Os Mistérios de Vila Nebulosa

29 de Setembro de 2014 Sam T Kappaun Contos 635

No interior, horas da cidade grande há uma Vila esquecida. A Vila Nebulosa. Ela vive de baixo de uma constante névoa ora melhor ora pior, mas ela sempre está lá. Certas vezes tão forte que não pode ser visto um palmo à frente dos olhos. Seu clima úmido mantia as ruas de pedras sempre molhadas e com pequenas possas de água entre as pedras.
Mesmo que não fosse um de seus piores dias, a neblina estava densa. Era preciso usar botas grossas para que não acabasse com a meia molhada. Uma jovem fotógrafa caminhava por uma rua vazia, não vazia por causa do clima, mas parecia que ninguém ia lá por um bom tempo, as casas pareciam todas trancadas e abandonadas. Não havia um único carro ou sinal de que alguém passara por lá recentemente.
Na verdade, não só aquela rua, mas toda a vila dava aquela impressão. Parecia ter sido abandonada e ninguém tinha intenção de voltar.
Após subir a rua, Naila, a jovem fotógrafa parou e virou-se para o caminho que fizera. Ela ergueu a câmera pendurada em seu pescoço e a posicionou em frente aos olhos, observando atentamente pelo pequeno buraco da câmera.
O Flash dispara fotografando a imagem à frente, a rua desaparecendo na imensidão branca. Naila afasta o rosto da câmera para poder ver a foto que foi tirada, ela observa na foto que em meio a neblina há uma silhueta, talvez de um homem. A jovem ergueu os olhos em direção à silhueta, mas não há nada lá além da névoa branca. Tudo em seu devido lugar. Como antes.
Ainda receosa a fotógrafa continua com sua caminhada pelas ruas da vila. Sua bota jogava respingos de água das pequenas possas da rua em sua meia calça. Não havia um único vento na vila, o ar era parado.
A vila era dividida ao meio por uma ferrovia. A linha do trem atravessava a vila, e como todo o resto lá, ela também parecia abandonada. Havia uma grande passarela que atravessava de um lado para o outro por cima da ferrovia. A neblina parecia abaixar, podia-se ver claramente os vagões abandonados mais a baixo da estação, com seus vidros e trilhos quebrados.
Naila ergueu a câmera à frente do rosto e observou a paisagem da passarela e da linha do trem mais a baixo. Pelo buraco da câmera ela pôde ver outra silhueta, essa se mexia pela passarela, a silhueta caminhou lentamente até o centro da passarela ela se debruçou sobre a grade da beirada e jogou seu corpo para frente.
- Não! Espera! - Naila gritou correndo em direção à passarela.
Antes que a jovem fotógrafa pudesse subir na grande passarela que atravessava por cima da linha do trem a silhueta jogou-se lá de cima caindo em direção ao chão. Assustada a jovem debruçou-se sobre a grade observando a linha do trem a baixo da passarela.
Não havia nada lá. Nenhum corpo.

Durante a noite a vila ficava escura, alguns postes de luz estavam queimados ou quebrados, os poucos que funcionavam tinham suas luzes fracas ou piscavam de tempo em tempo. Naila logo dirigiu-se ao que parecia ser o centro da vila, havia uma praça vazia cercada de lojas fechadas, restaurantes e algumas luzes de casas.
Finalmente algum sinal de habitantes.
Naila entrou no primeiro bar aberto que passou, mesmo escuro ele era a única coisa iluminada por lá, que não algumas casas trancadas. A música era baixa e calma, não parecia ter muitos clientes. Os poucos olhos de dentro do bar acompanharam Naila desde a porta até o balcão. Ninguém conversava, não trocaram um único sussurro, apenas a observaram em silêncio.
- Boa noite - a fotógrafa apoiou-se no balcão dirigindo-se ao barman - Eu não conheço muito bem a vila, pode me dizer onde encontro um hotel?
O barman mediu Naila dos pés a cabeça e ergueu uma sobrancelha.
- Um turista? - perguntou um homem sentado ao balcão - O que está fazendo em uma vila como essa? Não vai encontrar bons hotéis por aqui - resmungava ele curvado sobre o balcão com os dedos firmes em volta de sua bebida.
