Reparando o Mal que Causamos a Outros

24 de Junho de 2014 Silvio Dutra Artigos 1049

Se por
causa do nosso mau exemplo, ainda que seja involuntário, muitos podem ser
prejudicados, e uma vez tendo sido conscientizados do mal que fizemos é nosso
dever efetuar todo o esforço necessário para a devida reparação.



Deus
será conosco se o fizermos, conforme podemos aprender do relato relativo à
experiência do rei Josafá de Judá.



Nós
lemos no 19º capítulo de II Crônicas sobre o reinado de Josafá, quanto ao seu
retorno em paz para Jerusalém, e a repreensão dada a ele pelo Senhor por causa
da sua aliança com o rei Acabe de Israel. Vemos também o grande cuidado que ele
tomou logo a seguir para reformar o seu reino; as instruções que ele deu aos
seus juízes, tanto os das cidades do interior que mantinham os tribunais
inferiores, e aqueles em Jerusalém, que constituíam o tribunal supremo do
reino.



Eis o
grande favor que Deus mostrou a Josafá:



Ao
trazê-lo de volta em segurança de sua expedição perigosa com Acabe, que poderia
ter-lhe custado muito caro. Ele voltou para sua casa em paz (v. 1).



Ele havia
estado em perigo iminente, e ainda voltou para casa em paz. Sempre que voltamos
em paz para as nossas casas devemos reconhecer a providência de Deus em
preservar a nossa saída e a nossa entrada, mas, se somos livrados mais do que
de  perigos comuns, somos obrigados a ser
gratos de uma forma especial.



Havia talvez
apenas um passo entre nós e a morte, e ainda estamos vivos. Josafá se saiu
melhor do que merecia. Ele estava fora do caminho de seu dever, tinha saído em
uma expedição na qual não poderia apresentar uma boa conta a Deus e à sua
consciência, e ainda assim ele voltou em paz; pois Deus não é extremo em marcar
o que fazemos de errado, nem em retirar sua proteção cada vez que a perdemos.



Josafá se
saiu melhor do que Acabe, que foi trazido para casa morto. Embora Josafá tivesse
dito a Acabe: Eu sou como tu és, Deus o distinguiu; pois ele conhece e governa
o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá.



Deus
mostrou também seu favor para com Josafá ao lhe enviar uma repreensão por causa
da sua afinidade com Acabe. É uma grande graça sermos feitos sensatos de nossas
faltas, por nos ser dito a tempo onde erramos, para que possamos nos arrepender
e corrigir o erro antes que seja tarde demais.



O
profeta por quem a reprovação foi enviada é Jeú, filho de Hanani. Seu pai era
um profeta eminente no último reinado, que foi colocado pelo rei Asa no tronco,
e ainda assim o filho não tinha medo de reprovar outro rei.



Paulo
não teria seu filho Timóteo desanimado, mas animado por seus sofrimentos, 2 Tim
3.11,14.



O profeta disse-lhe claramente que
ele tinha feito muito mal em juntar-se com Acabe: "Devias
tu ajudar ao perverso e amar aqueles que aborrecem o SENHOR? Por isso, caiu
sobre ti a ira da parte do SENHOR.”



É o mau
caráter das pessoas ímpias que as torna inimigas de Deus (Rom 1.30). Idólatras
contumazes são reprovados no segundo mandamento; e, portanto, não é para
aqueles que amam a Deus terem prazer neles ou terem intimidade com eles.



“Acaso
não odeio os que te odeiam?”. Diz Davi no Sl 139.21. Aqueles aos quais a graça
de Deus dignificou não devem se rebaixar na busca de comunhão com aqueles que
vivem na prática da impiedade.



O povo
de Deus deve ter a mente de Deus.



Por isso Deus estava descontente
com o que fizera o piedoso rei Josafá: “Devias tu ajudar ao perverso
e amar aqueles que aborrecem o SENHOR? Por isso, caiu sobre ti a ira da parte
do SENHOR.”



Ele o fizera,
e a ira de Deus foi desprezada. No entanto, o seu problema era uma repreensão a
ele por se meter em conflitos que não lhe diziam respeito. Se ele é tão
apaixonado pela guerra, ele deve tê-la o suficiente. E o grande mal que atingiu
sua descendência depois dele que caiu junto com a casa de Acabe, foi o justo
castigo de sua afinidade com aquela casa.



No entanto, ele tomou conhecimento
daquilo que nele era  louvável, pois isto
é adequado para ser feito quando repreendemos alguém por seus erros (v. 3):
"Boas coisas, contudo, se acharam em ti; porque tiraste os
postes-ídolos da terra e dispuseste o coração para buscares a Deus.”



