Era o sujeito mais simples do mundo: decidiu reduzir-se a uma característica física.

Seu e-mail, seus apelidos em comunidades na Internet, seu apelido na vida real... Não existia Leonardo, mas "bracoforte@gmail.com". As fotos que utilizava de si e as menções diretas e indiretas a seu respeito sempre esbarravam em seus bíceps. De alguma maneira, achava que era o melhor que tinha a oferecer; o aspecto que, de todo o seu ser, mais o diferenciava dos outros. Por que usar seu nome, se aquele atributo físico o representava de maneira mais perfeita em sua tão vaidosa e superficial autoimagem?

Braço Forte não precisava de nada mais — além de um bom espelho, halteres e óleos hidratantes. O maior problema é que buscava nos outros uma visão de mundo similar; e para seu azar — sorte do mundo? —, Braço Forte passava a maior parte do tempo sozinho. Pior: frequentava um poço mental de racionalizações tão bem cavado por si que ele mesmo acreditava ser um indivíduo muito profundo...



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