27 de Agosto

Querida,

Gostaria de saber, se não for brutalidade de minha parte ou demasiado sofrimento, se você consegueria descrever um sentimento, uma emoção, que outrora sentira e que por monstruosidade do destino possa ter deixado de sentir.

Consegue descrever essa pequena dor crescente que lateja e desgraça do inicio ao fim do peito? A mão hipotética que abraça seu e meu coração com tal força que o melhor pensamento é o de não querer mais sentir? Consegue descrever se não gritar com a tinta negra da caneta esferográfica que por ora usa que o que sente devia ser, se os deuses possuíssem coração, infinito e para além?

Eu não consigo

Tanto não consigo como queria, se assim fosse possível medir tais abstrações sentimentais em forma quantitativa.

Se permite exceder os limites do meu orgulho, gostaria novamente de pedir outra coisa se não for abuso desesperado: Peço que não se vá, mas tampouco fique. More dentro de mim e daqui não saia jamais, nem com o tempo e nem com as obrigações irremediáveis. Dance dentro de mim, sim! Peço que dance, e fique a dançar, pois lugar que mais te deseje não há, isso posso te afirmar Boneca, e não querendo ser desses vacilantes pessimistas mas temo que isso é a única coisa que posso te afirmar.