HORROr NO METRÔ (CONTO DE TERROR)

28 de Agosto de 2011 Raragão Contos 1975

HORROR NO METRÔ

O abafado som da porta do banheiro sendo aberta pôde ser escutado. Os dois ficaram mudos instantaneamente. Esperavam ser alguém que usaria alguma das outras cabines. E pediam em suas mentes para que não fosse o número dois. Mas uma voz ecoou pelo banheiro sujo, rompendo a possibilidade de um simples visitante.

- Tem alguém aí? – A voz rouca do guarda ecoou distraída, como se soubesse que ninguém fosse responder, assim como acontecia todas as noites.

Os dois continuaram mudos, não podiam deixar um simples guardinha, ou melhor, um simples segurança atrapalhar aquele momento incrível. Ele olhou profundamente nos olhos dela, que pareciam concordar com os planos dele de continuar em silêncio.

O tilintar metálico das chaves que o segurança carregava ecoou, assim como os seus passos que pisavam no barulhento azulejo que compunha o chão do banheiro, ambos os sons pareciam aumentar, aproximando-se da cabine onde os dois estavam. Mas o barulho parou no meio do caminho. O casal escutou a porta de uma das cabines abrindo. O homem começou a espantar-se, não acreditava que o segurança iria inspecionar todos os cubículos daquele banheiro. Mas seus pensamentos logo se acalmaram quando escutou o ruído de um zíper sendo baixado. Depois o barulho líquido da urina caindo na água do vaso. Não sabia que um homem podia demorar tanto tempo urinando. Além do ridículo cantarolar que o segurança assoviava enquanto tirava a água do joelho. O zíper novamente ruiu. A porta do outro cubículo também ecoou. Os passos do guarda e o tilintar de suas chaves distanciaram. O imundo sequer deu descarga ou lavou as mãos. Um clique pôde ser ouvido e as luzes apagaram. O som das pisadas do segurança diminuía gradativamente do lado de fora do banheiro, junto ao som do malabare que ele fazia com a lanterna, jogando-a no ar, fazendo-a girar, e pegando-a de volta.

Após alguns segundos ainda imóveis, os corpos reiniciaram os movimentos. Suas línguas dançavam freneticamente, hora na boca do homem, hora na boca da mulher. Os seios dela já saltavam sutiã e decote afora. O cheiro que ela exalava era indescritível, uma verdadeira droga, que o fazia apenas beijá-la mais. Sua boca não conseguia tirar os lábios do corpo daquela estranha que acabara de conhecer. Ele nunca estivera tão teso. Ela nunca havia sentido nada tão profundo dentro si. As unhas da mulher cravavam nas costas dele, fazendo filetes de sangue escorrer. Ele gemia em baixo tom. Ela mordia os beiços para não gritar, soltando apenas gritos abafados pela boca. Não queria que o guarda retornasse naquele momento. O coito não havia chegado, mas o som de um vagão parando nos trilhos acabou com o ânimo do homem. Este, às pressas, saiu do cubículo, levantando as calças e a cueca. A mulher também apressou-se em guardar os seios novamente para dentro do decote.

- Merda! Não posso perder este! Deve ser o último da noite. – Ele agora estava apertando o cinto, ou tentando, já que a escuridão não o permitia ver um palmo a sua frente. – Poderia acender a porcaria da luz, por favor! – A mulher tateou as paredes e achou o interruptor. Acendeu a luz. Enquanto ele ainda ajeitava o cinto ela seguiu para a saída.

- Droga! O féla da puta trancou a gente aqui!

- Tá falando sério!?

- Tá achando que eu queria ficar presa no banheiro do metrô com um cara que eu mal conheço só porque ele acabou de me comer. Sinto muito queridinho posso ser louca mais apaixonada é a tua mãe, esse tipo de insanidade não é para mim.

O homem aproximou-se da porta e tentou abrir. Mas não conseguiu. Os dois começaram a bater na porta e a gritar, para ver se alguém que estivesse passando por perto poderia escutá-los. Mas ninguém respondeu. A mulher encostou-se no balcão de pias e puxou um cigarro. O banheiro deveria ser branquíssimo, mas o acúmulo de sujeira tornara-o amarelo de bordas esverdeadas, várias goteiras podiam ser escutadas e o cheiro de merda e urina enjoava qualquer um.
- Como pode querer fumar numa hora dessas!

