Uma História de Fezes (Fé, no plural)

12 de Agosto de 2014 A.J. Cardiais Contos 723









Depois que o "bicho Hei
de Ir Mais Cedo” (dizem que Deus ajuda a quem cedo madruga) instalou a sua
“Igreja de Lavagem Cerebral”, alguns de seus fiéis seguidores descobriram o
milagre da multiplicação: “Hummm... Vender a fé é muito bom. Não preciso
comprar nada, não é perecível, não paga nenhum imposto, que é justamente isso
que encarece as coisas, e o povo está muito carente disso. É só reparar esse
bando de otários que fica endeusando o “bicho” e doando seus pertences em busca
de salvação”. E como ambição não anda junta, só anda sozinha, cada um resolveu
fazer carreira solo: com o “cala a boca” que ganharam do “bicho”, montaram uma
banda podre do “evangelho” com nomes bem idiotas e pomposos, para chamar bem a
atenção do povo idiota, e começaram a cantar seus sucessos “em nome de Jesus”.
O pai da ideia da “Igreja Malandra”, quando viu seus antigos “fieis seguidores”
roubando parte do seu tesouro (diga-se rebanho), mandou chumbo grosso: jogou
pragas e comprou redes de comunicações para prender seu rebanho e ainda atrair
mais algumas ovelhas desgarradas, porque quanto mais ovelhas, maior a fortuna.
E se conseguir atrair ovelhas lanzudas, melhor.


Mas os “seguidores
caídos” não comeram reggae. E para mostrar ao seu antigo “senhor” que
aprenderam bem a malandragem, alugaram emissoras que estavam à beira da
falência, e mandaram ver: e tome reggae, xote, roque, xaxado, axé e baião pra
cima dos bestas... Imitando o Raul Gil, começaram a cantar: vamos faturar,
vamos faturar! E de real em real as “Igrejas Malandras” (diga-se os malandros)
realizaram milagres “em nome de Jesus”: ficaram milionárias. Essa corja da
“Igreja da Malandragem”, não satisfeita com a fortuna “abençoada”, descobriu
que o somatório de fé+fortuna+política é igual a Deus. Então malandramente
fundaram um Partido, infiltraram-se na política e estão em busca desse milagre.
Mas acontece que Deus é um só, eles são muitos e todos querem esta “função”.
Então, enquanto eles não se reúnem e resolvem quem será coroado (a) o (a) Deus
(a), nós ficamos fingindo que está tudo bem, e vamos levando nossa vidinha.
Porque se eles resolverem escolher um (ou uma) para ser o (a) Deus (a) do
Brasil, a nossa vida virará um inferno. Que o Deus do céu não permita, em nome
de Jesus!



Obs. Esta é uma “obra”
de ficção, qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas e mera suposição.
Exceto Raul Gil, que todos sabem que é um showman brasileiro.

A.J. Cardiais


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