Existe no mundo o que chamamos de indústria cultural, ou
seja, aquilo que é vendido para a massa, feito para a massa. Se este produto,
seja arte, produto, moda e etc é ruim ou danoso à sociedade, isso não importa.
A indústria quer vender, só isso. Quer lucrar com a massa.



Pois então. Fico muito triste em ver a arte sendo vendida
como mercadoria, ou seja, não a obra (se é que podemos chamar de obra) feita
por amor a arte e sim, por amor ao dinheiro, ao capital.


Recentemente conversei com alguns autores de contos eróticos
e falei sobre isso e sabe o que eles me disseram? “Conto erótico vende e o
idealizador do site precisa de dinheiro!”



Concordo. Todos nós precisamos de dinheiro, isso é fato. Mas
minha crítica não é sobre o conto erótico, é sobre como estes autores enxergam
a arte: como mercadoria. Ou seja, se um autor escreve já pensando em vender,
isso já não é feito de dentro para fora, da alma para o mundo, para a
contribuição de um mundo melhor através da literatura. Isso já não é arte, isto
é venda, ou seja, é produto e como todo produto ele tem o seu valor de troca, é
substituível.


O que difere Nietzsche, Fiódor Dostoiévsky, Jean-Paul
Sartre, Victor Hugo, Clarice Lispector e Fernando Pessoa de autores medíocres?



O amor à arte, só.



E estes são imortais, pois contribuem até hoje para a
História da Literatura, da Filosofia, do pensamento moderno e contemporâneo.



O que será dos contos eróticos depois da ‘onda do momento’?



Nada.



Só um registro dos mais vendidos numa determinada época. E
só.



E outra, a literatura deveria nos servir como ferramenta
política, na qual, cada autor com o seu talento em determinado gênero, poderia
desmistificar os mitos contemporâneos, quebrar preconceitos sociais, registrar
a história atual do seu país. E isso é possível num conto erótico. Lembremos de
Madame Bovary, de Flaubert. Quando foi lançado, o livro foi duramente
criticado. Chamaram-o de pervertido, de indecente, de ‘sujo’ por mostrar uma
personagem, mulher, sendo livre em seus prazeres. O Gustavo Flaubert, fez
política com esse livro. Gustavo Flaubert, em sua obra, foi um feminista. E
hoje vejo autoras (Sim, mulheres) escrevendo contos eróticos machistas. É de
dar tristeza isso né?


Um homem foi capaz de criar uma obra que até hoje é
referência no mundo da literatura com uma personagem feminista, e hoje vemos
contos eróticos tanto de autores homens ou mulheres, com personagens machistas,
racistas e homofóbicos e até misóginos.



É isso que resulta quando um autor medíocre pensa no lucro: lixo.



E lixo vende, e muito.



Mas a arte por amor é imortal, e isso raras pessoas neste
mundo conseguem.



O meu grito é por amor a arte e não por amor ao Capital, que
nos torna tão ignorantes e mesquinhos ao ponto de criarmos “produtos”
literários contra nós mesmos.



Fica a dica.