Carta ao último adeus

15 de Setembro de 2011 Gisela Cardoso Cartas 2279

Não levei as minhas lamentações novamente, pois elas trazem mais tristeza. O fim é sempre triste. Quem poderá dizer que todo o fim poderá ser o começo? Sim, poderá! Mas, como poderá ter um novo começo de algo que teve fim mesmo sem ter começo? Começo teve. Um grande e lindo começo.
Estava iludida a respeito do amor. Na verdade, fui iludida pelo amor. Perdi tudo. Minhas esperanças, o meu desejo de continuar respirando. Meus planos momentâneos foram jogados no lixo. Meu sonho acadêmico desapareceu. Estava cega e perdida. Estava perdida na dor do abandono.
Meus entes queridos recorram ao místico sagrado. Me levaram ao místico sagrado. A minha alma estava tomada pela tristeza, pelo demônio do abandono. Foram sete vezes. Sete vezes de idas e voltas com esperanças de reconquistar a minha vontade de viver. Tudo me aflingia.
Eu caí no abismo da depressão. Recorri ao suicídio como solução. Mais dor me trouxe. Foi assim. Horas debaixo das cobertas em pleno sol de verão. O pior e o mais doloroso verão. Tentei me afogar em minhas próprias lágrimas, mas mais lágrimas cairam sobre a minha face. Tudo parecia estar perdido. Eu estava perdida.
Os ventos levam as palavras das notícias, e a minha notícia chegou aos ouvidos de conhecidos da família. E foi assim que uma intelectual conhecida da família soube de meu caso e pensou em me ajudar através de um outro mestre.
Já estava esperando por aquele que podia resolver o meu problema. Quando menos esperei, já estava dentro da minha casa, na minha sala, sentado ao meu lado e refletindo sobre a minha vida passada. Eu precisava acalmar o meu psiquíco. Foram marcadas consultas e no final, recebi uma bênção.
Segundo diziam por aí, tal mestre poderia ver o futuro. E assim foi.
Antes, um nobre representante de Deus também bateu em minha porta, pois não era novidade o meu estado. Me deu uma oportunidade de recuperar o meu sonho acadêmico. Para tentar ganhar a guerra contra a terrível depressão, aceitei.
Voltando ao mestre, foi-se a minha primeira consulta. Segundo ele, eu nunca deveria derramar lágrimas por um homem, exceto o meu pai. O meu sofrimento era em vão. Eu tinha uma vida para ser vivida. Olhando em meus olhos, o mestre disse que um jovem estava me esperando. Eu ainda não tinha visto e nem imaginava quem era, mas só sabia que ele estava a minha espera.
Também, segundo o mestre, eu não deveria mais me encobrir de roupas escuras e macabras, pois esconde doença e atrai males. Eu não estava impedida de usar, mas naquele momento não era auspicioso.
Quanto mais ficava sozinha em casa, especialmente debaixo das cobertas, mais a depressão destruía a minha alma. Meu primeiro dia em um curso. Estava anciosa, e confesso, com medo. Desconhecia tudo. E como sempre, chegando lá, ficava sozinha por todos os cantos. Eu era apenas uma estranha garota dos olhos pintados.
Lembro perfeitamente do dia em que fui fazer a minha matrícula. A superior lamentou pela minha doença e me desejou melhoras. Mas, as palavras dela que mais me marcou foram: "Quem sabe um dia você não possa contar a sua história para outras pessoas que passaram o mesmo?"
Não entendo o porquê, mas essa fala me marcou. Não sei. Me senti um pouco mais especial do que os outros, como se a minha vida poderia ter um sentido. Eu teria o poder de curar as feridas com a minha história? Essa questão ainda estava aberta.
Passaram-se aproximadamente duas semanas. Amizade é uma coisa engraçada. Aparece de uma hora para a outra. Apareceu uma garota que graças a ela, tive a oportunidade de saber viver em um meio diferente. Me tornei íntima e mais feliz. E foi através desse meio que a minha vida mudou de uma forma rápida assustadora.
Aquele rapaz que estava a minha espera. Eu descobri e corri atrás. Primeiro apenas o conheci por relatos. Descobri que ele possuía características semelhantes a minha. Meu sentimento destinado foi tanto que acabou me fazendo correr atrás. E fui.
A primeira vez que o vi. Aquele rosto, aquele sorriso, aquela postura. O sorriso e o rosto mais lindos que eu já vi em toda a minha vida. Assim que o vi senti o meu coração bater novamente. Foram apenas aproximadamente 10 minutos, mas foi o suficiente para descobri que a minha ilusão tinha acabado.
Contatos e encontros a série. Nunca senti tanta felicidade debaixo de uma chuva. Oh! Aquela chuva de fim de verão. A chuva que estragou a alegria do carnaval de todos, mas para mim, foi a maior alegria. Era o maior começo por apenas uma simples palavra.
Tudo estava tão perfeito até descobrir que o meu sonho acadêmico tinha recussitado. Não era mais o meu sonho momentâneo, mas sim de meus entes queridos. A única coisa que eu queria era viver e amar o máximo possível o meu amor.
Terrível separação geográfica! Chorei e chorei. Como eu queria estar perto de meu amor naquele momento. Queria abrir mão de tudo, eu apenas queria amar intensamente. Mas, fui conciliando as duas coisas e parecia tudo bem.
Maldita seja a palavra da desconfiança! Pesadelo terrível! Maldito seja o meu medo de impôr a realidade.
Mas, foi assim. Aprendi que é muito doloroso ser odiada pela pessoa que mais ama. Porém, eu continuei amando. Fui ofendida, mas continuei amando.
Mais uma vez caí nas garras da ilusão do amor. Mas, graças a esse amor, descobri pessoas maravilhosas. Ganhei uma nova mãe, uma mulher carinhosa, amorosa, um exemplo perfeito de mãe. Uma pessoa que faço questão de nunca esquecê-la. Uma imensa sabedoria que fiz questão de aprender. Só espero que essa desilusão não rompe a nossa amizade. Amizade. Foi a palavra que descobri em meu caminho.
Não me coloco de vítima. Também tenho minha culpa. Sinto muito. Apenas vou seguir o pedido de meu amor. Vou desaparecer. Não sei qual será o meu destino, o meu futuro.
Oh! Nosso Deus pai todo poderoso que deixa os seus filhos sofrerem nesta vida terrena. Sem dor não há aprendizado de vida. Pensei em usar palavras biblícas, mas não consegui achar nenhuma delas.
E aqui estou. Estou na mesma situação que descrevi no início deste testemunho. Não irei ler o que escrevi, só quero que a minha história seja escrita de preferência nas areias do deserto para que o vento as leve para bem longe, bem distante de mim.
Eu sempre vou estar aqui. Por mais dor que eu sinta, eu vou continuar amando. Foi minha culpa? Eu não sei. Mas eu amo e estou destinada a amar. Quer dizer, eu fui pré-destinada a amar. Infelizmente ou felizmente.
Eu sempre vou continuar amando, sempre irei sonhar com o meu amor, sempre deixarei derramar lágrimas por ele.Pelo meu amor, o meu único e grande amor. A razão do amor não pode existir, mas criei uma razão de vida através dele. Muito obrigada, meu amor! Muito obrigada a todos que conheci. Muito obrigada!

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