Tempestát[esse]

11 de Novembro de 2013 Lutéo de F. Imbuet Cartas 842

(...) Tempestade...
Ela é a manifestação física da "Morte"
Seus olhar é o céu nublado; e o brilho em seu olhos são raios bélicos.
Sua voz é o eco dos trovões, que pronunciam palavras como sinfonias doces de um canto lírico.
Seus lábios são a garoa quente que vem do norte, que me leva a temer a perdição da chuva que pode vir de um beijo seu.


E seu “Eu” é o Olho do Furacão; que me protegerá de tudo desde que eu o acompanhe sem deixar o Vento dos Tempos me pegar.


Pois a Tempestade está onde Ela está.


E fui eu mesmo que desejei que Ela viesse até meu encontro, e que fizesse parte do meu mundo interno.
Confiei nela, e confio como nunca confiei em alguém antes.
Eu confio meu bem estar em alguém que pode me massacrar com um simples gesto.
Confio meu mundo ao Furação de Destruição personificado em seu ser.


Mas eu não me importo com meu mundo,
Ele é só um punhado de ideais e idéias, de sonhos e vontades,
Nada que realmente me mantenha vivo.


Hoje vejo que não preciso de motivos para viver, pois eu ainda estou vivo mesmo que sem motivação certa ou certamente motivado.
Pois se aqui ainda estou, então aqui eu tenho um propósito.
E mesmo que esse proposito seja apenas morrer mais tarde, no meio da tempestade que eu tanto admiro, eu não me importo.
Eu sei que gosto de encarar o Destino, e gosto mais ainda de ver ele se enganar às vezes.


Pois sei que sou um amante do incerto, sempre gostei do caos de espírito, da cólera interna e da loucura na mente. E agora estou caminhando, o mais calmo que posso, com passos longos e calculados, bem no Olho da Tempestade.


Estou sem nada, e posso sentir o vento carregado de seu perfume, vindo penetrar minha pele como agulhas, como oxigênio em meus poros. Ás vezes nem é sua fragrância embriagante, às vezes é apenas aquilo que a rodeia. Seja uma fumaça de café quente, ou uma neblina densa de carbono recém tragado.


Posso sentir o calor de seus abraços, como sinto um dia abafado,
Me perco nos segundos em que posso abraça-la, são meus segundos mais ternos que tenho em meus dias de frio. Posso ver o calor dos dias de verão só ao olhar sua pele morena e ardente, fervorosa como eu sempre imaginei ser em meu intimo descontrolado.


Eu posso me ver cego, desprotegido, mudo e surdo para tudo que vier dela, mas ainda assim eu a escuto, eu a vejo, eu converso e tento a proteger de mim mesmo. Tento me controlar para não suceder a meus desejos tolos. Pois eu nada sou, sou só um “projeto” próprio, que não aceita caridades, e que não aceita ser moldado por ninguém, nem mesmo pela destruição que vem Dela.


E agora eu sei bem que meu mundo acabou cedendo aos aspectos do mundo dela.


Meus dias tem sido de escrita, e os dela de leitura, apesar dela amar escrever, agora ela parece gostar de ler o que eu escrevo.


Nossas conversar nunca tem um inicio certo, ou um final definitivo, não temos tempo ou métrica para conversar, não há ritmo, melodia ou compassos. É apenas a sinfonia da desordem, é como estar no meio de uma tempestade...


Ela é a minha paz, meu ruído brando, minha terapia, meu alento.
E eu sei que um dia eu posso me perder, posso deixar de andar e ficar para traz. Sei que se um dia isso acontecer, a tempestade irá me alcançar e ira devastar todo o resto de mundo que me resta, e eu ficarei jogado ao nada mais uma vez...


Sei que tenho medo disso tudo, tenho medo de perder tudo...


Mas é esse mesmo medo que me faz sentir tão vivo quando estou ao seu lado. Pois eu tenho certeza de que ela é minha amiga, minha confidente, meu ombro e meu travesseiro.


Ela é um pouco de minha responsabilidade em me manter vivo.


Mas também sei que ela é minha perdição, e eu não me importo;


Pois me importo mais com Ela.


Me importo mais com minha dócil tempestade em forma de gente."(...)



[Imbuet - "Tempestát[esse]" - Agosto de 1932]

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