Julgamentos Humanos Temerários e Improcedentes

21 de Junho de 2014 Silvio Dutra Artigos 651

Pasmem!
Mas Deus é realmente julgado por muitos como sendo um Deus cruel. Muito deste
juízo é formado por uma compreensão incompleta e incorreta de Suas sentenças
contra pecados praticados no Velho Testamento, até mesmo com a pena de morte
física.



Em todo
o período de existência da humanidade, aquela antiga dispensação do Velho
Testamento teve um prazo limitado fixado por Deus para funcionar especialmente
em relação à própria nação de Israel que era o povo da aliança prometida a
Abraão e sua descendência.



Ao
revelar os seus juízos, não de forma generalizada, mas cuidadosamente
determinada, o grande alvo do Senhor era o de nos alertar o quanto o pecado nos
destrói e nos submeterá por fim a uma condição de estarmos para sempre
afastados da Sua santa presença, porque o pecador não justificado e regenerado
não pode subsistir diante da perfeita Majestade santa e justa do céu.



Assim,
o propósito daqueles juízos que foram registrados por ordem do Senhor nas
Escrituras é o de nos alertar do grande perigo que corremos, de modo que
fujamos da condenação por meio da fé e do arrependimento. 



Então,
não temos naqueles juízos uma prova da falta de amor de Deus, ao contrário, são
justamente eles a grande prova da Sua misericórdia em nos alertar e também por
ter despejado toda a ira da Sua justiça em Seu próprio Filho unigênito que teve
que morrer em nosso lugar na cruz do Calvário, para que pudéssemos ser
justificados e reconciliados.



Deus é
perfeitamente bom, amoroso e misericordioso.



Ele o
tem demonstrado ao longo da história da humanidade, desde que o primeiro homem
pecou, ao oferecer-lhe a redenção que é simplesmente por meio da fé nEle. 



Assim,
vemos boas e grandiosas promessas sendo afirmadas ao longo das Escrituras, as
quais se cumprem em Cristo.



O
Senhor sempre intentou fazer o bem ao homem que criou para viver eternamente em
comunhão com Ele.



Por
isso nos deu um Salvador que teve que pagar o terrível preço que nós mesmos
deveríamos pagar em razão dos nossos pecados; e declarou todo o Seu
beneplácito, através dos profetas do Velho Testamento, muitos séculos antes do
tempo em que Jesus se manifestaria ao mundo.



No
texto de Jeremias 31.31-35 nos foi dada a promessa de uma Nova Aliança em
Cristo, que suspendeu os juízos para as transgressões e pecados, que eram vigentes
no tempo da  Antiga Aliança com Israel.
De maneira que agora, na presente dispensação da graça Deus determinou ser
longânimo para com todos, adiando estes juízos para o grande Dia do Juízo
Final, quando será fechada a referida dispensação.



Está
sendo dada desta forma uma oportunidade para que todos se arrependam e cheguem
ao conhecimento da verdade, e à consequente libertação da condenação
eterna. 



Nos
capítulos 32 e 33 do livro do profeta Jeremias nós encontramos ainda
promessas  do Senhor relativas à Nova
Aliança, como a que se encontra registrada nos versos 37 a 40:


“37 Eis
que eu os congregarei de todos os países para onde os tenho lançado na minha
ira, e no meu furor e na minha grande indignação; e os tornarei a trazer a este
lugar, e farei que habitem nele seguramente.



38 E
eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus.



39 E
lhes darei um só coração, e um só caminho, para que me temam para sempre, para
seu bem e o bem de seus filhos, depois deles;



40 e
farei com eles um pacto eterno de não me desviar de fazer-lhes o bem; e porei o
meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim.”


Veja
que aqui não se a diz apenas que Deus faria Israel regressar do cativeiro
em  Babilônia, mas de todas as nações
para onde haviam sido lançados por causa da ira do Senhor, para voltarem a
habitar na sua própria terra de Israel, e que lhes faria habitar nela
seguramente.



E agora
seriam o povo que o Senhor sempre intentou que eles fossem, ou seja, tendo-Lhe para
sempre como o seu Deus, e para tal propósito lhes daria um só coração, um só
caminho, de modo que fosse temido por eles eternamente, para o próprio bem
deles e de sua descendência; e isto seria possível porque faria uma aliança
eterna, ou seja, a  Nova Aliança, pela
qual nunca poderá se desviar de fazer o bem a Seu povo, por causa da
justificação em Cristo, pela qual o temor do Senhor é colocado
sobrenaturalmente no nosso coração, pelo Espírito Santo, de forma que jamais
poderiam ser separados de Deus, porque o vínculo desta Nova Aliança, nos faz
estar ligados a Ele para sempre de modo que se afirma em Rom 8.35-39 o
seguinte:



 



“35
quem nos separará do amor de Cristo? a tribulação, ou a angústia, ou a
perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?



36 Como
está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte o dia todo; fomos
considerados como ovelhas para o matadouro.



37 Mas
em todas estas coisas somos mais que vencedores, por aquele que nos amou.



38
Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados,
nem coisas presentes, nem futuras, nem potestades,



39 nem
a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura nos poderá separar do
amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.”


