Um amor sem nome...

28 de Junho de 2014 PpedroMaia Contos 826



Luiz estava em estado
contemplativo na Igreja de São Pedro  –
Teresópolis/RJ, pensando na vida... Era um bom rapaz. Bom mesmo!!!
Estudioso, trabalhador, honesto, sincero e, autenticamente,
religioso. Em seus 27 anos, a vida já havia lhe colocado algumas
provações. As maiores dizem respeito a seu coração... mas ele
sabia que tudo fazia parte dos planos divinos.



  • Desde os 22 anos
    sofre de uma angina instável, que lhe provoca dor e aperto no centro
    do peito.


Mas essa angina não é
nada quando comparada a dor sofrida pelos amores perdidos...



  • Aos 18 anos Luiz foi
    ao aeroporto despedir-se de Muxima, moça angolana de 19 anos que
    havia lhe jurado amor eterno. Ele iria se formar e morar em Moxico,
    cidade situada no leste angolano. Tinham tudo planejado.


Ao que parece, Muxima
reencontrou um amor e nunca mais deu notícias ao “pobre”
Luiz.



  • Aos 23 foi levar
    Sueli no aeroporto (esses aeroportos!!!). Sua nova amada estava irradiante
    por ir fazer seu sonhado mestrado em artes na Universidade de Paris.


Eles sonhavam com os
filhos que teriam a partir do casamento que aconteceria em 2 anos,
após o retorno definitivo de Sueli à Pátria Amada (idolatrada
Salve, salve!!!). Sonhavam também com o apartamento que comprariam
na periferia de Teresópolis. Deram um
último beijo, um último aceno... se olharam com lágrimas nos
rostos e Sueli embarcou no Voo 447 da Air France*. Ela agora vive
apenas no pensamento das pessoas que a amaram.



Lembre-se leitor...
Luiz estava na Igreja em estado contemplativo...



E foi nessa conversa
com Deus que, de repente, percebeu que a Igreja estava preparada para
um casamento. Luiz pensou mais uma vez em seus amores... ficou lá
por longos minutos... e decidiu sair para não atrapalhar e também
para não estragar as fotos, já que não estava com roupas adequadas
ao evento que logo se iniciaria.


Viu o noivo tomar sua
posição com um elegante traje branco-esverdeado mas reparou que
este não usava um cravo branco na lapela, que seria uma exigência de Sueli
para o grande dia deles... o cravo garantiria um “amor puro e boa
sorte” pelo resto de suas vidas. Ele riu e agradeceu a Deus pois
Sueli realmente teve um “amor puro” até o fim de sua curta vida.



Luiz decidiu nunca mais
apaixonar-se... e se encaminhou para a saída da Igreja...



Foi quando seu olhar
cruzou-se com o daquela desconhecida. Ela toda de branco, maquiada,
vestido simples mas imensamente belo... Carregava nas mãos um buquê
de rosas das mais diversas cores. Bem ao lado, Luiz viu um arranjo
com várias flores em um cravo branco caído ao lado. Pegou o cravo.


A pele da noiva o fez
lembrar-se de Muxima... o sorriso discreto e fantasticamente belo o
trouxe Sueli de volta... Ficou estático.


Luiz “viu” Sueli a
seu lado dizendo que aquela ali, a sua frente, seria a mulher de sua
vida. Seu coração disparou, seu peito doeu... começou a ouvir os
primeiros acordes da Marcha nupcial de Mendelssohn... sabia que algo
precisava ser feito... sua nova amada estava se dirigindo para um
aeroporto na forma de altar...



… Luiz deu dois
ou três passos a seu encontro, a olhou fixamente e disse...



- Senhorita... ponha
esse cravo no seu buquê... vai lhe garantir um amor eterno por toda
sua vida.


- Muito obrigada... 



… e dali Luiz foi pra
casa embriagar-se sozinho mais uma vez. Só que naquele dia adormecer
pensando nos três amores que a vida lhe deu: Muxima, Sueli e aquela
que Luiz sequer sabe o nome... mas tinha certeza que amaria por toda
sua vida.





* O voo Air France 447
caiu na rota Rio/Paris sem deixar sobreviventes.



Esse texto está protegido por direitos autorais.
Cópia, distribuição e execução são autorizadas desde que citados os créditos.

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