One Paper Letter

16 de Agosto de 2011 Jeff V. Pavanin Cartas 967

Inglaterra, 27 de Novembro de 1877

Meu querido,
Venho por meio dessa singela carta expressar-me. No tempo em que senti dor imensa por você não consegui dizer nada, por isso escrevo-lhe. Não acho que essa carta um dia seja lida com a total atenção que eu espero que seja empregada, mas não perderei nada se não arriscar. Lembro-me da primeira vez em que te vi, com doce olhar do qual nunca me esquecerei, sua engraçada postura que me impressionou, além da sua espontaneidade diante outras pessoas. Me sentia completamente feliz em estar com você mesmo ainda não sabendo meu real sentimento. As tardes alegres de sol ou chuva em que nos divertíamos em qualquer lugar que fosse, os dias incompletos que você preenchia com sua sutileza nas noites em que passavamos em claro. Nunca me senti tão preenchida em toda a minha vida, aproveitava cada minuto como se fosse o último. Queria poder tocar-lhe a face, envolver-te em meus braços e abraçar-te como ninguem nunca te abraçou. Tudo estava pleno, ate que ela apareceu. A partir do momento que a vi roubar-lhe o beijo que deveria ser meu, meus dias voltaram a ser vazios e as noites já nao tinham mais o mesmo glamour. A outra, que podia tocar-lhe a face e abraçar-te como nunca farei, me dava âncias. Continuava eu em meu caminho, sem poder expressar-me como deveria. Fiz de tudo para esquecer-te, tentei suprir minha necessidade de você com outras preocupações, mas tudo ia em vão, eu já estava dentro desse mar que não escolhe sua trajetória, e sei que é impossível sair dele por vontade própria. Lágrimas caíram em minha face como nunca haviam caído antes, senti a dor imensa que não pode ser curada com simples palavras. Minha única vontade era acabar com aquela que recebia sua atenção, porém, via que você estava feliz, e a sua felicidade me impedia de cometer tal ato. Coragem eu possuía, mas essa agora já desviou o seu destino à outra pessoa. Com meu punhal na mão, despeço-me lembrando das únicas palavras que me fizeram viver até os dias de hoje, em que você já não faz parte da minha vida como eu queria que fizesse. Palavras estas que serão carregadas comigo por toda a eternidade e por onde quer que eu caminhe. Quero que leve-as consigo também, mesmo não mais me importando a quem elas serão destinadas. Com meu sangue escorrendo pelos dedos, assino essa carta, e agora reúno forças para dizer tais palavras que sempre tive em mente: eu te amo.

De sua incógnita,
Ilyth Meyer

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