A Pastelaria do Jota e a misteriosa freguesa que virou história

História imaginável do osnofa

Pastéis da melhor qualidade,feito na hora e tira-gosto variado,a famosa sinuca, pinga e cachaça da roça, uísque, vodca,rum, conhaque São João da Barra e Domec, refrigerantes e a Coca-Cola mais gelada que já tomei em toda a minha vida. A Pastelaria do Jota era classe A. Não me importa por que cargas d’água, o Jota teve sua Pastelaria em vários pontos da cidade,mas o ponto que ficou famoso mesmo foi o da Rua Marechal Deodoro, ali perto da Loja do Dálvio Natalício, a Casa Natal, aquela que o Mineirinho fazia propaganda na Rádio Clube e usava um bordão assim: “a Casa Natal, tem tanta coisa, que o Dálvio Natalício sumiu lá dentro”. Portanto a Pastelaria do Jota, ficava bem no centro da cidade e tinha uma freguesia atuante, todos os dias à tardinha e nos domingos pela manhã a turma estava lá.
Os freqüentadores mais diários eram o Dilson da Minerita que gosta muito de jogar sinuca, o Zé Alves que tinha um comércio ao lado, o Hely Jaó, o Hely Rodrigues que era casado com a irmã do amigo Zé Faxineiro, e o famoso dono de bar Onofre Bacalhau, amigo do Morelino do carteado e o petista Dr. Peri Tupinambás também eram fregueses do Jota, mas vinha freguês de todos os lados da cidade, por causa dos deliciosos pastéis, a sinuca e o variado tiragosto e também o atendimento nota dez, que o Jota proporcionava aos seus fregueses.
O Jota politicamente era de esquerda revolucionária e literalmente contra a ditadura militar, um adepto número um do Che Guevara, amigo do Morelino, do Celinho do Brexó e do petista Dr. Peri Tupinambás.
Num ambiente desta envergadura, o inusitado também acontece. Todos os domingos uma senhorita das proximidades, comprava uma garrafinha de cachaça e uma dose dupla de conhaque Domec. A cachaça claro que era para por na pimenta e o conhaque para flambar a carne do almoço ou o frango do estrogonofe, mas o Jota não sabia e preocupado com a situação chegou a comentar com o Dilson da Minerita.”Esta vizinha está bebendo muito, é frango que toma conhaque, é pimenta que toma cachaça, quando ela vem aqui comprar cachaça e conhaque, sempre fala que é para os preparos do almoço, então eu dou prá ela uns três pastéis, é pra ela tirar o gosto coitada. Sei que o dinheiro já vem contado para a compra que ela me faz aos domingos. E um freguês bom assim tenho que preservar, mas ando mesmo preocupado com ela”. Depois de ouvir o aclame do Jota, o Dilson finalizou a partida de sinuca com o Hely Rodrigues, pois já era a quarta vitória do domingo e já estava mesmo na hora de ir almoçar com a família. Sendo assim o Hely Rodrigues foi jogar outra partida de sinuca com o amigo Hely Jaó, que ganhar do Rodrigues não ganhava, mas terminava sempre empatado.
Todos os domingos onze e meia da manhã, assim que o pastel do Jota começava a exalar aquele cheirinho delicioso para todos os cantos do quarteirão, a vizinha vinha fazer sua comprinha na Pastelaria do Jota. Sempre a mesma coisa: uma garrafinha de cachaça e uma dose dupla de conhaque Domec. E o Jota não perdia o costume de agradar a freguesa com três pastéis. A ilustre senhorita já era familiar naquele recinto, mas porém desconhecida, ninguém sabia o nome da dela. Pelo jeito este mistério vai mesmo perpetuar, o Jota morreu e o segredo do pastel tão delicioso ele deve ter levado na memória, e a vizinha misteriosa mudou daquela região e eu como escritor não posso revelar o nome desta senhorita. Mas garanto para o saudoso amigo Jota que a protagonista deste caso, que tem oitenta por cento de veracidade, de fato comprava a cachaça para por na pimenta e o conhaque era mesmo para flambar as iguarias do almoço de domingo. Deixo aqui o meu recado final, o nome da misteriosa freguesa da Pastelaria do Jota, está bem claro nas entrelinhas deste causo, leia com atenção quantas vezes for preciso, mas descubra quem é a misteriosa senhorita.
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