- Ora! Estou nervosa! O quê posso fazer! Entre mijar, cagar e fumar eu prefiro fumar! E você deveria me agradecer por tirar esse fedor daqui com a fumaça do meu cigarro. – A mulher sopra a fumaça na direção do homem.

O som do vagão ecoou novamente. Mas dessa vez ela estava partindo. O homem perdeu completamente a paciência. Tentou forçar a porta. Chutou-a. A mulher ficou apenas assistindo a cena.

- Vai ficar aí sem fazer nada mesmo!?

- E o quê que eu posso fazer?

O homem afastou-se o máximo que pôde e depois iniciou uma corrida em direção à porta, acertando-a, mais nada aconteceu. Investiu novamente, depois de três tentativas conseguiu abrir a porta.

- Finalmente algo de útil. – A mulher falou em tom sarcástico, enquanto soltava mais fumaça. O homem apertava fortemente o ombro, que doía muito por causa das pancadas.

Ambos correram para a plataforma principal da estação. Mas era tarde demais. O carrilhão já havia saído. Ele pôs as mãos na cabeça, como se não acreditasse que perdera o último da noite.

- Ótimo! Agora vou ter de pegar um táxi!

Ambos seguiram para a saída, mas notaram que as grades de ferro já haviam sido abaixadas. Tentaram usar os celulares para chamar a emergência, mas estavam sem sinal no subterrâneo.

- Não acredito que estou presa no metrô! Putz! Minha mãe vai me matar.

O homem notou que em um dos portões o último as luzes da escadaria ainda estavam acesas. Ele correu até lá, a moça sem entendê-lo, seguiu-o. Já no portão podiam escutar o assobio do guarda, e som de outros portões sendo fechados, provavelmente ele estava trancando os portões da parte superior da escadaria.

- Ei! Tem gente presa aqui embaixo!!! – O grito do homem já era desesperado.

- Não deixa a gente trancado aqui não! – A moça agora gritava mais desesperada que o homem.

Num tom de espanto a voz rouca do guarda começou a falar. – Tem alguém aí?

- Tem sim! – Os dois responderam o mais alto que puderam.

- Num é assombração não?... É?

- É não porra! Tira logo a gente desse caralho!

- Calma! Já to descendo. Inda bem que vocês me encontraram a tempo senão iam passá a noite todinha aí. – O tilintar metálico pôde ser escutado, o som do portão superior abrindo pôde ser ouvido. – Um imediato alívio chegou aos dois.

O som do segurança descendo as escadas pôde ser ouvido. Mas um barulho estranho pôde ser escutado e as luzes da escadaria apagaram-se.

- Ué?! Que diab... – A voz do guarda foi abafada, um enorme estrondo de algo batendo nos portões superiores foi escutado. O casal de desconhecidos trocou um olhar, tentando entender o que estava se passando lá em cima. Um único som podia ser escutado, o de algum metal rolando e quicando escadaria abaixo. Um singelo brilho metálico surgia descendo, rolando, as escadas. Quando encostou no portão que era próximo dos dois, eles puderam ver que era a lanterna que o guarda jogava e pegava. O homem colocou as passou as mãos através das barras do portão e recolheu o objeto. Notou um líquido viscoso em sua mão. Quando a mulher viu soltou um enorme berro. Era sangue.

Ambos escutaram o som do molho de chaves do guarda, como se alguém estivesse pegando as chaves.

- Têm alguém aí? – Ninguém respondeu. Um enorme barulho pôde ser escutado. Todas as luzes da estação foram apagadas. Alguém tinha desligado a força da estação. Pouco tempo depois puderam escutar passos descendo novamente a escadaria.

- Tem alguém aí? – O rapaz falou mais uma vez. A moça agarrou-se ao braço do homem. Ninguém respondeu. Um som metálico, como o de alguma peça de metal que batia nas fendas que existiam entre os azulejos das paredes, ecoava pela escadaria, cada vez mais alto. Os dois decidiram afastar-se, correndo, dali. Ele ligou a lanterna para que pudessem ver para aonde iam.