- Uma garota jovem como você não deveria estar em uma vila como está! - exclamou o barman se aproximando do balcão - O que faz aqui?
- Vim a trabalho - respondeu brevemente - Eu só preciso de um lugar para passar a noite - Naila insistiu.
- Perda de tempo! - o homem curvado no balcão bateu seu copo de cerveja no balcão e cerrou os olhos para Naila - Não há o que ser feito aqui, apenas sugiro que vá embora.
- Não seja rude com a jovem - interrompeu o barman - Você já bebeu de mais.
O barman puxou o copo de cerveja da mão do homem, com dificuldade ele conseguiu que seus dedos libertassem o copo já quente. O homem se levantou insatisfeito e virou-se para Naila uma última vez.
- O outro lado da vila é perigoso, não ande por lá! - o homem baforou cerveja em cima da jovem e se retirou do bar numa linha torta.
- Ele quis dizer o outro lado da ponte? - perguntou Naila ao barman - Da linha do trem?
- Isso - confirmou ele - Dizem que é mal assombrado. Resolva o que você tem que resolver e saia da vila o mais rápido que puder - o barman pegou uma caneta do bolso do uniforme, rasgou um pedaço de guardanapo e escreveu algo rapidamente - Aqui está o endereço de um hotel. Não é grande coisa, mas é barato e perto daqui.
Naila pegou o pequeno pedaço de papel rasgado da mão do barman e agradeceu.

O hotel tinha uma única luz acesa em sua recepção. Parecia vazio. Era pequeno e difícil de acreditar que fosse mesmo um hotel. Talvez tivesse quatro ou cinco quartos no máximo, não tinha mais do que dois andares.
Naila entrou na recepção deparando-se com um senhor já de idade, ele inclinava sua cadeira para trás e lia um jornal velho. Tão velho e amarelado que nem mesmo era desse ano. A jovem se aproximou do balcão da recepção.
- Boa noite. Você é o dono do hotel? - perguntou - Eu gostaria de um quarto.
O velho a olhou sobre o jornal, ele mexeu o bigode cumprido que lhe tampava os lábios, dobrou o jornal lentamente em quatro vezes e levantou-se de sua cadeira sem pressa.
- Sim, sou Hans dono daqui - concordou apoiando um dos cotovelos no balcão - Faz tempo que não vejo turistas em meu hotel...
- Eu não sou turista - corrigiu Naila sorrindo - Estou aqui a trabalho.
O velho olhou a jovem dos pés a cabeça, medindo seu short e sua meia calça, suas botas sujas de barro e ainda úmidas, seu cachecol xadrez à volta de seu pescoço e seu cabelo estilo Joãozinho castanho escuro.
- A trabalho? - perguntou franzindo sua testa criando uma sombra sobre seus olhos - O que você faz?
Naila colocou sua bolsa sobre a mesa e a abriu mostrando sua câmera.
- Sou fotógrafa, estou aqui por um projeto meu.
- Por que nessa vila, entre tantas? - perguntou ele observando a câmera ainda dentro da bolsa de Naila - Se me permite dizer - pigarreou voltando sua atenção à jovem - Seria melhor se você não ficasse aqui por muito tempo.
- Não fui eu quem escolhi essa vila e eu pretendo ficar o tempo necessário - respondeu firme.
Naila fechou sua bolsa fazendo um barulho alto com o zíper e a colocou no ombro novamente. Hans pegou alguns documentos na gaveta do balcão e entregou à Naila com uma caneta, a mesma assinou os papeis e recebeu a chave de seu quarto.
- Você já esteve do outro lado, minha jovem? - perguntou o velho guiando Naila pelo corredor do hotel.
- Sim - respondeu Naila hesitante - Eu passei lá mais cedo.
- Viu algo por lá? - perguntou curvando-se para Naila - Fotografou algo lá?
- Desculpe, mas eu gosto de trabalhar em sigilo, e eu estou um pouco cansada... - Naila colocou a chave na fechadura da porta de seu quarto e a destrancou - Acho melhor eu...
Hans fechou a porta num estrondo e encarou Naila com os olhos cerrados.
