Dança do Ventre- parte 1- conto

20 de Setembro de 2014 professor Contos 604

Dança do Ventre- parte 1-

Do sol e do mundo nada sei dizer, que os homens se atormentam é só o que posso ver.
Goethe (Poeta alemão, 1749 - 1832)


- Ah, olha só a vadia! E encolhe, e solta, e mexe, e sacode e rebola.
E eu, a serpente, vou saindo do cesto, maravilhada e à mercê dos seus encantos.

Como o velho leão de circo que faz o seu número para ganhar a suculenta carne no final.

E o meu número é arrastar-me até este lugar sujo e mal freqüentado, para deixar-me ser enfeitiçado por ela.

Deus sabe como tenho resistido todos esses anos. Não posso, não devo, dizia eu um homem bem sucedido e chefe de uma família adorável ,

enquanto o demônio(um sujeito simpático e de boa conversa) me fazia deixar o meu confortável escritório e vir até este lugar sórdido,

nesta parte suja e feia da cidade, onde, só ou em bando, vive-se em apartamentos apertados ou em vagas.

Um lugar de gente ansiosa e disponível, onde o calor humano é mais barato.

Olho em volta e vejo que não sou o único.

O que não me serve de consolo, pois me considero especial, levando em conta de onde venho e que o grande herói da minha vida foi o xerife Anderson.

Mas deixe-me falar sobre o xerife Anderson.

Gosto de chamá-lo assim, porque sou de uma pequena cidade no interior, onde há fartura e prosperidade.

Onde os homens vestem-se de vaqueiros, desfilam pelas ruas em carros importados, possuem enormes fazendas e promovem rodeios.

O delegado, ou xerife Anderson, era o segundo homem mais poderoso da cidade. Acima dele, estava o Reverendo Gomes.

E abaixo dos dois, o prefeito. E não podia ser diferente, em uma cidade onde não há carnaval, onde se reza antes das refeições, onde pesadas maldições

e comentários terríveis caem sobre os que desprezam a missa aos domingos e onde a igreja fica no meio da praça principal, no meio da cidade, no centro de tudo e tudo gira em torno dela.

Nas noites de lua cheia, no verão, quando o vento oeste vem trazer o ar quente e seco do cerrado, as moças correm para os seus quartos,

molham suas coxas com água fria e imploram ao senhor para que não as deixe cair em tentação.

Enquanto os rapazes bolem em seus sexos, pedindo ao pai para livrá-los de todo o mal.

Namorava-se, casava-se, procriava-se. Como deve ser a vida. Não havia lugar para desvios.

continua..................

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