- Desliga essa merda! Tá querendo que ele veja a gente aqui? - A mulher praticamente sussurrou, as palavras eram quase inaudíveis, mas ele pôde escutá-la, e obedeceu a ordem da garota. O som dos portões mais inferiores abrindo penetrou nos ouvidos dos dois, não tanto quanto o som deles sendo novamente trancados. Um frio atingiu a barriga dos dois. Eles podiam escutar claramente a respiração de seja lá o quê estivesse lá dentro com eles.

Ambos foram recuando lentamente, o máximo que podiam, até encostarem-se em um das paredes da estação. A mulher não parava de chorar. Mas não emitia qualquer som. Apenas apertava cada vez mais forte o braço do homem. A respiração do ser tornava-se cada vez mais alta. Eles sabiam que não poderiam continuar por ali. Andaram silenciosamente, sendo guiados pelo limite que a parede havia se tornado. Caminharam tateando as paredes até encontrarem uma porta aberta, e a única que encontram foi a do banheiro de onde tinham acabado de sair. Entraram.

A porta não fez nenhum ruído, mas os azulejos eram bastante barulhentos, o homem acendeu a lanterna quando notou que a porta já havia sido fechada. Andaram vagarosamente até a última cabine. Entraram. Encostaram-se na parede e abraçaram-se. E desligaram a lanterna.

- A gente vai morrer, não vai? – A garota cochichava, seus olhos não paravam de verter lágrimas.

- Não. A gente vai ficar bem. É só a gente ficar aqui escondido. Provavelmente aquele guarda deveria ter que dar notícias a alguém. Mais cedo ou mais tarde vão sentir a falta dele e mandar alguém aqui. – O rapaz tentava acalmar a moça, mas sabia que o quê falava não era verdade.

Após alguns minutos escutaram a porta do banheiro abrir. A moça abraçou mais fortemente o homem. Eles escutaram as portas dos demais cubículos serem abertas. Uma a uma. Faltava pouco para chegar à última.

- Quando essa porta abrir eu quero que você corra o mais rápido que puder. – O homem falou quase inaudivelmente no ouvida moça. Entregando a lanterna nas mãos da mulher. – Mas ela não respondeu. – Entendeu? – Ele chacoalhou ela. Que apenas apertou mais o braço dele, para dizer que havia entendido.

Quando a coisa desconhecida ia abrir aporta da cabine deles, o homem chutou a porta, que bateu no ser, fazendo-o cair. O homem jogou-se na escuridão tentando achar, lutar, segurar, ou seja lá o que fosse, com/a/em a criatura. A mulher apenas correu. Ela pôde escutar os dois corpos brigando no chão. Mas não parou de correr, saiu do banheiro e continuou a correr. Escutou os gritos do homem.

Sem parar de correr a mulher tombou em alguma coisa, amedrontada ela ligou a lanterna e viu o corpo do guarda. O segurança estava com um enorme pedaço de cano atravessado pelo corpo, entrando pela boca e saindo pela parte detrás da cabeça. Seu sangue havia se espalhado pelo chão, ela estava muito suja com o sangue do homem. Mesmo apavorada ela não gritou, sabia que o ser logo voltaria atrás dela. Desligou a lanterna e continuou a correr. Tombou feio, acabara de sair da plataforma da estação, caindo na região onde ficavam os trilhos do metro. Muito dolorida, levantou-se e continuou a correr, mancando, para uma das direções do túnel. Era a única saída que lhe restava. Depois de muitos minutos correndo parou e encostou-se na parede do túnel. Um novo estrondo pôde ser escutado, a força retornara. As luzes do túnel iam aos poucos retornando. A mulher logo pensou que a ajuda estava chegando. Mas em poucos minutos suas esperanças acabaram, quando viu um vulto negro vindo pelo túnel, segurando um longo pé-de-cabra, que vinha batendo nos trilhos do metrô, ecoando o som metálico por todo o túnel.

A moça tornou a correr, até perder o ser de vista. Em determinado ponto do túnel seu celular vibrou. – Oi Mensagem. Você recebeu quinze ligações de... Mãe cell. – A garota Tentou ver se conseguia ligar. O telefone começou a pegar um fraco sinal. A garota ligou para a mãe. Que logo atendeu o telefone.

- Laís onde é que você tá garota! Tô preocupada e ...

- Mãe... – A menina caiu aos prantos.

- Filha ce tá bem? Aonde é que você ta? Diz que eu vou te buscar.

