A história da madame e seu gato....que .....

17 de Agosto de 2014 professor Contos 1276

o Gato da Madame- Rolando Boldrim


Vou contar a história de uma madame que vivia muito solitária, no vigésimo andar de um prédio nos jardins, em São Paulo.

Era uma madame muito bonita, que gostava de conforto, e por isso morava num belísso apartamento de ampla salas e grandes suítes.

Mas, apesar de ser uma mulher muito rica e coisa e tal, a dita cuja vivia sozinha naquele espaço. Como acontece com tanta gente por aí, é ou não é?

Ah, mas eu ia contar causo de bicho e tô aqui falando de uma madame.

Naturalmente vocês pensam que eu me atrapalhei ou me esqueci do fio da meada, mas não é nada disso. Acontece que o causo começa assim mesmo, pois tal madame tinha um gatinho. Lindo que só vendo.
Desses que nem parecem de verdade, de tão formoso. Tudo nele era majestoso. Agora, o que impressionava a madame eram os olhos azuis e a expressão de quem entende tudo o que se passa e o que se fala.
O que às vezes deve ser verdade e a gente nem se toca. Pois a tal madame se impressionava tanto com o olhar do lindo bichano que achava que só faltava mesmo ele falar.
E não é que, acreditando mesmo nisso, a dita cuja deu de conversar o dia inteiro com o gatinho, achando que este método usado para fazer papagaio aprender a falar de tanto a gente repetir era o que tinha que ser feito.

E elas sempre terminava as aulas com o gato na insistência: “ Fala, meu bichano, fala...”

O bichano, diante dessas insistências diárias, sempre lhe respondia com um longo...miauuuuuuu.
Sempre com olhar azul fixo em sua dona, atal madame dos Jardins. Aquela que vivia solitária com o nosso personagem por companhia.

Mas – sempre tem um mas, como dizia o saudoso amigo Plínio Marcos – eis que o belo dia, logo de manhãzinha, antes que a madame pudesse recomeçar a sua aula de fazer o bicho falar, o dito cujo bicho olha para a madame e diz, bem claramente, até devagar, de um jeito categórico:

“Dona, fuja que este prédio vai cair”.

Tal não foi a surpresa de o bicho falar que a dona saiu desembestada gritando no corredor do seu andar, que era o vigésimo: “ Meu gato falou...meu gato falou...Venham ver!”.

E o gatinho ainda insistiu num berro: “Dona! Eu to avisando que este prédio vai cair!”.

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