Olá Deus, como vai?
Estou precisando de umas respostas, um pouco pra “jᔠpode ser?
Eu venho me incomodando com muita coisa, não sei se o senhor sabe, mas muito me machuca. Então vou começar:

Transformaram os nossos desejos em mitos
Os nossos medos em religiões
O nosso sofrimento em benefício do poder desumano
As nossas angústias em produtos
A nossa vaidade em virtude.

Uma criança nasceu hoje, pensei comigo:
“Pobre coitada, conseguirá derrubar estas muralhas sem se rastejar pelo chão com suas marcas sangrando em suas mãos?”
Numa estrutura de mundo que nos oprime a liberdade
Há regras “sagradas” e padrões excludentes
E todos nós estamos sofrendo em diversos graus de medo.
Há alguns que se jogam do precipício desconhecido e jamais voltam.
Espero que o senhor esteja cuidando deles.

A sexualidade ainda está doente
Usaram a fé para matar, perseguir, excluir e castigar
Não sei se o senhor sabe, mas isso causa muitas marcas na alma dos que padecem desta lógica excludente.
Os gêneros são forçados a representar e não possuem sua naturalidade
Ao invés da natureza se exercer, o medo do “meio” os impedem de seguir o próprio caminho que lhe seria natural e eles sufocam os seus mais naturais desejos.
Então temos uma civilização “selvagem”.
Todos nós corremos de um lado para o outro procurando por socorro
Seja nas bebidas, nas drogas, seja na superficialidade do dia-a-dia, seja nos psicofármacos
Seja nas livrarias.
O homem hoje foge de si mesmo o tempo todo.

Eu vejo ratos correndo desesperados para um túnel de esgoto
Onde as águas podres os abençoam em suas rotinas farsantemente destrutivas
A matéria prima disso tudo? A mentira.
O sustento de tanta miséria humana? A ignorância sagrada de todos os dias.

Eu vejo dois ratos gritando por bondade
Para amanhã devorarem a humanidade de milhares
Eu vejo a verdade sendo aniquilada todos os dias nos bastidores
E assim segue a nossa hipócrita sociedade
Onde negros são exterminados em nome da força imperial “branca”
Onde gays, mendigos, loucos, mulheres, deficientes são olhados com apatia e indiferença
Eu vejo a banalidade do mal sempre alerta.
A cidade e o campo são um caos.
Não há para onde correr.
Todos nós somos meras vidas tentando sobreviver como homos sacer’s.

Então, lhe peço senhor, se é que me ouves
Escute o meu clamor
O meu espírito está possesso de dor e de desesperança
Aonde está o amor? Preso no olhar assustado de uma criança?
Sufocado em traumas que atormentam os mais ingênuos?
Me mostre um caminho, pois já não há salvação aqui.
Eu só tenho uma previsão sem futuro e sem sentido.
Nos traga a luz que necessitamos: o conhecimento e auto-conhecimento
E não nos deixe cair em nossa desumana vaidade
E nos livrai de toda arrogância e prepotência.
Amém.