Ele
havia abolido a idolatria com um coração disposto para Deus.



Josafá
não somente recebeu bem a repreensão do profeta, como também se dispôs a tomar
medidas para reparar todo o mal que a sua aliança com Acabe fizera ao povo de
Judá.



Assim,
ele fez uma visita piedosa proveitosa ao seu próprio reino: Ele saiu ao
encontro do povo em pessoa, a partir de Berseba, no sul do Monte Efraim, no
norte, e os trouxe de volta para o Senhor, Deus de seus pais, ou seja, fez tudo
que podia para recuperá-los.



Isto
porque o profeta disse que suas tentativas anteriores de reforma foram
agradáveis a Deus e, portanto, ele as reavivou.



É bom
quando palavras encorajadoras nos estimulam a fazer o nosso dever, e quanto
mais somos elogiados por agir bem, mais vigorosamente nos dedicamos a
praticá-lo.



Talvez
ele descobriu que sua afinidade com a casa de Acabe, e com o idólatra reino de
Israel tinha sido uma má influência sobre seu próprio reino.



Se
realmente nos arrependemos do nosso pecado, nós faremos o nosso melhor para
reparar os danos que tenhamos de alguma forma 
feito por ele à religião ou às almas de outros. Devemos estar
particularmente preocupados em recuperar aqueles que caíram em pecado, ou que
ficaram endurecidos no mesmo, em razão do nosso mau exemplo.



Josafá,
depois de ter feito o que podia fazer para o bem do seu povo, se esforçou em
criar meios para mantê-los no caminho da justiça, e por isso lhes enviou juízes
para por as leis em execução, e para ser um temor para os malfeitores.



É
provável que houvesse juízes no país antes, mas devem ter negligenciado os seus
deveres, ou o povo lhes havia desprezado, de modo que o fim da instituição não
foi alcançado; e, portanto, era necessário que fosse reestruturada, com novos
homens, e um novo encargo dado a eles. Foi isso que Josafá fez.



Ele
ergueu tribunais inferiores de justiça nas diversas cidades do reino (v. 5). Os
juízes desses tribunais deveriam manter o povo na adoração devida a Deus, para
punir as violações da lei, e decidir controvérsias entre homem e homem (v. 6).



Josafá
construiu um supremo tribunal em Jerusalém, que deveria julgar todas as causas
difíceis que ocorressem nos tribunais inferiores, e daria veredictos especiais.



Este
tribunal deveria julgar segundo a lei de Deus que era a lei do reino.



Os
juízes deste tribunal foram alguns dos levitas e sacerdotes que eram mais
instruídos na lei, eminentes em sabedoria, e de integridade aprovada.



Os dois
chefes ou presidentes, deste tribunal. Amarias, o sumo sacerdote, deveria
presidir em causas eclesiásticas, para dirigir o tribunal e ser a sua boca.



E
Zebadias, o primeiro-ministro daquele estado, deveria presidir em todas as
causas civis (v. 11).



Assim,
há diversidade de dons e operações, mas todos do mesmo Espírito, e para o bem
do corpo. Alguns compreendem melhor os assuntos do Senhor, outros, os assuntos
do rei.



Os
oficiais inferiores do tribunal eram alguns dos levitas, porque não tiveram
capacidade para serem qualificados como juízes, e deveriam apresentar as causas
ao tribunal, e ver a sentença dos juízes executada.



Os que
julgam a outros devem ter grande e constante cuidado para evitar o pecado, para
terem autoridade em alertar o povo para não pecar contra o Senhor, e
inspirá-los a temer o pecado, não somente como prejudicial para si e para a paz
pública, mas como uma ofensa a Deus, e o que traria a ira de Deus sobre o povo,
seria imputado aos magistrados se descumprissem o seu dever de puni-lo. Aqueles
que têm o poder em suas mãos para reprimir a culpa do pecado, trazem culpa a si
mesmos, caso não usem o seu poder para a prevenção e repressão do pecado nos
outros.



Eles
devem agir com resolução e coragem, não temendo a face do homem, sendo ousados
no cumprimento do seu dever, e, serão protegidos por Deus caso alguém se
levante contra eles.



O
Senhor será com o bem.



Onde
quer que seja encontrado um bom homem, um bom magistrado, também será
encontrado um bom Deus.


Baseado
no comentário de Matthew Henry e traduzido por Silvio Dutra.


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