Carta de um Apaixonado

20 de Julho de 2012 Gui Rhabelo Cartas 1286

No texto anterior, Dizendo o Indizível, escrevi um pouco sobre o poder das palavras e a magia das lágrimas, isso me levou a refletir um pouco mais sobre isso. Resolvi então versar mais sobre esse assunto, porém, dessa vez almejei trabalhar as duas linguagens de forma conjunta.
Quando as lágrimas corroboram as palavras não nos resta mais nada além de nos rendermos ao sentimento, e render não apresenta aqui o mesmo significado de se doar e sim de aceitar sua existência. A carta abaixo exemplifica tal circunstância.

“Escrever-te agora, justamente agora, pode ser o ato mais petulante que cometi em minha vida, peço então duas coisas: primeiro que perdoe meu atrevimento e segundo que leia essa carta.
Agradeço por atender o segundo pedido. Sinto que poucas coisas nesse mundo podem se aproximar e serem comparadas a força da paixão que está em meu peito, no entanto as dúvidas que tenho em relação a você assimilam-se a essa força. Esclarecerei, pois talvez seja a última vez que leias uma carta minha.
O que há em teus olhos? Não consegui compreender o que aconteceu no momento em que realmente nos conhecemos, quando nossos olhos se encontraram foi algo divino, marcante e inesquecível. Foi mais que isso, ao contemplar e ser contemplado por seu olhar o meu mundo ficou mais belo ouso a dizer que você me apresentou um novo mundo. Perdoe o Destino porque ele fez nossos caminhos nos levar a um mesmo porto.
Antes que me deixes e que esqueças os momentos que vivemos quero que saibas o quanto sou grato a você, agradeço por ter acendido a chama da vida em meu coração, que já estava cansado e em ti encontrou alento, obrigado por permitir que eu a amasse e por poder sonhar contigo. Sou grato por você ter transformado aquele garoto tolo em um homem perspicaz, me fizeste feliz como jamais imaginei um dia.
Gostaria de ter dito essas palavras pessoalmente, mas temi ouvir a célebre frase: “Não quero mais conversar contigo, acabou!” Mais uma vez me desculpe, caso essa carta chegue úmida em suas mãos, não precisa culpar o correio, culpe a mim que não contive minhas lágrimas ao imaginar que essas são as últimas palavras que digo para aquela que me fez entender o sentido da vida, sinto muito mas meu coração não obedeceu a razão e as lágrimas que corriam em meu rosto acharam repouso nesta folha.”

Esse texto está protegido por direitos autorais.
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