- Não sei se você percebeu - sussurrou ele próximo à Naila - mas o outro lado da vila não é como qualquer vila comum. Eu venho pesquisando o que acontece lá há anos, se você capturou algo anormal seria muito interessante se pudesse me mostrar. Eu adoraria ver.
A jovem ouvia o velho homem com os olhos assustados. Ela olhou para a mão de Hans segurando na maçaneta da porta e hesitou. Lentamente ela abriu sua bolsa pegando a câmera dentro dela. Ela a tirou da bolsa e a ligou sem tirar os olhos do velho.
- Eu vi alguém se matar na ponte em cima da linha do trem - disse Naila por fim - Mas quando eu olhei pra baixo não havia nada. E eu tenho certeza do que eu vi.
Naila abaixou os olhos para a câmera procurando as fotos e mostrando para Hans logo em seguida.
- Fascinante! - exclamou ele passando as fotos e as revendo repetidas vezes.
- O que tem do outro lado? - perguntou Naila mais uma vez - Estava lá mesmo não estava? Não é defeito nas minhas fotos.
- Não... - sussurrou Hans com os olhos presos às fotos - Não eram só suas fotos.

O dia demorava a clarear, a neblina impedia que os raios de sol chegassem com força à vila, assim como seu calor. Mais um dia frio e úmido em Vila Nebulosa. Naila e Hans se levantaram logo cedo para ir à passarela da linha do trem. A jovem fotógrafa observava a paisagem do trilho velho do trem e dos vagões quebrados e abandonados.
- Essa vila foi fundada por uma família nobre da Europa - contava Hans ao lado de Naila - sua economia era voltada à ferrovia que atravessava no meio da vila, ela transportava de tudo para a capital, mas após o acidente da ferrovia ela foi fechada e nunca mais utilizada. O que tornou essa vila abandonada e deserta... Desde então o outro lado da vila tem sido assim.
Hans coçava seu bigode grosso enquanto falava. Naila debruçou-se sobre a grade observando a estação de trem a baixo deles. Ela tinha um buraco na plataforma e na estação como se algo tivesse destruído metade dela.
- O que foi esse acidente? - perguntou Naila.
- Um trem chegou à estação em uma velocidade muito alta e perdeu o controle ao tentar frear, ele saiu dos trilhos e acertou a plataforma. Ele destruiu tudo que estava na sua frente, tanto a estação quanto os passageiros, trabalhadores e os civis que esperavam na plataforma. Não houve um sobrevivente.
- Isso é horrível! - Naila e Hans desciam pela passarela em direção à estação de trem enquanto conversavam - São os passageiros que assombram esse lado da vila?
- Eu acredito que sim - respondeu olhando em volta - Mas eu nunca consegui encontrar uma aparição nem ao menos me comunicar com eles, se ao menos eu pudesse libertá-los eu poderia estar ajudando tanto a vila quanto os espíritos.
Hans e Naila pararam no limite da plataforma do trem, a sua frente havia o grande buraco feio pelo trem, agora de perto, Naila pôde ver vidros, sapatos pedaços rasgados de roupa, pedaços de assento do trem e um pequeno objeto a chamou a atenção, ele estava sujo e não daria pra ver sua real cor.
A jovem desceu pelo buraco da plataforma e pegou um pequeno bichinho de pelúcia. Ela passou a mão em sua superfície peluda e fofa tirando o pó que o escurecia. Era um coelhinho rosado, agora um tanto marrom, mas ainda felpudo e macio.
Um grito ecoou do alto da passarela que atravessava a vila um lado para o outro e Naila se virou rapidamente. Não havia nada lá, nem por perto.
- Algum problema? - perguntou Hans do alto da plataforma.
- Eu achei... Ter ouvido alguma coisa - Naila voltou seu olhar para o coelhinho. Lhe faltava um olho.
A jovem subiu para a plataforma novamente juntando-se à Hans.
- Se o senhor nunca viu nenhuma aparição, por que virou pesquisador paranormal? - perguntou ela - O que te faz querer salvar os espíritos se nem tem certeza que estão aqui?
Hans ergueu os olhos caídos para o horizonte de vagões abandonados.
