Essa nossa história.

30 de Novembro de 2011 T.Brum Contos 1066

Uma história interessante, pois não havia se quer um atrativo (além do seu lindo sorriso) que a fizesse parar por um momento e dedicar sua atenção a alguém antes nunca visto. Cada momento que o encontrava ela se perdia. Perdia o jeito áspero de falar, seu ar metido de não estar vendo ninguém a sua volta. O contrário acontecia, por várias vezes se pegou tentando de alguma forma fazer com que ele a percebesse, querendo sempre agradá-lo como nunca tinha feito por ninguém. Tudo tão inacreditável, inexplicável que começou chamar atenção de quem a conhecia e sabia que não era de seu feitio ser tão agradável, portanto sempre foi vista como "Persona non grata".
Mesmo com toda essa situação, ele tímido, não esboçou nenhum interesse. Ela assim continuou com sua vida chata. Acostumada a viver sem amor num relacionamento de aparência "feliz", era possível ver em seus olhos e também não fazia a mínima questão de esconder. Continuou assim. Até a quarta vez em que se viram. Lembram-se de tudo, cada palavra, cada gesto. Naquele momento tanto ela quanto ele não sabiam que já estavam perdidos um no outro. Algo diferente acontecia e eles perceberam, mas existia o medo de ambos de tudo aquilo ser recíproco. Ele queria falar, mas sua timidez não o deixava. Era tão intensa a vontade quanto o medo, que suas mãos e pés suavam, seu corpo ficava em estado febril e ela percebendo o seu quase colapso por qualquer outro motivo, menos ela. Ele queria poder gritar todo o sentimento que estava preso em seu peito, mas não conseguia.
Era dia de festa, festa de Rainha. Enquanto todos comemoravam, dentro dela o sentimento, arrebatamento, o interesse não sabia como chamar no momento, não saia de sua cabeça. Aquilo não iria lhe deixar em paz se não fizesse alguma coisa. Depois dos acontecimentos de praxe da festa, todos descontraídos em conversas alegres lá estavam eles destacados, conversando num mundinho só deles, como se nao existisse mais ninguém. Mas existia e todos perceberam sem comentar.
Ele tentando se embriagar para ter coragem de falar o que tanto queria, ela esperando ouvir. Um momento até cômico se ela não estivesse o achando tão lindo naquela situação. Ela percebeu que não poderia ir embora sem ao menos saber o que estava acontecendo. Então fez o que nunca imaginou que tivesse coragem, lhe roubou um beijo, um estalinho mesmo como dizem por aí. Ele parecia ter entrado em estado de transe, ficou parado, ali, meio minuto como se estivesse flutuando. Ela nunca havia presenciado uma cena assim, só em filmes daqueles que ama ver e a fazem chorar de tão lindos. Depois do beijo saiu, com vergonha, alegria, nervoso não sei. A tal vodka, nela talvez teve um grande efeito. Logo assim ele correu até ela e perguntou por que tinha feito aquilo, em resposta pediu então desculpas, pois só tinha seguido sua vontade. E ele disse:
- Que bom! Você fez hoje, o dia mais feliz da minha vida.
Ela riu. E lhe perguntou se teria agora coragem de falar o que tanto apertava o peito. Ele respondeu em gesto negativo. Ainda assim ele não conseguiria, não entendia o porque, mas sabia que existia muito medo.
Nasceu um novo dia e já haviam trocado vários outros beijos, que para os dois era de um sabor diferente que em suas vidas não tinham ainda experimentado. Ficaram anestesiados um pelo outro e até ele começar a passar muito mal novamente a ponto de não conseguir ficar de pé. E lá foi ela querendo estar ao seu lado, mas não deixando que ninguém percebesse sua excessiva atenção, pois o que estavam vivendo naquele momento era proibido. Sentou ao seu lado e perguntou como passava.
Ele respondeu com essas palavras:
- Eu preciso lhe dizer uma coisa.
- Diga. - Disse ela
- Se não falar eu vou continuar a passar mal. A verdade é que eu quero ficar com você, namorar, pois estou gostando muito de você.

Sem palavras, queria abraçá-ló, dizer que sim, que era isso tudo que ela também desejava. Mas sabiam que a situação nao era tão simples.
Mesmo ciente de toda dificuldade o mundo dentro deles virou de cabeça para baixo e deu uma chacoalhada.
Os dois ficaram em silêncio, até o momento da despedida. Foi como se estivessem arrancando um órgão do seu corpo com as mãos. Os dois choravam por dentro, como se nunca mais fossem se ver novamente. E assim ela fez a viagem, muda, dirigiu muda. No carro o que conversavam parecia estar longe, para seus pensamentos só havia um dono. Nada falava, se emitisse algum som seria de um choro, seu peito doía estranhamente, falta de ar, na garganta um bolo, onde o choro ia e voltava. Não podia chorar ali. Como explicar se o fim de semana inteiro ela exalava uma felicidade inédita.
Até hoje nao se explica a dor que sentiu, foi muito forte e estranha não havia sentido nada parecido.
A noite ligou e perguntou como ele se sentia e o mesmo descreveu toda a dor idêntica a sua, com uma voz trêmula e chorosa. Foi aí que percebeu o amor diante dela, uma oportunidade que talvez Deus tenha lhe dado de ser feliz, como um anjo, em forma de homem quem sabe. Estava ali em suas mãos, e dessa vez ela não deixaria escapar.
A força deste sentimento não tem explicação e mesmo assim ninguém entenderia, ambos estão tentando entender até o momento, só sabem que é forte e imenso. Amor de outras vidas. Você acredita? Já encontrou o seu?


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