O pré-tornado

15 de Setembro de 2014 BrinaBoyle Contos 652

Era de madrugada e o tempo ameaçando a tempestear, eu estava deitado em minha cama no mais profundo sono, mas um barulho tão alto me fez acordar num pulo. Tentei acender a luz do abajur, mas ela não acendia, a tempestade que estava chegando já havia feito sua primeira arte, desligou a luz, provavelmente da cidade toda, minha cidade não é comum, bem o clima da minha cidade não é comum, ou talvez eu não seja comum... Pulei da minha cama e abri a gaveta do cômodo ao lado do abajur, peguei ali uma lanterna, sua luz estava fraca, não tinha mais pilha então era o que Deus quiser, mirei a luz à janela para ver o que acontecia e dali só via um monte de cinza, as nuvens pareciam descer ao chão, não dançando, muito menos rebolando, mas definitivamente eu podia toca-las, abri a janela, no instante uma ventania bagunçava meu quarto, tudo voava inclusive eu, é eu também voava, como o clima da cidade não é comum, antes do tornado chegar ele já leva muitas coisas, até mesmo pessoas. Minha tia semana passada foi levada por um, vamos dizer “pré-tornado”, até agora não voltou, o que não é comum, geralmente as pessoas voltam.
Eu estava pensando no teto, isso mesmo eu me aconcheguei ali mesmo com o vento e ali fiquei, e a lanterna pobrezinha já estava quase acabada, sorte que na ventania umas pilhas começaram a voar de onde se escondiam e consegui pegar duas, a terceira acertou meu olho, ficou dolorido, mas eu tinha luz.
Como meio de nos proteger de um tornado nós devemos ir para o sótão, porque o sótão é imune a tornados, talvez porque o tornado tenha medo do sótão, uma lenda diz que em todo sótão há uma velha que é feita de toneladas de chumbo e que nunca nenhum tornado conseguiu tirar uma velha sequer de lá, os tornados novatos talvez não queiram passar por um monte de zoação depois de não conseguirem tirar uma velha.
Ao chegar ao sótão abri a porta, aliás, um portão, o rugido era tão alto que arranhava meus tímpanos, não era o portão que fazia esse barulho, era o porteiro, ele é legal. Entrei e me aconcheguei em uma poltrona que ali estava, minha vó chegou perto de mim e me ofereceu chá, ela me odeia, aliás, ela é um puxa saco nunca tira o pé do chão, ela nunca teve um marido, espera, nem minha mãe teve um, mas como eu nasci? Ah deixa quieto, peguei o chá e tomei, chá de água e umas ervas que minha vó plantava, as coisas aqui só se plantava no sótão, o solo lá é melhor. Ali eu fiquei até o pré-tornado passar, agora o tornado é outra história.


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