Costumo dizer que sou de origem palavresca. Vim de dois substantivos: Márcia e Luís. Sou um terceiro. E por falta de um quarto substantivo – Amor – tornei-me o elo entre os dois primeiros. Assim, além de substantivo, sou pronome de ligação.

Sou poeta por falta de escolha mesmo, às vezes até atribuo ao Karma essa desescolha lingüística, esse olhar turvo sobre as coisas, esse modo torvo de ver e ser na Vida.

Já faz 24 anos que vim para a Terra, desde então carrego essa estranheza no olhar que me permite escrever poemas. Escrevo mais por descompromisso com mim mesmo que por dom de ofício. Me esforço para errar ao máximo e fazer do erro minha melhor virtude. Sei que quase nem nunca ignoro pouco. E que a linguagem é uma fonte de erros. E que poesia é um erro perfeito.