- Mãe ele qué me matar mãe... Mãe me ajuda, ele vai me matar! – O desespero dela só aumentava.

- Filha diz onde é que você ta agora!!! – A moça parou de falar. Paralisada. O som do pé-de-cabra e o dos passos sobre as pedrinhas que formavam o chão do túnel podiam ser escutados. Ela tornou a ver a silhueta negra de seu perseguidor, vinha pelo túnel. Isso fez ela correr.

– Mãe eu to no me... –O celular ficou sem sinal. O ser estava próximo demais para ela voltar e fazer a ligação. Ela correu com todas as forças que ainda tinha. Tombou novamente, nos trilhos, caiu, o celular que carregava nas mãos voou longe. Estava em um local fácil de achar, mas ele estava próximo demais para ela perder tempo procurando o aparelho. Ela continuou a correr, indo para uma parte não iluminada do túnel.

O ser, quando chegou próximo ao celular caído, segurou o pé-de-cabra com as duas mãos estraçalhou o aparelho com um único golpe. A moça, que corria como nunca correra antes, não conseguia mais ver nada a sua frente, chocou-se contra a parede do túnel, que fazia uma leve curva naquela altura. O impacto foi tão forte que fê-la cair inconsciente no chão de pedrinhas do túnel.

***

Uma enorme dor de cabeça latejava. O cheiro férrico de sangue e os cheiros de urina e de esgoto penetravam fortemente nas suas narinas. Gemidos estranhos começavam a ser formados pela sua audição. Sua vista não passava de um borrão disforme, que aos poucos ia tomando forma: uma lâmpada amarela, pendurada no teto a partir do mesmo fio que lhe abastecia de energia, piscava fortemente. Mas o pior aconteceu quando o seu tato retornou, sentia uma fria mesa de metal sob seu corpo, uma língua gosmenta ficava esfregando-se em seu rosto e em seu pescoço, uma mão pesada segurava sua cabeça, apertando suas bochechas, outra mão apertava seu pescoço. Ela sabia que estava sendo violada. O corpo do ser estava sobre o dela. Ele atacava-a fortemente. Ela tentava em vão fechar as pernas, mas o ser era muito mais forte. Ela tentou mover os braços, mas não conseguia, estava acorrentada. A coisa forçou-a a olhar bem em seus olhos. Os olhos do ser eram castanhos bem claros. Os olhos dele fecharam-se, ele soltou as mãos do rosto e do pescoço dela, permitindo-a virar a face. O ser violava-a cada vez mais forte, os braços dele apertaram a mesa de aço, a expressão do rosto dele demonstrava certa tensão, que logo fora substituída pelo alívio. Ela pôde sentir enojadamente dentro de si que ele atingira o coito.

O ser continuou abraçado nela por certo tempo, depois se levantou. Laís não parava de chorar. Perguntara-se o quê havia feito para estar num lugar daqueles, só poderia ser um pesadelo. O ser continuava nu andando pelo recinto. Não era um monstro, era um homem, monstruoso, mas um homem. Seu corpo devia ter quase dois metros de altura. Grande parte de seu corpo possuía marcas de queimadura. Na verdade uma só. Mas uma que cercava setenta por cento de seu corpo, o umbigo e o mamilo esquerdo já não existiam, devem ter sido consumidos pela chama que o machucara. O homem era careca, por obrigação. Não tinha mais as sobrancelhas e tinha apenas uma das orelhas. Os dentes, possuía a todos. Seus braços eram as regiões menos queimadas, e tinham bastantes pêlos.

Quando teve coragem de olhar o local onde estava, a garota viu ao seu lado uma outra mesa de metal, com o homem com que esteve no banheiro do metrô. E no chão o corpo do guarda, junto a muitos panos avermelhados, como se o ser monstruoso tivesse limpado a cena do crime. Ela nem sabia dizer se era agora a pouco, não fazia idéia de quanto tempo esteve desacordada. O homem estava amarrado com fita adesiva, e muita. O ser monstruoso mexia em um estojo de bisturis. Ele aproximou-se da mulher.

