– Acorda filhinho! Quanta preguiça... Esqueceu que hoje é sábado?

Mal digeri as recomendações de mainha, saio esbaforido, o café ainda quente mal acomodado no estômago, por entre pedaços de pão sacolejando, e em poucos minutos já estamos a cela jogando, mais três amigos na roda, o pião sempre a girar, desenrolado da fieira, a se botar, expulsando imponente, quem encontre pela frente.

E assim ficamos a brincar, no pátio daquele velho prédio escolar, ao largo a feira repleta de gente, o povo a comprar tudo o que encontra pela frente, cavalos pra lá e pra cá, um mundo colorido e diferente debaixo daquele sol quente, onde nunca vi ninguém se incomodar.

Passados pouco mais de duas horas e já estamos grudados na bola de gude, biroca logo traçada, olho inquieto a brilhar, refletido no verde da bolinha que bem arremessada, faz o azul da outra se apagar.

Depois de cumprida um muito de toda obrigação, almoço bem engolido, e já sem o risco de qualquer indigestão, corro pra praça e sorriso estampado nos olhos, viajo nas lindas arraias, o céu colorindo, todas ao brilho do sol se perseguindo, a tentar cortar no cerol.

É hora do baba, doze jogando, atropelando uma bola nervosa e arisca, eu no meio me amontoando, enquanto na sombra ao lado, meia dúzia espremidos e torcendo, ansiando a esperar, sua merecida vez de jogar.

Enfim, o sol se escondeu, recolhendo toda a meninada, e com o anseio estampado na cara, cá estou na cama deitado, nessa noite mal iluminada, e com os olhinhos revirando, relembro cada momento do que se passou, a imaginar o domingo chegando, traquinagens fico tramando... Boa noite galera! O sono finalmente chegou...