em sua obediência ao Senhor e foram aprovados, porque Paulo não lhes escreveu por motivo de quem fizera a ofensa e nem de quem a sofrera, mas para ter oportunidade de colocar a obediência deles ao Senhor e à justiça e à verdade evangélica, à prova, de forma que pudessem manifestar o grande cuidado deles pela causa do evangelho, que era o zelo e cuidado que Paulo esperava que tivessem por ele; isto é, não propriamente demonstrações de zelo carnal, mas espiritual e segundo a verdade que está em Cristo Jesus.  Tito não fora ter com eles com subterfúgios, ou então sendo usado por Paulo com astúcias carnais, mas foi inteirado dos fatos tal como eram em verdade, e com o mesmo espírito de zelo e amor que havia no apóstolo, de forma que o assunto não fora tratado como motivo de escândalo ou de vergonha, tanto que a sua estada entre eles produziu os efeitos esperados por Deus, porque tudo fora feito com zelo espiritual e não carnal. Segundo o Senhor e não segundo o homem.Como tudo coopera juntamente para o bem dos que amam a Deus, toda aquela situação contribuiu para que o amor de Tito pelos coríntios aumentasse ainda mais, por causa da obediência deles e da forma como havia sido recebido pela igreja com temor e tremor, prova patente que eram de fato parte integrante do rebanho do Senhor, e portanto amados de Deus e daqueles que são encarregados por Ele para apascentá-los.Andar na verdade e no Espírito faz com que os laços da confiança que nos unem uns aos outros e ao Senhor fiquem cada vez mais fortes. Esta confiança é a base de todo relacionamento verdadeiro, e deve ser bem cuidada por um andar na verdade e humildade; de modo que haja a mesma sinceridade em nossos corações, quer nas coisas que geram alegria, quer nas que produzem tristezas, e que demandam um sincero arrependimento, para que vivamos do modo que é aprovado por Deus e agradável a Ele.


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