- Ser linda. – Ela ficou muda, o medo dominava-a. – Ser linda. Linda. Linda. Linda. – A voz dele era grossa e com falhas roucas. O ser encostou o rosto na face de Laís, sentindo o perfume que ela exalava. Cheirando os cabelos negros da moça. As roupas dela estavam completamente destruídas, deixando-a seminua. O monstro soltou as correntes dela, ela continuou imóvel, ele retirou-a da mesa e colocou-a de pé no chão, próxima a mesa onde estava seu companheiro dessa noite. O monstro abraçou por trás e ficou segurando suas mãos, com as próprias mãos, como se tentasse ensiná-la algo.

- Querer mostrar algo que gostar. – Usando as mãos dela sob as dele, o monstro pegou um bisturi, o frio da lâmina fez os dedos dela contorcerem, mas ele não a deixou soltar o metal. Com o auxílio da lâmina ele foi fazendo diversos cortes no corpo do homem, fazendo o sangue escorrer sutilmente. A mulher fechou os olhos, mas os gritos do companheiro faziam-na chorar. Poças escarlates formavam-se no chão sob a mesa. O cheiro férrico ficava mais forte. O monstro tirou o bisturi das mãos dela e afastou-a para um canto da sala. O ser pegou uma colher e aproximou-a lentamente do olho do homem atado. A colher penetrou lentamente sob as pálpebras do homem, fazendo-o gritar. A mulher segurava o braço do monstro, mas de nada tinha efeito. O movimento continuou e ser retirou olho do homem, e depois puxou, retirando o fio de carne que ainda unia o olho ao corpo. O homem nunca gritara tão alto. O monstro pôs o olho na boca, chupando o sangue que ainda pingava. Depois ofereceu a esfera branca de íris azul à mulher, que nem sequer cogitou em tocar no olho. O monstro mordeu a esfera, um forte estalar foi escutado, como o de casca quebrando, um líquido vermelho e negro escorreu dentro da boca do monstro que sorriu.

O ser investiu em Laís, tentando possuí-la novamente, mas num ato de desespero ela acerta, com os joelhos, os genitais do ser, que cai atordoando em dor. Rapidamente a mulher pega o bisturi e solta uma das mãos de seu companheiro.

- Esquece de mim e foge! – A mulher o escuta. E corre. O homem tenta soltar o resto da fita adesiva que o prendia, mas antes que conseguisse o homem ergue-se novamente. Põe as mãos dentro da boca do atado, uma em cada lado da arcada, e abre a boca dele com bastante força, atando-o, rasgando a pele de sua boca, soltando o maxilar e banhando o monstro com sangue. O ser pega o pé-de-cabra e sai da sala para ir atrás da mulher.

A moça não sabia para aonde ir, estava em um verdadeiro labirinto, parecia um esgoto. Corria perdida, sem saber se ia ou se voltava. Até que escutou um familiar som de metrô. Deveria ser o primeiro do dia, ela não podia perder a oportunidade. Segui por uma pequena portinha vermelha, abriu-a e viu o túnel. Seus ouvidos puderam escutar passadas pesadas vindo por detrás dela, ela correu com todas as forças que podia.

Já nos trilhos ela podia ouvir que o homem monstruoso continuava atrás dela. Em uma velocidade surpreendente. Ela já gritava desesperadamente por socorro. Ela já podia ver ao longe a luz da plataforma principal. Mas o monstro alcançou-a, pulando sobre ela, os dois caíram por causa da velocidade. Ela levantou-se e tornou a correr, mas ele segurou uma das pernas dela, fazendo-a cair. No chão ele ainda tentava puxá-la. Com todas as forças que ainda tinha ela chutou a cara do monstro, fazendo-o soltá-la. Ela começou a arrastar-se para longe do monstro, quando reunia forças para levantar-se o ser enterrou o pé-de-cabra na panturrilha dela, atravessando o músculo. O grito dela ecoou de forma aterrado.

O monstro puxou-a pelo pé-de-cabra, que ainda estava fincado em sua perna, a mulher aos berros tentava agarrar-se aos trilhos as pedras a qualquer coisa que suas mãos encontrassem, um rastro de sangue foi espalhado até a pequena porta vermelha. Os gritos dela ecoavam cada vez mais alto.

***

- Mamãe... Mamãe. Tá escutando esses gritos. – Um garoto, perto da beirada da plataforma falava para a mãe enquanto olhava para um dos túneis do metrô.

- Deixe de baboseiras menino! É só os ecos do metrô! Nada mais. Agora se aquieta e fica esperando o metrô. E eu não quero escutar mais nenhum pio!


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