Por
este motivo, foi ordenado a Jeremias que comprasse em resgate o campo de seu
tio Hanamel, na sua terra de Anatote, e que lavrasse a escritura da compra, em
sinal de que terras voltariam a ser compradas em Judá, depois que os judeus
voltassem do cativeiro.



Isto
era uma garantia de que Deus tornaria a trazê-los de volta da terra para onde
os levara em cativeiro.



E o
Senhor dera tal ordem quando Nabucodonosor estava prestes a tomar Jerusalém, no
décimo ano do reinado de Zedequias, e a cidade foi tomada no quarto mês do
décimo primeiro ano do reinado do citado rei.



Nesta
ocasião Jeremias encontrava-se encarcerado no pátio da guarda da casa real, por
ordem de Zedequias, porque estava profetizando que Deus entregaria a cidade de
Jerusalém na mão do rei de Babilônia, e que o rei Zedequias não escaparia das
mãos dos babilônios, e o próprio Nabucodonosor o conduziria cativo para
Babilônia. 



Então a
assinatura da escritura da compra do campo de seu tio em Anatote, foi feita no
pátio da prisão onde Jeremias se encontrava, à vista de todos os judeus que
estavam sentados no pátio da guarda.



E as
duas escrituras, uma selada, e outra aberta, por ordem do Senhor, deveriam ser
colocadas num vaso de barro, para que ficassem conservadas por muitos dias,
porque seriam um sinal de que ainda se comprariam casas, campos e vinhas na
terra de Israel, depois de ficar desolada no período do cativeiro.



Isto
não foi feito em relação a Edom, Amom, Moabe, e outras nações que tinham
buscado a destruição de Judá, e no entanto elas é que foram destruídas, porque
Deus tem um propósito eterno com Israel, a nação que Ele próprio formou com a
chamada de Abraão, para ter um povo que guarde os Seus mandamentos e que O ame
e o Sirva para todo o sempre.



Deus
faria isto porque como Ele próprio disse a Jeremias, quando fez a promessa de
que se comprariam casas, campos e vinhas em Judá, depois do cativeiro, que não
há nada demasiado difícil para Ele, porque a perplexidade do profeta era grande
por ser muito grave a iniquidade de Judá. A dificuldade não seria o fato de
voltarem do cativeiro e comprarem terras, mas o fato de Deus perdoar tantas e
graves iniquidades e tornar a fazer o bem ao Seu povo, e com promessas de que
se uniria a eles para sempre.



O
Senhor mais uma vez havia declarado o motivo de estar entregando os judeus nas
mãos dos babilônios, e destacou especialmente o fato de estarem sacrificando
seus próprios filhinhos a Moloque, queimando-os em holocausto nos braços de
Moloque, no vale de Hinom, mas ainda voltaria a fazer o bem a Judá depois de
tê-los purificado destas idolatrias.



Nós
encontramos nos versos 28 a 35 o registro das abominações que os judeus haviam
praticado, e pelas quais estavam sendo castigados por Deus.


“28
Portanto assim diz o Senhor: Eis que eu entrego esta cidade na mão dos caldeus,
e na mão de Nabucodonosor, rei de Babilônia, e ele a tomará.



29 E os
caldeus que pelejam contra esta cidade entrarão nela, e lhe porão fogo, e a
queimarão, juntamente com as casas sobre cujos terraços queimaram incenso a
Baal e ofereceram libações a outros deuses, para me provocarem a ira.



30 Pois
os filhos de Israel e os filhos de Judá têm feito desde a sua mocidade tão
somente o que era mau aos meus olhos; pois os filhos de Israel nada têm feito
senão provocar-me à ira com as obras das suas mãos, diz o Senhor.



31 Na
verdade esta cidade, desde o dia em que a edificaram e até o dia de hoje, tem
provocado a minha ira e o meu furor, de sorte que eu a removerei de diante de
mim,



32 por
causa de toda a maldade dos filhos de Israel e dos filhos de Judá, que fizeram para
me provocarem à ira, eles e os seus reis, os seus príncipes, os seus sacerdotes
e os seus profetas, como também os homens de Judá e os moradores de Jerusalém.



33 E
viraram para mim as costas, e não o rosto; ainda que eu os ensinava, com
insistência, eles não deram ouvidos para receberem instrução.



34 Mas
puseram as suas abominações na casa que se chama pelo meu nome, para a
profanarem.



35
Também edificaram os altos de Baal, que estão no vale do filho de Hinom, para
fazerem passar seus filhos e suas filhas pelo fogo a Moloque; o que nunca lhes
ordenei, nem me passou pela mente, que fizessem tal abominação, para fazerem
pecar a Judá.”


Quando
vemos a descrição de todas estas abominações, e ao mesmo tempo sendo ajuntado a
ela, promessas de bênçãos futuras para aqueles que se arrependessem de seus
pecados, dá para permanecer julgando Deus como sendo alguém cruel, como muitos
costumam fazer?



Aponte-me
um só homem em quem possa ser achada tal disposição de perdoar e abençoar
inimigos declarados, a ponto de morrer no lugar deles, para tomar o lugar da
condenação e culpa que deveriam carregar para sempre, e então eu atribuiria a
esta pessoa o mesmo caráter de amor, bondade e misericórdia que há em
Deus.   


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