O Historia verdadeira. Khalis-Iraq 1979

01 de Julho de 2014 Luiz Passos Contos 718

A História verdadeira. Khalis-Iraq 1979



Os contos são verídicos,
os nomes das pessoas envolvidas não serão modificados.



Esse fato ocorreu quando eu tinha 21 anos.



Talvez pelo fato de ser faixa preta e ter
sido campeão baiano de Karatê, tido como Mestre Yoshizo Machida (pai de Lyoto
Machida lutador brasileiro de MMA. Ex-campeão dos meio-pesados do UFC, e Chinzo
Machida vice-campeão mundial de Karatê Shotokan Austrália 2006) fui convidado
por um vizinho e amigo, que era diretor da Policia Federal na Bahia, a
trabalhar em uma construção de uma refinaria no Iraq, ele como diretor de
segurança e eu como segundo no comando e também com a função de treinar os
seguranças, assim que cheguei, fui apresentado a um Iraquiano que seria meu
interprete, Omar Abdul Wahid que Significa o “Servo de Alá”, “o que tem uma
vida longa”, “rico” ou “próspero”.  Todos
os nomes próprios tem um significado no mundo Árabe, Omar falava vários
idiomas, Omar passava a maior parte do tempo ao meu lado, eram muitas pessoas
de várias nacionalidades, era Omar que transmitia as minhas ordens, ele
demonstrava muito interesse pela nossa cultura, apesar de não entender muitas
coisas do nosso modo de vida.



Já tinha se passado três meses, já tinha ido
a Bagdá uma vez e não tive mais interesse em retornar. Apesar de ter achado
bonita a cidade, achei muito violenta.



Omar falava muito de um tio, que era um
Ulemá, (Autoridade versada no islamismo. São professores, teólogos e advogados
conhecedor dos escritos sagrados. (“os que possuem o conhecimento”) são sunitas).
Falava tanto dele que despertou meu interesse em conhecer, Omar marcou então
uma visita, mas não era fácil, apesar de estarmos apenas 60 quilômetros de
Bagdá, mas estávamos no meio do deserto, teria que ir com uma escolta da ONU,
fora isso o Ulemá não recebia muita visita, foram 15 dias para organizar a
visita.



Chegou o dia da visita, escolta armada e
pronta, agradeço a colaboração ao Tenente Isaias (chefe de operações da ONU, exército
brasileiro, também baiano) partimos, os primeiros 30 quilômetros não tinha
receio, era vigiado pela ONU, os demais 30 quilômetros salve-se quem puder,
naquela época inimigo direto era o Iran. 



Chegamos ao local, uma rua normal como
qualquer outra, casas humildes, nenhum palácio em volta, será que estamos no
local certo, devemos estar, o guia era o Omar, descemos do carro e nos
dirigimos a umas das casas mais humilde da rua, entramos, avistei um senhor
sentado, tinha uma barba enorme e branca, calma, não era papai Noel, nos
aproximamos, ele nos reverenciou, Omar nos aprestou, esse é meu tio, não estava
entendendo nada, achei que iria a um palácio e estou em uma casa humilde, as
únicas peças de mobília eram uma cama, um criado mudo, um banco, um castiçal de
vela, um narguilé (Cachimbo de água utilizado para fumar) um penico de barro, (Penico
consiste de um recipiente com formato arredondado e fundo chato, mantido no
quarto sob a cama e usado como vaso sanitário à noite (mas quase que
exclusivamente para urinar). Os penicos podem ser confeccionados de ferro,
bronze, cerâmica, louça, ágata e, mais modernamente, plástico. Quase todos
possuem uma alça (ou pegador)) e três livros, apesar de ter um semblante de
paz, o cara mais parecia um mendigo, na minha total arrogância, dirigi a palavra
a Omar para ele traduzir.



- Onde estão as coisas dele?



Me surpreendi, ele entendia português.



- Que coisas?



- Ora, sua mobília, roupas, equipamentos, sei
lá, suas coisas.



- Onde estão minhas coisas? Eu só estou aqui
de passagem, e onde estão as suas coisas?



- Eu também estou de passagem!



Conversamos outros assuntos, parecia que ele
era vidente também, me disse muitas coisas sobre minha vida futura que na época
não dei muita importância, até acontecer.



Só comecei a entender o que ele disse anos
depois que me tornei espirita, mas compreendi mesmo quando me separei e me vi
sozinho,



sem nada, apenas uma geladeira e um fogão
velhos, um colchão, apenas uma muda de roupa, vi que tudo que tinha antes não
levaria nada, e que não valia de nada, o mais importante era o meu ser, o que
eu tinha no meu interior.



Á 20 anos atrás contei essa história aqui na
internet, se espalhou como pólvora, hoje existe várias versões, com autor
desconhecido.



Encontrei algumas versões.



Conta-se que no século passado, um turista
brasileiro foi à cidade do Cairo no Egito, com o objetivo de visitar um famoso
sábio.



O turista ficou surpreso ao ver que o sábio
morava num quartinho muito simples e cheio de livros.



As únicas peças de mobília eram uma cama, uma
mesa e um banco.



- Onde estão seus móveis? Perguntou o
turista.



E o sábio, bem depressa olhou ao seu redor e
perguntou também:



- E onde estão os seus...?



- Os meus?! Surpreendeu-se o turista.



- Mas estou aqui só de passagem!



- Eu também.... - concluiu o sábio.



Pelo menos essa versão colocou que foi um
turista brasileiro.



Em um dos livros de Paulo Coelho tem esse
relato.



Um executivo da NY Telephone me conta um
curioso encontro que teve, e que mudou muito sua maneira de pensar. Acostumado
a viajar o mundo inteiro, chegou certa tarde ao Cairo, e resolveu encontrar-se
com um famoso rabino que vivia por lá.



O rabino recebeu-o da melhor maneira
possível, e passaram a tarde inteira conversando sobre os desígnios de Deus. Pouco
antes de despedir-se, o executivo comentou com o rabino que ficara muito
impressionado com a simplicidade da sua casa; apenas uma mesa com duas
cadeiras, e uma cama.



“E o que você tem aqui?”, perguntou o rabino.



“Tenho apenas uma mala, mas – afinal de
contas, estou aqui de passagem”, respondeu o executivo.



“Eu também”, disse o rabino.  “Eu também estou aqui de passagem”.



No final a lição que ficou, alguns vivem como
se fossem ficar aqui eternamente, e se esquecem de ser felizes.



A vida na Terra é somente uma passagem...


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