- Pela minha mulher - respondeu num suspiro pesado - Ela morreu há quinze anos, mas ainda posso sentir que ela está aqui. E se por causa desse acidente os espíritos não podem descansar e se livrar desse mundo, minha mulher também não pode. Quer salvá-la, assim como quero salvar a todos.
- Então talvez eu possa ajudar sua esposa! - Naila abriu um grande sorriso apertando seus dedos em volta do pescoço do coelho.
Uma risada infantil ecoou pela estação.
- Ouviu isso? - Naila olhou à sua volta procurando alguma criança ou qualquer coisa, mas estava tudo calmo e deserto, como sempre.
- Não ouvi nada - Hans franziu o cenho para Naila.
- Foi uma criança... Vindo da vila talvez... - a risada se repetiu e Naila correu para fora da estação.
- Hei! Espera ai! - Hans tentou acompanhá-la, A jovem parou na rua da estação procurando pelas risadas - Você não pode sair correndo por essa lado da vila! É perigoso!
- Mas tem algo vindo de lá! Eu já volto, talvez eles possam nos ajudar!
- Eles?! É perigoso de mais - negou sacudindo os braços - Por que quer arriscar sua vida ajudando essa vila velha? Você tem toda uma vida pela frente.
Naila virou-se para Hans e sorriu carinhosamente.
- Eu fui mandada fotografar essa vila deserta porque sabiam que não teria como eu estragar uma vila sem graça. Meu trabalho está por um fio. Eles acham que eu não sou capaz, dizem que minhas fotos não tem emoção... Eu vou embora daqui e perder meu emprego, então quero ao menos fazer algo certo. Vou ajudar sua esposa.
Hans pressionou os lábios balançando seu bigode grosso e encarou Naila por alguns segundos.
- Tome cuidado... - disse por fim.

Naila corria pelas ruas úmidas e nebulosas da parte abandonada da vila. Com seus passos largos ela seguia as risadas e sussurros que ouvia, mais firme segurava o coelho mais forte eram suas vozes, e mais próxima estava mais claras ficavam.
Finalmente ela parou numa esquina. Uma rua sem saída guardava uma única casa. Uma mansão enorme, na verdade, com grandes grades no quintal, grandes arvores e um gramado alto que tomava conta da calçada. Ela caminhou até o portão aberto e passou pela grama alta do jardim.
Hesitante a jovem observou a grande casa à sua frente. Tinha certeza de que era de lá que vinham as risadas, que agora cessaram de vez. Era um silêncio mórbido naquela vila. A névoa voltou a aumentar atrás da fotógrafa e ela deu um passo a frente subindo no primeiro degrau da varanda.
As tábuas rangeram com seu peso, tudo lá era velho e abandonado, qualquer madeira velha poderia quebrar com seu peso, ela prosseguiu subindo os últimos degraus, um cheiro forte de mofo e de coisa velha vinha de dentro da casa. Ao mesmo tempo o cheiro de molhado da névoa atrás dela se misturava com aquilo tudo.
- Olá? - chamou. Sua voz ecoou pela rua vazia e pela varanda velha.
Naila ergueu a mão para a maçaneta da porta, ela era dourada e entalhada cheia de detalhes. A porta abriu de uma única vez num estrondo, ela bateu na parede permanecendo aberta. A jovem fotógrafa olhou para a grande porta de madeira escura e engole em seco. Um carpete vermelho a recebia e subia pela grande escada no centro do hall. O tapete estava encardido e tudo ali parecia estar coberto por poeira e teias de aranha.
Ao entrar na casa com as tabuas rangendo sob seus pés a porta fechou-se atrás de Naila na mesma velocidade que abriu. Ela bateu forte assustando a jovem, seus dedos se apertaram em volta do coelho.
De repente o coelho foi puxado de sua mão a forçando, ela se vira, mas a principio não vê nada que pudera ter puxado o coelho. Ela recuou um passo com os olhos arregalados, atentos em cada centímetro da casa que pudesse se mexer.
Uma imagem de um garoto de oito anos abraçado com o coelho surgiu alguns metro a frente de Naila. Era uma imagem trêmula e que se tornava cada vez mais real conforme Naila o encarava.
