Carta às indagações sentimentais

01 de Novembro de 2011 Gisela Cardoso Cartas 1178

Não sinto vontade de acordar.Desejo que o amanhecer nunca exista.Não para mim. A cada manhã, arrependo de ter aberto os olhos,
culpo a Deus por não ter me retirado enquanto estava em meu refúgio. Meus sonhos, o meu refúgio.
Dizem que o suicídio é apenas uma ponte para os problemas, não uma saída, uma solução que costumar parecer. Pensei várias vezes. Mas, no fim, parei. Não senti o calor da desistência, mas sim da dúvida. Dúvidas, muitas dúvidas de como será a minha vida pela frente.
É nessa hora que a minha educação católica entra. É nesse momento que gostaria de conversar com Deus, na verdade tentar descobrir o que me aguarda. Creio que descobrindo, assim, seria menos doloroso viver até lá.
Uma vez uma santidade me disse que Deus gosta de mim como se eu fosse o único ser que existe em todo o universo. Hoje, essa santidade não existe mais nesta dura e triste vida terrena. Mas, confesso que todas as vezes eu lembro desse episódio, dessa fala, do olhar, meus olhos sentem vontade de chorar, meu coração aperta, meus pensamentos se embaralham. Não sei o porquê. Só sei que isso me dá um pouco de forças para conseguir viver mais um dia. Pelo menos um dia.
Lembro de meus pais, irmã, amigos, avós, família. Nada me consola. Ás vezes vem à minha cabeça a figura de minha mãe. Também não sei o porquê. Mas, os mesmos sentimentos aflitos também me abatem. Será dor? Algum arrependimento? Não sei...
Sempre me apeguei fortemente aos meus sentimentos. Sou um ser irracional, frágil, emocional fraco. Não tenho conhecimento sobre a razão. Lamento muito por isso. Muito mesmo. Eu sinto muito mesmo. Sinto muito por não poder voltar atrás. Não poder voltar o ponteiro do relógio. Como eu desejo isso!
Será que eu amei mesmo? Será que foi amor? O amor fere, machuca tanto assim? Depois que o meu amor se foi, só sinto uma certa dor interna. Uma aflição, um desespero interno. Deito em meus aposentos e apenas sinto meus olhos ardendo por salgadas lágrimas que o amor me ensinou a derramar.
Eu não queria que as coisas chegassem a esse ponto. Ninguém nunca quiz. Não sei se alguém mereceu, mas foi feito. Eu nunca amei. Nunca amei do jeito que eu o amei. Seu sorriso, seu olhar, seu abraço. Tudo ficará em minha memória. A minha memória é a minha tortura. Me sinto tão triste...

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