Lauro Jubitando e Formigamente falando.

05 de Fevereiro de 2012 osnofa Contos 1025

Lauro Jubitando e Formigamente falando.
História imagináveis do osnofa

O Lauro do Jubito e o Aurélio Buarque de Holanda tinham alguma coisa em comum, os dois garantem que a formiga é um inseto; o Lauro na prática e o Holanda teoricamente, já o osnofa imagina que a formiga é um bicho. Nada melhor do que discordar de quem tem razão. Um dia o Lauro do Jubito tocava bandolim no alpendre de sua casa e a música era o Trenzinho Caipira, do Heitor Villa Lobos, fiquei parado na porta da casa do Lauro por alguns minutos, ouvindo e curtindo a beleza deste momento, foi tempo o suficiente para que um enxame de formigas picasse meus pés e as minhas secas canelas, a vontade era de sair correndo, mas formigamente falando o Jubita me acudiu dizendo assim: bate os pés meu rapaz e passa as mãos nas canelas que as formigas vão embora e assim fiz. Depois disso o Trenzinho Caipira foi tocado por mais umas duas vezes e as formigas foram embora.
Fiquei ali proseando e ouvindo-o falar sobre as formigas, nossa, nunca tinha imaginado que uma pessoa poderia saber tanto de formigas, o Lauro era Phd em formigas, sabia tudo, o que elas costumavam alimentar, porque tinham asas e tamanho diferenciado, cabeças grandes ou pequenas e tão miúdas como a ponta de um alfinete, estilos, cores e tamanhos, etc. Diante de tanta sabedoria me desculpei e falei para o Lauro do Jubita, desconsidero o que eu pensava sobre o biótipo das formigas, prá mim elas eram bichos, mas agora sei que são insetos. E aí chegaram os amigos do Jubita, o comerciante Francisquinho e o meu tio Geraldo do Eduardinho, dois bons violonistas de violão nas mãos. Imaginem, se estava bom o Trenzinho Caipira, ficou melhor, depois disso tive que ir embora, pois o Lauro e os amigos tinham que ensaiar algumas músicas para uma seresta que estava marcada naquele sábado. Confesso que não me esqueci das formigas, tanto pelo que o Lauro me ensinou sobre elas e pelas mordidas nos pés e nas minhas secas canelas.
Continuei passando ali na casa dos Jubitos e parando para ouvir o Lauro tocar a suas músicas preferidas para o deleite público, um dia violão, outro dia bandolim, viola e cavaquinho, o talento musical é um dom da família Matos, coincidência ou não as formigas sempre me mordiam, eu batia os pés e passava as mãos nas minhas secas canelas e elas me deixavam em paz.
Espiritualmente isto poderia ser um carma, nunca fui tão mordido por formigas, um inseto que eu considerava ser um bicho, cheguei a questionar esta situação com o amigo. O mesmo sempre foi um homem sério e comedido devido ao seu trabalho como dono de Cartório de Registro de Nascimento e Casamento. O Lauro do Jubito depois de ouvir minha queixa e meu questionamento caiu na risada, e sem saber o porque de tanto riso fiquei na duvida se ele estava rindo de mim ou prá mim e discretamente perguntei o que estava sucedendo e por que tanto riso, depois de se recompor do excesso de riso o Lauro do Jubito me respondeu educadamente com a sabedoria de um mestre. Moço você sempre vem me ouvir tocar e toda às vezes é mordido pelas minhas formigas, hoje você não imagina o quanto está atrapalhando as coitadinhas, estão todas em filas e de malas prontas para embarcar no Trenzinho Caipira do Heitor Villa Lobos, com destino a São Petersburgo, onde vão participar de um congresso com os meu amigos cientistas Dr. Bolostroque e Dr. Lascotine e você fica aí no meio do caminho atrasando a viagem delas.
A sabedoria do mestre Lauro do Jubita me fez lembrar o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade, de Itabira para o mundo com toda simplicidade, “No meio do caminho tinha uma pedra/Tinha uma pedra no meio do caminho”... Obrigado Jubita! Obrigado poeta!
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