_ Já sei de tudo, vadia. – dizia Américo, com a faca apontada para Matilde, a esposa .
_ Tudo o quê? – quis saber ela, surpresa, mas, estranhamente, calma.
_ Não te faz de sonsa.
_ Mas não sei mesmo do que tu fala. – disse ela, percebendo, agoniada, que a situação não era para brincadeiras.
_ Puta desgraçada! – gritou ele, confuso. O sujeito enterrou a faca no pescoço de Matilde, que caiu imediatamente, agonizando com feiúra, e produzindo ruídos estranhos, por vários minutos, no chão.
Américo olhava o corpo com os olhos arregalados e a impressão do dever cumprido. Embora não tivesse tanta certeza e nenhuma raiva que justificasse a violenta atitude.
Saiu da casa e, no portão, Ivete, bonita e fumando um Luxor longo, o esperava ansiosa. Deu um longo beijo de língua nela, enquanto um vira-latas latia, desesperadamente, na porta da casa do espetáculo sangrento.
_ Obrigado por alcaguetar tua colega. A puta sempre se fazia de fiel. – disse ele, olhando encantado para Ivete, com um sorriso cheio de paixão. Tomou o toco de cigarro da mão dela, deu uma tragada e jogou a bituca tão longe que se surpreendeu com o arremesso.
Os olhos do bruto Américo, geralmente esbugalhados e nervosos, agora transmitiam paz, amor e declaração de submissa entrega à nova fêmea amada.
A lua era minguante e no outro dia tinha jogo do Inter.