Provisão Natural Não Subentende Provisão Espiritua

16 de Junho de 2014 Silvio Dutra Artigos 742

Se
nossa salvação por Jesus Cristo tivesse o simples objetivo de nos fazer
prósperos neste mundo, em relação ao que é material e terreno, que diferença
haveria entre o que serve a Deus e o que não o serve? Afinal, prosperidade
mundana não é algo que sempre foi visto em maior escala entre aqueles que não
são crentes?



E não
os crentes neste mundo, muito mais afligidos com tentações e tribulações do que
os ímpios? 



Então
teríamos motivo de nos gloriar em prosperidade terrena, mesmo quando a
recebemos por uma intervenção direta da parte de Deus?



O fato
de recebermos estas provisões materiais e terrenas é uma garantia de que
estamos vivendo de fato de modo agradável a Deus?



É
possível ser livrado de perigos, curado de enfermidades e obter provisões
materiais, e ainda assim sermos achados dignos dos juízos divinos por conta de
uma vida espiritual negligente?



Nós vemos
no sétimo capítulo de II Reis que o Senhor havia aberto as janelas do céu aos
israelitas livrando-os da opressão dos sírios e provendo-lhes mantimentos do
próprio despojo deles, mas no oitavo capítulo nós vemos que as janelas foram
fechadas logo depois, em face da falta de arrependimento dos israelitas.



Por
isso é necessário ter muito cuidado para não formularmos doutrinas a partir de
porções isoladas da Bíblia, porque alguém poderia ensinar contra a verdade das
Escrituras que o Senhor sempre abre as janelas do céu para o Seu povo, em razão
de estar vivendo na dispensação da graça, e ainda que este ande contrariamente
com Ele, e se valha do evento narrado no capítulo sétimo do livro de II Reis
para formular tal doutrina.



Entretanto,
ainda que seja verdade que a mão do Senhor não está encolhida, a ponto de não
poder suprir as necessidades do Seu povo, mesmo quando este não Lhe é fiel,
todavia, esta condição de infidelidade não Lhe agrada, e não é de modo nenhum
um caminho para se desfrutar das Suas bênçãos espirituais e da intimidade com
Ele, pois isto demanda santidade de vida.



Muito
ao contrário, é um caminho para nos colocar debaixo dos Seus juízos, conforme
podemos verificar pelo que se narra logo no início de II Reis 8, de que Ele
trouxe uma fome de sete anos sucessivos à terra de Israel, conforme havia
prometido, desde os dias de Moisés, que o faria, em face da infidelidade deles.



Uma penúria
espiritual não saciada pela falta de provisões por um comando neste sentido,
que parta do céu, tem sido a condição de muitos verdadeiros cristãos, por causa
da sua infidelidade para com o Senhor, pelo descumprimento voluntário dos Seus
mandamentos, transgredindo assim a aliança que têm com Ele, por meio do sangue
de Jesus, que foi derramado para que pudessem ser reconciliados com Deus, e
viverem em santidade perante Ele. 



Deus
chama o Seu povo a uma reforma e obediência permanente, através dos Seus
ministros, como fizera no caso dos israelitas através do ministério e vida de
Eliseu; nos de Jacó e seus filhos através do ministério e vida de José; e nas
diferentes épocas da história de Israel através de Moisés, Josué, Samuel, Davi,
Elias, Eliseu, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel, Esdras, Neemias, e de todos
os profetas que são nomeados na Bíblia, e Ele continua chamando a Igreja
através do ministério deles, por tudo o que ordenou que fosse registrado na Sua
Palavra para nossa advertência, como também pelo próprio Cristo e pelos Seus
apóstolos e ministros, ao longo de toda a história da Igreja.



A carne
e o mundo exercem um terrível atrativo sobre os servos do Senhor, e eles podem
julgar erroneamente que não há uma vida espiritual de santidade, de fidelidade,
de obediência aos Seus mandamentos, para ser vivida, em face do grande apelo e
impressão que a carne e o mundo exercem sobre eles. 



Mas
somente um Noé é o instrumento de condenação de toda uma geração.



Não mais
do que um Abraão é necessário para demonstrar que há uma vida celestial e uma
vontade celestial para ser obedecida.



A
própria vida deles grita bem alto, tal como a de Elias e Eliseu em Israel,
dizendo: “Desperta tu que dormes!”. “Volta-te para o teu Deus!”. “Abandona o
teu pecado e consagra a tua vida!”.



Felizes
são aqueles que podem ouvir o que o Espírito diz à Igreja, e que não somente
ouvem, mas que se dispõem a obedecer o que Ele está lhes dizendo, especialmente
através da boca dos apóstolos e profetas do Senhor, a quem Ele inspirou a
escreverem suas palavras para serem registradas na Bíblia.



Porque
se esta chamada à reforma que Ele faz pela boca dos Seus ministros não é
obedecida pelo Seu povo, se ela não é devidamente considerada, o que se pode esperar
é que o Senhor trará sobre eles algumas formas de juízos, para que os Seus
ministros sejam ouvidos.



Foi por
isso que Ele trouxe aquela fome de sete anos a Israel, porque apesar de lhes
ter  falado pela boca de Eliseu, e dos
seus demais profetas, e principalmente pela Lei de Moisés, continuaram
endurecidos em seus pecados e não se arrependeram, convertendo-se ao Senhor.




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