Um caminho diferente......

29 de Junho de 2014 robson aguiar Contos 658

No parapeito de um prédio, trigésimo andar, pronto para pular e se libertar de uma vida cheia de problemas, estava o carlos. Decidira acabar com sua vida, pois achava assim que puniria todos os responsáveis pelos seus fracassos, ele tinha plena certeza que não tinha culpa alguma com o que acontecia de errado com ele. O carlos era uma pessoa dificil de se relacionar, era dono da verdade sempre, não sabia ouvir, só falava e não aceitava nunca um não como resposta, porém nem sempre foi assim. O carlos tinha uma familia que invejava a muitos, tinha o amor de sua mulher e seus dois filhos, tinha um belo emprego e acabara de ser promovido, só tinha um problema teria que se mudar de sua cidade natal, iria ficar longe da familia, seus pais, seus amigos, seus irmãos e agora de seus filhos, pois estes trabalhavam e não poderiam seguir os passos do pai, nesta nova etapa, pois tinha suas próprias vidas, trabalhavam e se mantinham financeiramente. O carlos não tinha a menor idéia do que aconteceria a partir daquela mudança radical. A bete sua esposa o seguiria, porém ela não tinha a personalidade forte, era uma pessoa frágil e seria o inicio de um grande problema na vida do carlos. Ele até tentou que ela não o seguisse e ficasse com os filhos, porém ela não adimitia ficar longe dele, pois sempre o acompanhara nas suas aventuras. A principio tudo caminhava tranquilamente, conseguiram um bom apartamento, em um local que era melhor do que o apartamento em que moravam anteriormente, nos primeiros meses tudo era uma maravilha, estava tudo acontecendo positivamente, quando a noticia da doença da bete veio a tona, um tumor maligno aparecera em seu pulmão, ela passava os dias a tossir e não se sabia o por que daquele problema até ser diagnosticada a doença, começava ai a via crucis do carlos e que não durou muito tempo, pois em quatro meses ele perderia a bete, depois de passar quase todo o tempo a seu lado, o culparam pois a tristeza que ela sentia ficando longe dos filhos, tristeza esta que ela nunca demonstrou, era a causa de sua morte prematura. Todos familiares o culpavam, pois ele, mesmo sem notar, por força das circunstância se afastara da bete, se dedicava ao trabalho e nunca tinha tempo disponível para ela. A bete confidenciava isto para a sua mãe, para as suas amigas, porém nunca parou para conversar com o carlos e ele nunca notara a mudança que acontecera em seu relacionamento, só pensava em ganhar mais dinheiro, em crescer dentro da empresa que trabalhava e esquecera daqueles que realmente o amavam, de sua familia. Após a morte da bete, se tornou uma pessoa diferente, que reclamava da vida, reclamava e discutia com os amigos, que foram se afastando aos poucos. Seus dois filhos tentaram por todos os meios resgatar seu pai daquele buraco em que se enfiava, tentavam a todo custo ajudá-lo, porém ele não queria ser ajudado, o emprego é que ainda sustentava os poucos momentos de lucidez daquele homem, que agora conhecia a solidão que levou sua mulher a morte. Todas as noites sonhava com ela, que aparecia em seus sonhos falando que viria buscá-lo, acordava todas as noites assustado e não conseguia mais dormir, se afastou dos filhos, sua ultima chance de resgate. No trabalho começou a ter uma queda, produzia bem menos e já era olhado com outros olhos pelos donos da empresa, que antes depositavam total confiança no carlos. A bebida que veio logo após este triste episódio tomou conta de sua vida, ele já não controlava o que queria e o que iria fazer. Ao sair do emprego, perdeu ainda o pouco da base que o mantinha de pé. Começou a jogar, pois a bebida o colocava em locais que desconhecia o perigo que provocava em sua vida, perdera tudo e agora iria arrancar, acabar com o resto de vida que tinha, pois a sua única felicidade agora, era ir ao encontro daquela que amava, a bete. Pulou achando que a bete o chamava, se estraçalhou na avenida como uma pessoa comum, porém chamava a atenção, tinha um sorriso no rosto, um sorriso puro, parecia que tinha conseguido o que queria, que era ir ao encontro da bete, ao encontro da felicidade.


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