- Você quem pegou o bigodes? - perguntou o menininho.
- Não - negou - Eu o achei na estação... Você estava lá quando houve o acidente, não estava?
- Estava! - gritou e uma lâmpada do lustre da parede ao lado de Naila estourou - E eu vi o que eles fizeram com meus pais! Nunca vou perdoá-los! - gritava.
- Quem fez o que? - perguntou tentando parecer calma.
- Aqueles empregados dos meus pais acertaram o trem na estação e matam a mim e meus pais!
- Ah! Então você é da família que fundou a cidade? - perguntou - Foi tudo um acidente, ninguém quis acabar com a ferrovia e matar a sua família - explicava.
- Não! - gritou com os olhos vermelhos como sangue - Enquanto eles não me pagarem eu não os deixarei em paz!
O garoto agora segurava o coelhinho pela orelha, suas pernas penduradas quase tocavam o chão. Uma corrente forte de ar começou a rodear o fantasma e seus cabelos balançavam ao vendo. Seus olhos vermelhos encaravam Naila, seu casaco também voava no vento que agora dominava a sala.
- Não foi culpa de ninguém! - gritou Naila tentando proteger a cabeça de um quadro que voava em sua direção - Não adianta você prender os espíritos nessa vila até que alguém pague por um acidente! Você pode apenas seguir em frente ao lado de seus pais!
- Eles se foram sem mim! - lagrimas escorriam dos olhos do garoto fantasma e se juntavam ao vendo à sua volta - Eles se foram para além da luz!
- Todos merecem ir para a luz - concordou Naila tentando se aproximar - E você merece ir com eles - Um tábua do chão de madeira se deslocou voando pela sala, outras taboas também se soltaram e Naila foi obrigada a se jogar no chão para não ser acertada - Seus pais superaram o que houve, você não pode culpar inocentes pelo que houve! - gritava tentando vencer o vento que uivava em seus ouvidos - Você pode ir com seus pais! Basta libertar à todos, inclusive você! - gritou uma última vez.
Num pisca de olhos o vento cessou derrubando as taboas e os quadros no chão. Naila ergueu os olhos para o garoto fantasma que agora encarava o chão.
Seus dedos à volta das orelhas do coelhinho se afrouxaram o deixando cair no chão de madeira. A imagem do garoto foi ficando mais clara até que sumisse num flash de luz. Naila precisou tampar os olhos, toda a sala ficou branca com a luz. Assim que sumiu deixou Naila no meio de uma sala vazia com um coelho rosado sujo de barro.
A jovem respirou fundo recuperando o ar, ela pegou o coelho e observou o buraco feito no canto da sala.

- Obrigada pela estadia! - Naila abriu seu melhor sorriso e deixou a chave na balcão do hotel de Hans.
- Eu quem agradeço por ter ajudado a cidade - Hans sorriu com suas rugas e seu grosso bigode.
- O prazer foi meu, ele só precisava de alguém pra desabafar - ela arrumou sua bolsa no ombro - E eu tirei boas fotos, afinal. Valeu ter vindo até aqui.
- Você viu minha mulher? - perguntou ele com os olhos esperançosos.
- Não... - lamentou Naila encolhendo os ombros - Mas tenho certeza de que ela está em um lugar melhor agora!
Hans sorriu novamente erguendo seu bigode cinzento.
- Boa sorte em seu trabalho.
- Obrigada - agradeceu - Talvez eu continue por conta própria, posso continuar procurando cidades mal assombradas pra tirar foto! - ela riu.
- Você se dará bem com isso - garantiu ele assentindo com a cabeça confiante.
- Obrigada.
Naila assentiu com a cabeça uma última vez e saiu pela rua deserta e nebulosa, ela observava as casas trancadas onde ninguém mais morava, observava as lojas fechadas onde ninguém mais vendia nada. Um sorriso surgiu em seu rosto observando o horizonte da cidade. Talvez agora as pessoas morem aqui. Pensou. Talvez agora possam visitar o hotel de Hans.
Ela se virou e Hans a observava da porta do hotel no final da rua.
Ambos acenaram um para o outro numa última despedida.


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